sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Carta aos Romanos - 5

Ainda sobre Romanos 8:1, eu gostaria de deixar registrado algumas coisas que os reformadores falaram sobre o versículo em questão. Em todos os 4 volumes das Institutas, Calvino fala apenas uma vez sobre este versículo (III, 4, 28), e ainda assim apenas para refutar a tese católica de que haveria uma classificação de pecados veniais e mortais que o cristão poderia cometer. Já Lutero vai citar Rm 8:1 ao falar sobre o batismo, que ele considerava sacramento nos moldes católicos:

Enquanto subsiste esse teu compromisso com Deus, este, por sua vez, age graciosamente contigo e se compromete contigo no sentido de não te imputar os pecados que estão em tua natureza após o Batismo. Ele não os considerará nem te condenará por causa deles. O que lhe basta e agrada é que estejas em contínuo exercício e alimentes o desejo de destruir esses pecados e de te livrar deles com teu morrer. Por isso, ainda que maus pensamentos ou desejos se manifestem e ainda que, por vezes, peques e caias, se tornares a te erguer e a entrar na aliança, teus pecados já se foram por força do sacramento e do pacto, como diz São Paulo em Romanos 8:1. A má e pecaminosa inclinação natural não condena ninguém que crê em Cristo, desde que não siga essa inclinação nem se submeta a ela. E o evangelista S. João afirma em sua epístola: "Se alguém cair em pecado, temos um intercessor perante Deus, Jesus Cristo, que se tornou um perdão de nossos pecados" (1 Jo 2.1). Tudo isso acontece no Batismo, em que nos é dado Cristo, como ouviremos no próximo sermão.

(Martinho Lutero, "Um Sermão sobre o Santo, Venerabilíssimo Sacramento do Batismo", in "Obras Selecionadas" – Os primórdios – Escritos de 1517 a 1519, Eds. Sinodal/Ulbra/Concórdia, 2004, vol. 1, 2ª ed., p. 418)

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