terça-feira, 23 de maio de 2017

Quando Malafaia chamava Eduardo Cunha de "gênio"


Só se for "jênio" com "j", não é mesmo? 

"Acusação muito ridícula para o nível do cara"? Isto que é "profeta" boquirroto, meu povo!




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Iranianos reelegem presidente o reformista Rouhani



Manja o Irã, aquela república islâmica tão criticada? Pois é, lá tem eleição direta para presidente e o candidato do manda-chuva do país, o aiatolá Ali Khamenei, perdeu para o atual presidente Hassan Rouhani (ou Rohani, há divergências quanto à grafia), que concorreu à reeleição.


Logo, ao contrário do Brasil varonil, bons ventos políticos e econômicos sopram no Irã, segundo informa o Estadão:

Reformista Rohani é reeleito no Irã

Com 57% dos votos, presidente que selou pacto nuclear com Ocidente ganha mais quatro anos no cargo em meio à recuperação econômica

Renata Tranches

TEERÃ - O reformista Hassan Rohani foi reeleito neste sábado, 20, presidente do Irã com 57% dos votos, em uma votação que mostrou o apoio dos iranianos ao pacto nuclear com o Ocidente, o fim de mais de uma década de isolamento internacional e um princípio de recuperação econômica.

O anúncio da vitória foi feito na manhã de ontem pelo Ministério do Interior. Seu rival na disputa, o juiz conservador Ebrahim Raisi - próximo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, teve 38% dos votos.

O acordo negociado em 2015 estipulou regras para o país desenvolver seu programa nuclear, que incluem inspeções internacionais e limites para o enriquecimento de urânio. O Irã alega que o programa, que começou a ser desenvolvido nos anos 50, antes da Revolução Islâmica de 1979, tem objetivos pacíficos, enquanto seus críticos argumentam que teria ambição militar, para construir bombas.

No começo dos anos 2000, EUA e ONU impuseram sanções econômicas ao país, alegando falta de transparência. As medidas afetaram a economia iraniana. A retórica do então presidente, Mahmoud Ahmadinejad (2005-2013), pregando a destruição de Israel, não ajudou.

O clérigo Rohani foi eleito em 2013 com o aval do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, para levar adiante a negociação, mesmo diante da forte resistência dos linhas-duras. O presidente prometeu que, com o pacto, viria a transformação econômica.

Com o levantamento das sanções, o país começou a acumular algumas vitórias. Voltou a exportar petróleo - segundo o embaixador iraniano no Brasil, Seyed Ali Saghaeyan, a produção foi de 1 milhão para 2,5 milhões de barris por dia, entre 2015 e este ano (mais informações nesta página), e a inflação caiu de 37,7% para 7,2%. O país fechou ainda acordos bilionários com companhias europeias e até americanas, principalmente na área de aviação. Mas o desemprego não cedeu e subiu de 10,4%, em 2013, para 11,2%, este ano.

A explicação, segundo o especialista Pejman Abdolmohammadi, pesquisador da London School of Economics, é que o presidente não influenciou drasticamente a condição econômica iraniana, apesar de ter conseguido algumas aberturas que ajudarão no longo prazo. O baixo preço do petróleo, no momento em que o país volta a exportar, limitou os ganhos do acordo.

O fim da “doutrina Obama”, de aproximação com Teerã, foi outro fator negativo e está influenciando os assuntos domésticos, segundo Abdolmohammadi. O especialista da Texas Christian University, Manocher Dorraj, acrescenta que há um lobby de Arábia Saudita e Israel - rivais iranianos - para que Trump não alivie nenhuma sanção fundamental que possa trazer prosperidade à economia do país.

Durante a campanha para tentar um novo mandato, em votação feita na sexta-feira contra Raisi, o presidente foi criticado por seus partidários por não promover a ampliação dos direitos civis e liberdades com as quais se comprometeu. “As pessoas realmente esperavam que ele pudesse fazer algo nesse sentido”, explica o pesquisador da London School. Ele foi cobrado também por não ter criado condições para libertar dois líderes reformistas em prisão domiciliar desde 2011: Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi.

Como chefe de governo, Rohani alega que há limites para o que pode fazer. No Irã, quem dá a última palavra é o líder supremo. Mas o argumento não foi suficiente e críticas têm se repetido, como a da premiada atriz Baran Kosari, que fez campanha para Rohani em 2013. “Simplesmente dizer que ele (o governo) está sob pressão não é aceitável”, disse.

De qualquer forma, para especialistas Rohani teve um papel fundamental para mudar a imagem internacional do Irã. “Ele foi um dos presidentes mais influentes da república islâmica, mais até, eu diria, que (Mohammed) Khatami”, disse Abdolmohammadi, em referência ao histórico líder reformista. / COM REUTERS





domingo, 21 de maio de 2017

A segunda morte de Tancredo Neves


Coluna de Juca Kfouri no seu blog no UOL, de leitura obrigatória para todos aqueles que acompanharam em tempo real a agonia de Tancredo Neves naquele longínquo ano de 1985:

A segunda morte de Tancredo Neves

Tancredo Neves, o presidente que foi sem nunca ter sido, teve dos mais gloriosos enterros já vistos no Brasil.

Menos pelo que era, mais pela esperança que despertou depois de 21 anos de ditadura.

Conservador, malicioso, frasista, dava nó em pingo d’água.

Democrata, posicionou-se a todo risco pessoal tanto contra o golpe que levou Getúlio Vargas ao suicídio quanto contra o que derrubou João Goulart.

Pagou o preço de suas escolhas e certamente jamais apoiaria nem Lula nem Dilma Rousseff.

Do mesmo modo que desaprovou os golpes contra dois presidentes legítimos nos anos 1950 e 1960, provavelmente não aprovaria outro golpe mesmo contra adversários.

E, sem dúvida, não merece que sua história seja pisoteada de maneira tão vil e tão burra como está sendo por dois netos como Aécio e Andrea, um afastado do Senado depois de pego em gravações criminosas, e de baixíssimo calão, outra presa por cumplicidade depois de, hipocritamente, jurar inocência em nome da filha e da mãe.

Aécio e Andrea não honram a memória do avô.

Nem a teoria de Darwin.



STF condena médico que prescreveu abortivo para acelerar parto e causou paralisia cerebral em bebê

Imagem meramente ilustrativa. 

A informação é do próprio Supremo Tribunal Federal:

Mantida condenação de médico que prescreveu abortivo para acelerar parto e causou lesão em bebê

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento (julgou inviável) ao Recurso Ordinário em Habeas Corpus (RHC) 128682, interposto pelo médico Oscar de Andrade Miguel, condenado à pena de cinco anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, por lesão corporal gravíssima. Os fatos se referem à prescrição de medicamento abortivo a uma gestante, visando à aceleração do parto, que resultou em paralisia cerebral no bebê.

De acordo com os autos, o obstetra, com a finalidade de antecipar o parto em virtude de férias já agendadas, prescreveu medicamento com a substância abortiva misoprostol para uso domiciliar e sem controle médico. O medicamento deu causa a complicações no parto e exigiu a adoção de medidas de urgência como a sedação da parturiente e o uso de fórceps, o que resultou na falta de oxigenação do cérebro do bebê.

O profissional foi absolvido em primeira instância, mas o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), ao julgar recurso da acusação, condenou-o por lesão corporal gravíssima. A defesa então impetrou recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi negado. Em seguida, impetrou habeas corpus no próprio STJ, também sem sucesso.

No Supremo, a defesa questiona a decisão do STJ e a condenação de seu cliente, alegando, além de nulidades no acórdão condenatório, constrangimento ilegal na dosimetria, que teria considerado duplamente determinadas circunstâncias do crime para majorar a pena. Alega ainda que a pena-base foi exacerbada com a finalidade de evitar-se a decretação da prescrição.

Decisão

O relator do recurso, ministro Luiz Fux, lembrou que a pena do médico já está em fase de execução e já houve, inclusive, propositura de revisão criminal. “Não cabe a rediscussão da matéria perante esta Corte e nesta via processual, pois o habeas corpus não pode ser utilizado como sucedâneo de revisão criminal”, explicou. O ministro também não verificou, no caso, qualquer excepcionalidade que permita a concessão do habeas corpus, uma vez que ausentes teratologia (anormalidade), flagrante ilegalidade ou abuso de poder nas decisões atacadas.

Conforme destacou o relator, os critérios subjetivos considerados pelos tribunais anteriores para a exasperação da pena não podem ser analisados na via do habeas corpus, já que demandam minucioso exame fático-probatório. Fux verificou também que a dosimetria foi realizada com base em fatos e elementos existentes no caso, não havendo que se falar em nulidades na exasperação e ofensa ao princípio da individualização da pena. “A propósito, o Supremo fixou entendimento no sentido de que, sendo desfavoráveis as circunstâncias judiciais elencadas no artigo 59 do Código Penal, é possível a fixação da pena-base em patamar acima do mínimo legal”, concluiu.

SP/CR,AD

Processos relacionados
RHC 128682



sábado, 20 de maio de 2017

Será que Sheherazade vai amarrar filha de Silvio Santos no poste?


Rachel Sheherazade, a jornalista fascista da Paraíba que apresenta o telejornal noturno do SBT, e que se autointitula "evangélica", está com tudo e não está prosa nesta semana.

Já no dia 18 de maio, ela arranjou uma confusão no Twitter com um pessoal da esquerda, dizendo que Hitler havia fundado o PT da Alemanha, já que o nazismo - a seu ver - é uma ideologia de direita.




Essa é uma bobagem comumente dita por fãs de Bolsonaro e outros expoentes da direita, que não resistem a uma análise histórica simples e geralmente não são nem levados a sério por outros debatedores.

Afinal, é uma ideia tão tola que não compensa debater, e a gente indica alguns caminhos para que cada um faça a sua pesquisa.

Dois conselhos a respeito, apenas. Procure saber nos seus livros de História favoritos:

1) o sufoco que foi para o Hitler cumprir o prazo que ele dera a si próprio para o ataque à Polônia em 1º de setembro de 1939 (que deflagrou a Segunda Guerra Mundial). Joachim von Ribbentrop, seu ministro de Relações Exteriores levou uma carta dele próprio a Stalin (algo que Hitler abominou ter que fazer) implorando para que se finalizasse o pacto de não-agressão o quanto antes, o que foi feito em 23 de agosto de 1939 por von Ribbentrop e seu homólogo soviético Viatcheslav Molotov (sim, aquele do "coquetel"). Com isto, Stalin ganhou metade do território da Polônia e Hitler pôde concentrar todos seus esforços na frente Leste enquanto tinha garantido os inesgotáveis recursos naturais da União Soviética, com a qual ele tinha agora uma fronteira comum que invadiria em 22 de junho de 1941.


Stalin, entre von Ribbentrop e Molotov.
No fundo, ele não entendia direito o que Hitler queria, mas seus ganhos eram grandes demais para dizer não.


2) uma quase anedota: por que a suástica nazista está virada para a direita? A suástica é um símbolo ancestral, encontrado em culturas tão antigas e distintas como os astecas e os budistas do Tibete, geralmente no sentido anti-horário. Hitler desenhou a bandeira nazista (posteriormente alemã) girando a suástica para a direita porque não queria nenhuma referência à esquerda.


Buda com suástica girando à esquerda


Se alguém insistir muito, mas muito mesmo, a gente indica uma bibliografia, tá...

Feitos esses esclarecimentos singelos, já que não nos interessa aqui essa discussão inútil, hoje as redes sociais estão em polvorosa com a delação de Ricardo Saud, diretor da JBS-Friboi, dizendo que Patrícia Abravanel, filha de Sílvio Santos, esteve presente num jantar em que o magnata negociava uma propina para o sogro de Patrícia, Robinson Faria, hoje governador do Rio Grande do Norte pelo PSD.

Patrícia teria participado do jantar na casa de um dos donos da JBS, Joesley Batista, ao lado do seu atual marido, o deputado Fábio Faria (PSD-RN).

Aí, então, a internet foi à loucura com a ilustre empregada do SBT, Rachel Sheherazade, que trabalha para Sílvio Santos, pai de Patrícia e dono da rede de televisão, lembrando o triste episódio em que a nervosinha gospel ironizou um ladrão que havia sido preso a um poste e linchado.




Todos estavam querendo saber se Sheherazade, esse exemplo maravilhoso de "amor cristão", não ia querer prender Patrícia Abravanel num poste também.

Dois pesos e duas medidas?



Delator envolve Malafaia no escândalo JBS-Friboi


Aparentemente, a denúncia está relacionada ao indiciamento de Malafaia ocorrido em fevereiro de 2017.

Resta saber a extensão deste relacionamento, se é crime ou não. Aguardemos maiores informações.

A matéria é da Folha de Pernambuco:

Advogado da JBS liga procurador preso a presidente da OAB-DF e cita Malafaia

Em delação premiada, advogado confirmou que a empresa fazia pagamentos ao Procurador da República Ângelo Goulart Villela

Em depoimento que integra acordo de delação premiada, o advogado Francisco de Assis e Silva, do grupo JBS, confirmou que a empresa fazia pagamentos ao Procurador da República Ângelo Goulart Villela. Villela fazia parte da força-tarefa da Operação Greenfield, que investiga a JBS e subsidiárias em esquema de uso irregular de dinheiro de fundos de pensão. Ele foi preso na quinta-feira (18).

Segundo o advogado Silva, Villela teria sido apresentado a ele e a Joesley Batista, empresário dono do grupo J e F, por intermediação dos advogados Willer Tomaz e Juliano Costa Couto, presidente da OAB no Distrito Federal.

No vídeo do depoimento, ocorrido em 10 de maio de 2017, Silva diz que "o relacionamento do grupo com o advogado Willer Tomaz começa no finalzinho do ano passado, quando um amigo do Joesley, preocupado com as operações Greenfield e Sepsis, indica o advogado Juliano Costa Couto, que teria relacionamento próximo com a 10ª Vara Federal", afirma.

Segundo o advogado, para ilustrar sua intimidade com o magistrado responsável pelas operações, Willer lhe disse que o juiz teria aceitado se encontrar informalmente com o pastor Silas Malafaia, que desejava estreitar relações com o Judiciário após ter sido alvo de condução coercitiva.

Segundo Silva, o objetivo do grupo era "que o procurador conseguisse convencer o juiz para que ele visse um erro na representação do Ministério Público [Federal]". Para tanto, teriam sido acordados honorários de R$ 4 milhões, e mais R$ 4 milhões caso o arquivamento do inquérito fosse bem-sucedido.

O advogado relata ainda ameaças que teria sofrido após ele e o grupo JBS iniciarem, em segredo, as tratativas para uma delação premiada - a informação teria sido passada pelo procurador Villela. "Na sexta-feira, antes do Carnaval, Willer me liga e diz: 'Que sacanagem é essa de delação premiada?', eu desconversei, ele respondeu: 'O Ângelo me contou'".

Em outra reunião, prossegue o delator, Willer teria lhe dito: "Estou de olho em você e ainda vou entender o que você está fazendo". Silva afirma, então, que perguntou a Willer "sobre uma história de mensalinho de R$ 50 mil ao procurador". "Eu pergunto: 'tá certo que ele tem remuneração por isso?', e ele diz 'tá certo', e reclama que teve que dividir os honorários que pagamos a ele com o procurador e os juízes."



sexta-feira, 19 de maio de 2017

Quando a bancada evangélica disse que Deus havia escolhido Temer

Não deu certo, Feliciano! 

A bancada evangélica que assombra o Congresso Nacional com o que há de pior no meio evangélico, por ocasião da assunção da presidência da República por Michel Temer, não perdeu tempo e se reuniu com o traidor e golpista para - supostamente - "abençoá-lo", como se pode ver no vídeo abaixo.

No vídeo em questão, o deputado federal João Campos (PSDB-MG), cercado por figuras exóticas como Marco Feliciano e Silas Malafaia, além do que parece ser um sacerdote ortodoxo grego (?!), lê um trecho da Bíblia (versículos pinçados de 1ª Crônicas 28), para dizer que "Deus escolheu Michel Temer para governar o Brasil", justo ele que acabava de assumir interinamente o cargo de presidente do Brasil, no dia 12 de maio de 2016.

Não precisa ser nenhum gênio para perceber que, de profecia e Espírito Santo, esse povo está bem longe, senão não teriam se exposto a uma situação ridícula como esta, se vista um ano depois.

Eles não estão nem aí também com o mandamento que diz para "não tomar o nome de Deus em vão", já que o utilizam sem preocupação alguma com o significado e a extensão de suas palavras.

Depois se queixam que Deus não ouve suas orações...

Imagine então quem acredita piamente no Malafaia e segue cegamente a indicação dele a cada eleição:

Tem gente que acerta mais usando bola de cristal, Malafaia... 


Talvez o deputado gospel pudesse ter dado mais ênfase ao versículo 9 de 1ª Crônicas 28, que diz: "Se o buscares, ele deixará achar-se por ti; se o deixares, ele te rejeitará para sempre". 

E tem gente que ainda vota nesses caras ou nos canalhas que eles indicam (ou justificam).

Que reclamem com o bispo depois...




quinta-feira, 18 de maio de 2017

O dia em que a Terra parou



A noite do dia 18 de maio de 2017 entrará para a história do Brasil como o dia em que a Terra parou.

De repente, assim do nada, como se todos já não estivessem cansados de saber disso, fomos expostos - mais uma vez - à vergonha nacional da corrupção e da indecência.

Qual um certo apóstolo, percebemos que "não há um justo, nem um sequer" (Romanos 3:10).

Aos mais puristas que se julgavam "éticos" por terem votado neste ou naquele candidato, ou por terem derrubado este ou aquele governo, só lhes restou fingir que foram pegos de surpresa ao verem que ninguém se salva, queira a mídia global dizer quem vai para o céu ou para o inferno a seu bel prazer, ou não.

O escândalo da corrupção e da obstrução da Justiça no governo Michel Temer é algo que ainda está se desdobrando e assustando a todos pela sua extensão e profundidade.

O horror, ah, o horror...

Que triste destino o do Brasil, e de seu povo, só nos resta lamentar ouvindo Raul Seixas cantando "O Dia em que a Terra parou":


Malucos do meu Brasil varonil, não foi um sonho e ainda vai demorar muito para que possamos acordar desse pesadelo.

Preparemo-nos!



quarta-feira, 17 de maio de 2017

Cresce significativamente o número de pactos antenupciais no Brasil


No mês das noivas, saiba porque o número de pactos antenupciais cresceu 110% nos últimos 10 anos em todo o Brasil

O mês de maio é tradicionalmente conhecido como o mês das noivas.

Entre todos os preparativos para o casamento, um vem crescendo nos últimos anos: a formalização de pacto antenupcial. Segundo dados da Censec, banco de dados que reúne os atos lavrados nos cartórios brasileiros, o número aumentou 110% entre 2006 e 2016.

O pacto antenupcial é um contrato celebrado pelos noivos para estabelecer o regime de bens e as relações patrimoniais que serão aplicáveis ao casamento. O documento somente é necessário caso os noivos optem por um regime de bens diferente do regime legal, que é o regime da comunhão parcial de bens ou, em alguns casos especiais, o regime da separação obrigatória de bens. Ou seja, somente quem deseja casar pelo regime da separação de bens, comunhão universal de bens, participação final nos aquestos ou por um regime de bens misto precisa fazer um pacto antenupcial.

De acordo com o Colégio Notarial do Brasil - Seção São Paulo (CNB/SP), associação que congrega os cartórios paulistas, o número de pactos antenupciais aumentou expressivamente nos últimos anos porque os casais estão cada vez mais informados sobre os problemas que podem ser evitados na esfera patrimonial com a escolha adequada do regime de bens a vigorar no casamento. "O pacto antenupcial é um instrumento eficiente para evitar discussões no futuro e também serve para estabelecer as repercussões desejadas para as questões que envolvam herança", explica Andrey Guimarães Duarte, presidente do Colégio Notarial do Brasil - Seção São Paulo.

Porém, não é apenas para questões patrimoniais que o documento tem sido solicitado nos tabelionatos. Principalmente casais mais jovens vêm demonstrando interesse por cláusulas como prêmio por anos de casamento, multas em caso de traição e até mesmo definição de quem ficará com os animais de estimação se houver divórcio. "O limite para as cláusulas do pacto é a própria lei. Tudo o que não contrariar a lei é possível. O Código Civil estipula os deveres do casamento, que incluem, entre outros itens, fidelidade, respeito e vida em comum no domicílio conjugal" ressalta o presidente do CNB/SP.

O que é necessário para fazer o pacto antenupcial?

O pacto antenupcial deve ser feito necessariamente por escritura pública, no cartório de notas. Antes do casamento, os noivos devem comparecer ao tabelionato com os documentos pessoais (RG e CPF originais), para formalizar o documento, caso desejem casar pelo regime da separação de bens, comunhão universal de bens, participação final nos aquestos ou regime de bens misto.

Posteriormente, os noivos devem levar o documento ao cartório de registro civil onde será realizado o casamento. Após o casamento, o pacto deve ser registrado no Cartório de Registro de Imóveis do primeiro domicílio do casal, para produzir efeitos perante terceiros, e também será averbado na matrícula dos bens imóveis do casal.

Preço

O valor da escritura de pacto antenupcial, que é tabelado por lei em todos os cartórios do estado de São Paulo, é de R$ 401,17.

10 motivos para fazer pacto antenupcial em cartório

1. Agilidade: o casal deve comparecer ao cartório de notas com os seus documentos pessoais e o pacto poderá ser feito com rapidez e sem burocracia;
2. Liberdade: o casal pode escolher livremente que tipo de regime de bens deseja para sua relação, podendo mesclar ou combinar as regras dos regimes existentes;
3. Segurança: a questão da propriedade e da administração dos bens fica resolvida antes do casamento, evitando brigas e problemas futuros sobre a relação patrimonial;
4. Tranquilidade: os interessados podem estabelecer regras não patrimoniais como divisão de tarefas domésticas, direito de visita aos animais de estimação em caso de eventual divórcio etc;
5. Organização: possibilidade de estipular quem irá administrar cada bem, assim como dispor acerca de eventuais dívidas;
6. Justiça: o casal pode especificar quais bens cada um tinha antes de casar, evitando confusão patrimonial;
7. Economia: custo baixo, preço tabelado por lei, independentemente do valor do patrimônio do casal;
8. Adequação: o regime de bens pode ser alterado conforme a vontade do casal, desde que haja autorização judicial;
9. Fé pública: o documento elaborado pelo tabelião de notas garante segurança jurídica, autenticidade e eficácia;
10. Confiança: o casal terá a assessoria imparcial com relação ao regime de bens que melhor se ajusta às suas necessidades: comunhão parcial, comunhão universal, separação de bens ou participação final nos aquestos.
Fonte: Mundo do Marketing



terça-feira, 16 de maio de 2017

Universidade Presbiteriana Mackenzie abre centro criacionista


A informação é da revista Exame da Abril:

Mackenzie abre núcleo de estudos que contesta teoria da evolução

O Núcleo Discovery-Mackenzie tem como objetivo promover os estudos de fé, ciência e sociedade

Marina Demartini

São Paulo – A Universidade Presbiteriana Mackenzie abriu um novo espaço para que professores e alunos discutam a origem da vida e questionem uma das principais teorias da biologia: o evolucionismo. O chamado Núcleo Discovery-Mackenzie é uma parceria entre a instituição brasileira e o Discovery Institute, um instituto americano que promove o estudo da Teoria do Design Inteligente (TDI).

Para os estudiosos do TDI, certas características do universo e dos seres vivos são tão complexas que só podem ser explicadas por uma causa inteligente. Assim, células e moléculas precisaram passar pela intervenção de algum tipo de inteligência para existir “e não por um processo não direcionado, como a seleção natural”, como aponta o site oficial do Discovery Institute.

A seleção natural é um dos mecanismos básicos da teoria da evolução proposta por Charles Darwin em seu livro A Origem das Espécies, de 1859. Segundo ela, indivíduos melhores adaptados à determinada condição ecológica têm mais chance de sobreviver e deixar descendentes.

Até hoje, a teoria da evolução é uma das mais aceitas entre os membros da comunidade científica para explicar a origem da vida e a evolução humana. Além disso, ela é amplamente ensinada em escolas de diversas partes do mundo.

O Discovery Institute, aliás, já tentou colocar o TDI dentro da grade de escolas públicas dos EUA. Um dos casos mais conhecidos é o de Kitzmiller contra o Distrito Escolar da área de Dover, na Pensilvânia, em 2005. Na época, o distrito mudou seu currículo de ensino da matéria de biologia para exigir que o TDI fosse apresentado como alternativa ao evolucionismo.

Onze pais de alunos da região processaram o distrito sob a alegação de que o design inteligente não passava de um tipo de criacionismo (crença religiosa de que os seres vivos foram criados por um ser superior).

O juiz John E. Jones III chegou ao veredito de que o ensino do design inteligente viola a Cláusula de Estabelecimento da Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Segundo ele, o TDI não é ciência e “não pode desacoplar-se do seu criacionista, portanto religioso, antecedente”.

O teólogo e pastor presbiteriano Davi Charles Gomes, chanceler da universidade, ressalta em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que o Núcleo Discovery-Mackenzie não é um espaço de TDI, mas de estudos de fé, ciência e sociedade. “Nossa instituição é confessional, o que significa que ela tem uma visão segundo a qual o mundo tem um significado transcendente. E não existe ciência que, no fundo, não reflita também sobre coisas transcendentes.”

Quem faz afirmação parecida é Marcos Eberlin, presidente executivo da Sociedade Brasileira do Design Inteligente e futuro coordenador do núcleo da Mackenzie. “Tem gente que acha que o design vem dos ETs, outros falam de um Grande Arquiteto do Universo, como os maçons, ou um espírito evoluído, como os espíritas”, disse em entrevista à Folha.

Já Maria Cátira Bortolini, geneticista da UFRGS, disse ao jornal que a teoria descarta evidências, fatos e provas científicas. “O que importa é a narrativa, construída de forma que se coadune com a ideologia ou a crença do sujeito.”



segunda-feira, 15 de maio de 2017

Enfim uma ferramenta para comparar o tamanho real dos países

Projeção de Mercator: uma ideologia geográfica em desuso?

Manja o mapa-múndi?

Aquela projeção antiga, conhecida como Mercator, em que a parte norte parece muito maior do que o restante do planeta.

Por isso você repara que a Groenlândia é tão grande, mas tão grande que chega a sair voando pela parte de cima do mapa.

Rússia e Canadá, então, são gigantescos, mal cabem na representação geográfica. O próprio Alaska parece quase do mesmo tamanho do conjunto dos 48 Estados Unidos que formam a parte continental do país.

Hoje todo mundo sabe que não existe a possibilidade de fazer uma projeção fidedigna do mapa-múndi por uma questão muito simples: o planeta é redondo, e ao "transplantar" sua representação geográfica de 3D para 2D (do cilindro para o papel, por exemplo) é inevitável que informações importantes sejam perdidas.

O mapa-múndi, tal como o conhecemos, é criação do cartógrafo flamenco (de Flandres, hoje Bélgica) Gerhard Kramer, cujo nome foi transliterado para o latim como Gerardo Mercator, em 1569.

Por esta data, fica difícil acreditar que Mercator, já naquela época, tivesse a preocupação ideológica de criar um papa que privilegiasse os países colonizadores do Hemisfério Norte sobre os países colonizados do Hemisfério Sul, até porque as Américas eram ainda um vasto território essencialmente indígena e tampouco se havia descoberto a Austrália (cujo primeiro avistamento europeu teria se dado em 1606).

De qualquer forma, a projeção de Mercator se impôs pelo uso e pela praticidade, sobretudo na época das navegações com observação das estrelas, sextantes, mapas simples e compassos.

Para uma melhor compreensão do que dissemos acima, dê uma olhada no vídeo abaixo, intitulado "Por que todos os mapas-múndi estão errados", narrado em inglês, mas existe o recurso de legendas em português brasileiro:


Captou a mensagem?

Então...

Já que o problema é incontornável na prática, a internet agora provê uma ferramenta que vai nos ajudar a comparar o tamanho real dos países.

Trata-se do portal "The True Size" ("O Tamanho Verdadeiro"), que você pode acessar clicando aqui.

Inicialmente, você deleta os países que já estão assinalados lá clicando no botão direito do seu mouse.

Depois, você digita o nome do país que você quer comparar no campo "The True Size of..." e "arraste-o" para lá e para cá fazendo as comparações aleatórias que a sua imaginação sugerir.

Veja, por exemplo, a comparação dos tamanhos reais do Brasil e do Canadá:




E do Brasil com a Rússia:





Chega a ser divertido. E a gente aprende, o que é melhor.



domingo, 14 de maio de 2017

Atualizando as definições de maternidade


Artigo de Bianca Spessirits para o HuffPost Brasil, com o qual homenageamos todas as nossas amadas mamães. Vocês são sensacionais!

As definições de maternidade foram atualizadas

Há quem conceba a maternidade como sinônimo de privação.

Mãe não dorme.

Não toma banho sossegada.

Não come comida quentinha.

Não tem vida social.

Não usa lingerie.

Não namora.

Não pode adoecer.

Não trabalha fora.

Em determinados períodos, é assim mesmo.

A natureza nos proporciona um intensivão de maternidade quando temos um recém-nascido em casa, por exemplo.

De fato, a gente mal dorme; toma banho na hora que dá; escova os dentes perto de meio dia; lembra de beber água para o leite não secar; segura o xixi; come pra não desmaiar.

Enquanto a gente aprende a ser mãe e o bebê aprende a ser filho, é assim mesmo. A jornada de ambos é de 24h por dia, em regime de dedicação exclusiva.

Mas não é só isso.

O bebê cresce. Ele aprende a dormir sozinho, a falar, a andar e, um dia, que demora muito menos do que a gente imagina, ele entente que ele e mamãe não são a mesma pessoa. O ex-bebê vira criança e rompe o cordão umbilical imaginário. A gente não rompe, até porque o tal cordão, a nosso ver, vai e volta. Volta quando o filho adoece, na adaptação escolar, em saltos do desenvolvimento... Volta quando chega a hora de escolher a profissão, o vestido de noiva (ou o costume), a cor do esmalte (ou que cerveja tomar). Volta loucamente quando bate aquela saudade imensa da criança que cresceu e se tornou um igual.

Posso chamar o cordão umbilical imaginário de algo mais concreto, palpável?

Chamo de colo. Esse aí consubstancia direito fundamental de terceira geração. Não importa a idade: quando o bicho pega, o cidadão quer o colo da mãe dele.

Uma vez assegurado o colo ao indivíduo, entendo que a mãe/mulher é livre. Pode dormir, comer, trabalhar, ler... EXISTIR!

Sendo mais explícita: atenda seu filho em tudo que for essencial, estruturante, e se atenda nas mesmas circunstâncias. Seja a melhor mãe do mundo, mas seja você. Seja a mulher pela qual seu marido se apaixonou, a filha que sua mãe criou, a profissional preparada que você sonhou.

Seja o melhor modelo de si.

Se fores mãe de menina, então...

Deixe claro pra sua filha que ela pode ser o que ela quiser, assim como você.



sábado, 13 de maio de 2017

Adeus a Antonio Candido, o intelectual que melhor entendeu os caipiras


O Brasil perdeu ontem Antonio Candido, um de seus poucos e valorosos "gênios da raça".

"Perdeu" não é o verbo correto, pois o que ganhamos com sua profícua vida de 98 anos de idade é algo absolutamente imensurável.

"Perdemos" a sua existência corporal, a sua presença entre nós como farol intelectual digno do que esta palavra "intelectual", ultimamente tão banalizada, significa em toda sua abrangência, profundidade e extensão.

Sociólogo, crítico literário e - mais precisamente - um "pensador" do Brasil, do tipo que - lamentavelmente - talvez tenha sido o derradeiro, foi professor da USP e da UNICAMP, agraciado com honrarias as mais variadas ao redor do mundo, sobretudo na América Latina.

Para nós, paulistas do interior, "caipiras" segundo a definição que muito nos honra, deixou de legado sua magnífica obra "Parceiros do Rio Bonito", onde faz um detalhado estudo de como surgiu e se desenvolveu essa subcultura brasileira tão marcante e marcada como o "r" retroflexo que insistimos - orgulhosamente - em falarrrrrr.

Abaixo, transcrevemos alguns trechos de Parceiros do Rio Bonito. Estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. Livraria Duas Cidades e Editora 34, 2001.

Divirta-se desvendando nossos segredos, sabendo de onde viemos e conhecendo-nos melhor:




      “De qualquer modo, há para cada cultura, em cada momento, certos mínimos abaixo dos quais não se pode falar em equilíbrio. Mínimos vitais de alimentação e abrigo, mínimos sociais de organização para obtê-los e garantir a regularidade das relações humanas. Formulado nestes termos, o equilíbrio social depende duma equação entre o mínimo social e o mínimo vital.” (p. 32)

     “Sobretudo quando encaramos a obtenção dos meios de vida, observamos que algumas culturas não conseguem passar de um equilíbrio mínimo, mantido graças à exploração de recursos naturais por meio das técnicas mais rudimentares, a que correspondem formas igualmente rudimentares de organização. O critério para avalia-las, nestes casos, é quase biológico, permitindo reconhecer dietas incompatíveis com as necessidades orgânicas, correlacionadas geralmente a técnica pobre, estrutura social pouco diferenciada além da família, representações míticas e religiosas insuficientemente formuladas. É o que se observa em povos ‘marginais’ da Patagônia e sobretudo Terra do Fogo, em nômades como os sirionós, ou os nambiquaras.” (p. 34)

[...]

     “O ponto de partida para compreender essa situação deve ser buscado na própria natureza do povoamento paulista, desde logo condicionado pela atividade nômade e predatória das bandeiras. Do ponto de vista deste estudo, o bandeirismo pode ser compreendido, de um lado, como vasto processo de invasão ecológica; de outro, como determinado tipo de sociabilidade, com suas formas próprias de ocupação do solo e determinação de relações intergrupais e intragrupais. A linha geral do processo foi determinada pelos tipos de ajustamento do grupo ao meio, com a fusão entre a herança portuguesa e a do primitivo habitante da terra; e só a análise desse processo pode dar elementos para compreender e definir a economia seminômade, que tanto marcou a dieta e o caráter do paulista.” (p. 46)

[...]

   “Mas como se dispunha e vivia no campo o grosso da população? Qual a relação efetiva entre a população do núcleo e a do território, frequentemente vasto, de que era o centro?

    Leiamos um documento eloquente e pitoresco: a informação enviada em 1797 pela Câmara da vila de Atibaia ao ouvidor-geral da comarca de São Paulo, como elemento requerido por este, a fim de opinar sobre o pedido de elevação a vila da freguesia de Jaguari, atual Bragança Paulista:
       Tem a capital de Jaguary vinte e cinco fogos existentes, a saber: o Rdo. Coadjtor, o Alferes Aleixo Correia da Cunha, Manoel Rodrigues Freyre que ambos sam Dizimeyros, o alferes José Paes da Silva oficial de sapateyro e selleiro, cujos officios se desligará por falta de vista, e que vive hoje de lavouras, Capitam José Pedroso Pinto oficial de selleiro, e dizem que também tem loja de fazenda seca, o Alferes Joam de Almeyda, velho e mutio doente, por cuja cauza largou o Sitio, e veyo para aquele ARayal, Francisco Pinto oficial de Ferreyro, Joachim Gomes de Moraes Taverneyro, hum carapina que de fora foy para fazer a obra da Igreja. Vicente Gomes Sapateyro, Ignacio bastardo, sapateyro em cujo fogo mora também o Vintenário Francisco Luis Penna, José Teixeyra das Neves mestre de taypas, Roza Domingues mulher branca solteira e pobríssima, Maria de Nazaareth cazada que vive separada de seu marido, Miguel dias Cortes homem branco, cazado e pobríssimo, Anna Maria de Toledo, viúva e pobre, Genoveba de tal branca e pobre, Anna de tal aleijada, Quiteria escrava com taberna, Joam Leme bastardo sego, Maximiano Nunes e Joachim Nunes, ambos pobres.
      Tem o destricto de Jaguary quatro mil, e quatrocentos e tantas Almas: destas as pessoas que tem possibilidade, e cabedais sam o Capitam Jacyntho Rodrigues Bueno, o Alferes Aleixo Correa da Cunha e Manoel Rodrigues Pereira, os quaes conforme o estado daquela freguesia, nella se tem por ricos, e abaxo destes Lourenço rodrigues, o Capitam Antonio Leme, José Xavier e Francisco de Lima que tem seu modo de viver; e fora destes sam raras as cazas onde se nelas se procurar a quantia de 12$800 se achem. Este Povo é grosseiro, sem cultura nem civilidade, sam raros os que sabem ler, e escrever etc.”
(Documentos interessantes etc., vol. XV, 1904, pp. 105-6. Apesar destas ponderações dos camaristas de Atibaia, Jaguari foi elevada a vila em seguida)
     Cobradores do dízimo e da vintena, oficiais de ofício, comerciantes, o padre, indigentes e pessoas sem qualificação ocupavam as 25 casas do povoado; mas pelo território da freguesia espalhavam-se mais de 4.400 pessoas; quase mil famílias, talvez. Qual a sua unidade de agrupamento? A freguesia, no conjunto, centralizada pelo que se costumava chamar a sua ‘capital’? Não, certamente; mas sim aquelas unidades fundamentais referidas acima: os grupos rurais de vizinhança, que na área paulista se chamaram sempre bairro.

     Esta é a estrutura fundamental da sociabilidade caipira, consistindo no agrupamento de algumas ou muitas famílias, mais ou menos vinculadas pelo sentimento de localidade, pela convivência, pelas práticas de auxílio mútuo e pelas atividades lúdico-religiosas. As habitações podem estar próximas umas das outras, sugerindo por vezes um esboço de povoado ralo; e podem estar de tal modo afastadas que o observador muitas vezes não discerne, nas casas isoladas que topa a certos intervalos, a unidade que as congrega.” (pp. 79-81)

[...]

    “Em verdade, esse mecanismo de sobrevivência, pelo apego às formas mínimas de ajustamento, provocou certa anquilosidade de sua cultura. Como já se tinha visto no seu antepassado índio, verificou-se nele certa incapacidade de adaptação rápida às formas mais produtivas e exaustivas de trabalho, no latifúndio da cana e do café. Esse caçador subnutrido, senhor do seu destino graças à independência precária da miséria, refugou o enquadramento do salário e do patrão, como eles lhe foram apresentados, em moldes traçados para o trabalho servil. O escravo e o colono europeu foram chamados, sucessivamente, a desempenhar o papel que ele não pôde, não soube ou não quis encarnar. E, quando não se fez citadino, foi progressivamente marginalizado, sem renunciar aos fundamentos da sua vida econômica e social. Expulso da sua posse, nunca legalizada; despojado da sua propriedade, cujos títulos não existiam, por grileiros e capangas – persistia como agregado, ou buscava sertão novo, onde tudo recomeçaria. Apenas recentemente se tornou apreciável a sua incorporação à vida das cidades, sobretudo como operário.” (p. 107)

     “Mas ao lado destes elementos de fixação, uma característica importante da antiga vida caipira era a presença de terras disponíveis, que desempenhavam papel duplo e de certo modo contraditório. De um lado constituíam fator de reequilíbrio, na medida em que permitiam reajustar, sempre que necessário, situações tornadas difíceis economicamente pela subdivisão da propriedade, devida à herança, ou pela impossibilidade de provar os direitos sobre a terra. Estes fatores, aliás, eram mais poderosos como estímulo à mobilidade do caipira do que a instabilidade pura e simples, que se tem querido explicar, inclusive como decorrência da mestiçagem com o índio; mas cujas principais determinantes são sociais, sobrelevando o caráter precário dos títulos de propriedade. A posse, ou ocupação de fato da terra, pesou na definição da sua vida social e cultural, compelindo-o, freqüentemente, ao status de agregado, ou empurrando-o para as áreas despovoadas do sertão, onde o esperava o risco da destruição física ou da anomia social. A respeito desta, invoca-se quase sempre como causa a preguiça, que seria um traço fundamental do caipira e responsável pelo baixo nível da sua vida.” (p. 109)


"O caipira picando fumo", quadro de Almeida Junior (1893)

"O Violeiro", quadro de Almeida Junior, 1899




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