terça-feira, 15 de agosto de 2017

Rio de Janeiro faz "esfihaço" para abraçar imigrante sírio que foi vítima de xenofobia

O imigrante sírio feliz da vida na foto de Matheus Pereira, do G1

Meus amigos "evangélicos góspeis", é essa a atitude cristã em relação aos fracos e desfavorecidos, não essa xenofobia e esse ódio aos pobres e ao diferente que vocês demonstram ao apoiar um certo candidato cujo nome não deve nem merece ser pronunciado, mas dificilmente vocês entenderão.

Cristãos acolhem, amam e pregam o evangelho puro de Jesus Cristo, e se tiverem que morrer para tanto, serão martirizados como "ovelhas destinadas ao matadouro" (Romanos 8:36), sem mais.

Como Tertuliano já dizia, "o sangue dos mártires é a semente da igreja", mas quem era Tertuliano (±160-220 d.C.) perto dos nobilíssimos, santíssimos e poderosíssimos líderes evangélicos brasileiros atuais, não é mesmo?

Não são "apóstolos do ódio", como alguns famosos "pregadores" hoje se propõem, simples assim...

Talvez somente quando alguns dedos misteriosos escrevam "mene mene tequel parsim" nas paredes dos seus lautos banquetes de autolouvaçao desenfreada (Daniel 5), meus caros religiosos fascistas, vocês perceberão que o seu tão propalado "reino" político-ideológico padece de autofagia.

Aí será tarde demais...

A matéria é do G1:

Cariocas fazem fila em 'esfihaço' para apoiar refugiado sírio agredido em Copacabana

Após divulgação de vídeo em que é hostilizado por outros ambulantes, Mohamed Ali recebe apoio dos brasileiros. Perto dali, no Arpoador, grupo protestou contra muçulmanos.

Matheus Rodrigues


Uma longa fila se formou neste sábado (12) nas ruas de Copacabana em torno de um carrinho de salgados árabes. Ninguém duvida do sabor das esfihas e quibes, mas o motivo para tanta gente em torno do vendedor é outro: dar apoio ao refugiado sírio Mohamed Ali, que dias atrás foi vítima de hostilizado por outros ambulantes, na esquina da Rua Santa Clara com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

Entre uma foto e outra entrevista, Mohamed não sabia definir o que estava sentindo. Muitos cariocas foram à mesma esquina para prestar solidariedade.

Os insultos foram registrados por quem passava e a imagem, rapidamente, se espalhou pelas redes sociais (veja nas reportagens acima). Mohamed Ali foi agredido verbalmente depois de ter o carrinho empurrado pelos agressores. Algumas mercadorias caíram no chão.

O ambulante que aparece no vídeo com dois pedaços de madeira na mão fala para Mohamed voltar para o país dele, sair do Brasil, e o ofende.

"Sai do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bomba miseráveis que mataram crianças, adolescentes. São miseráveis. Vamos expulsar ele!", disse.

Mohamed não postou o vídeo e não foi à polícia. "Eu não quero problemas, só quero trabalhar. Eu não quero problema para ninguém", disse Mohamed Ali.

Solidariedade


O evento teve fila de quem estava disposto a ajudar...
Um empresário promoveu o “esfihaço” deste sábado e iniciou uma "vaquinha on line" para conseguir um food truck para o amigo. Guilherme Benedictis resolveu promover o evento “Comer esfiha na barraca do Mohamed” em uma rede social. Até este sábado, o evento tinha confirmação de 11 mil pessoas e despertou o interesse de outras 33 mil.

Mohamed tem 33 anos, é filho de pai sírio e mãe egípcia, nasceu na Síria e foi criado no Egito, de onde saiu há três anos. Diz que no Brasil as pessoas respeitam a religião do outro, e ele pode viver "em paz". Mesmo após a agressão, ele defende o país. "Eu amo o Brasil".

O sírio é casado com uma brasileira e tem um filho. Fugiu da guerra no Oriente Médio e não quer mais conflitos por aqui. "Eu fui para a guerra lá, cheguei aqui e não quero guerra aqui."

Na quinta-feira (10), Mohamed recebeu das mãos do prefeito Marcelo Crivella uma licença para trabalhar em Copacabana.

Protesto contra muçulmanos


Mas o ódio "religioso" nunca pode ser ignorado, há sempre gente disposta ao pior que o ser humano pode oferecer...


Enquanto o sírio era homenageado após sofrer ataques de xenofobia e intolerância religiosa, um grupo de cerca de 20 pessoas fez um protesto com ataques contra muçulmanos a poucos quilômetros dali, no Arpoador. Vestidos de preto e com cartazes com palavras como "muçulmanos: assassinos, sequestradores, estupradores", eles caminhavam em silêncio.

A educadora Débora Garcia estranhou a movimentação e, ao ler os cartazes, resolveu fotografar.

"Minha primeira reação foi não entender o que estava acontecendo. Até porque as mensagens pareciam misturar alhos com bugalhos. Pareceu um movimento 'cristão' radical contra muçulmanos, [grifamos] fazendo algum tipo de analogia louca com assassinatos, sequestros e estupros. Como se pra cometer esses crimes tivesse que ter alguma relação com algum credo em especial", disse, em entrevista ao G1.

"Estranhei a quantidade de cartazes e o uniforme preto. Primeiro, achei que era em defesa de migrantes, estrangeiros. Depois, que vi que eram totalmente contra praticamente um pedido para que saiam daqui", contou.



segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Charlottesvile mostra o perigo de ser complacente com fascistas em geral

Na próxima vez em que o seu amiguinho burro disser que nazismo é uma ideologia de esquerda, mostre-lhe a matéria abaixo em que eles se assumem "de direita" e, de preferência, desenhe o que isso significa porque eles têm uma dificuldade enorme em compreender as obviedades.

Na próxima vez em que a sua amiguinha burra disser que é fãzóca do projeto "escola sem partido", mostre-lhe a matéria abaixo e lhe pergunte quem é que vai ensinar às crianças que nazismo e fascismo são atitudes e posições ideológicas imbecis, para dizer o mínimo. Talvez seja necessário desenhar também...

Na próxima vez em que os seus amiguinhos "evangélicos" disserem que vão votar para presidente do Brasil num candidato fascista cujo nome não deve nem ser pronunciado, mostre-lhes a matéria abaixo, e lhes diga que os "evangélicos" americanos apoiaram Donald Trump, mesmo sabendo que ele está relacionado com esta gente que defende a "supremacia dos brancos", tanto que não os criticou veementemente pelo acontecido, o que está gerando enorme reação inclusive por parte dos republicanos que o apoiavam.

Quem sabe ainda haja lugar para arrependimento e salvação no que restou da alma deles, se é que restou alguma coisa.

Não se assuste, entretanto, se nada disso funcionar, porque raciocínio e bom senso costumam faltar a esses acéfalos, mas faça a sua parte, denuncie e tente salvar o máximo de pessoas dessa desgraça chamada nazismo.

Lembre-se sempre que aqueles que não aprendem com os erros que a História lhes ensina, estão condenados a repeti-los.

A matéria é do G1:

"Sou nazista, sim": O protesto da extrema-direita dos EUA contra negros, imigrantes, gays e judeus

Autoproclamados fascistas, supremacistas, nacionalistas e alt-right marcham à luz de tochas e promovem eventos em cidade do sul americano.

Centenas de homens e mulheres carregando tochas, fazendo saudações nazistas e gritando palavras de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus.

Foi a cena - surreal, para muitos observadores - que desfilou aos olhos da pacata cidade universitária de Charlottesville, no Estado americano de Virgínia.

O protesto, na noite da sexta-feira, foi descrito pelos participantes como um aquecimento para o evento "Unir a Direita", que acontece na tarde deste sábado na cidade e promete reunir mais de mil pessoas, incluindo os principais líderes de grupos associados à extrema direita no país.

A cidade, de pouco mais de 50 mil habitantes e a apenas duas horas de Washington, foi escolhida como palco dos protestos após anunciar que pretende retirar uma estátua do general confederado Robert E. Lee de um parque municipal.

Durante a Guerra Civil do país (1861-1865), os chamados Estados Confederados, do sul americano, buscaram independência para impedir a abolição da escravatura. Atualmente, várias cidades americanas vêm retirando homenagens a militares confederados - o que tem gerado alívio, de um lado, e fúria, de outro.

Os participantes do protesto desta sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam palavras de ordem como: "Vocês não vão nos substituir", em referência a imigrantes; "Vidas Brancas Importam", em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e "Morte aos Antifas", abreviação de "antifascistas", como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.

Estudantes negros do campus da universidade da Virginia, onde ocorreu a marcha, e jovens que se apresentavam como antifascistas tentaram fazer uma "parede-humana" para impedir a chegada dos manifestantes à parada final do marcha, uma estátua do terceiro presidente americano, Thomas Jefferson.

"Fogo! Fogo! Fogo!", gritavam os manifestantes, enquanto se aproximavam do grupo de estudantes.

Em número bem menor, o grupo que fazia oposicão à marcha foi expulso da estátua em poucos minutos. A reportagem flagrou homens lançando tochas sobre os estudantes, enquanto estes, por sua vez, dispararam spray de pimenta nos olhos dos oponentes.

A polícia, que acompanhou todo o protesto de longe, interviu e separou os dois grupos, enquanto ambulâncias se deslocavam ao local para socorrer feridos pelo confronto.

"Esta manifestação é ilegal", afirmou um dos oficiais aos manifestantes, que se afastaram. A polícia não confirmou se houve presos.

Nazis

"Sim, eu sou nazista, eu sou nazista, sim", afirmou um homem, em frente à reportagem, durante uma discussão com um dos membros do grupo opositor.

Ao contrário das especulações anteriores, a marcha incluiu muitas mulheres, que também seguravam tochas.

A BBC Brasil conversou com um pai e uma mãe que levaram a filha de 14 anos ao protesto. "Eu aprendi com meu pai que precisamos defender a raça branca e hoje estou passando este ensinamento para a minha filha", afirmou o pai.

"Se não fizermos algo, seremos expulsos do nosso próprio país", disse a mãe. A conversa foi interrompida por um homem forte e careca. "Vocês estão falando com um estrangeiro. Olha o sotaque dele!", afirmou, rindo, em referência ao repórter.

A família se afastou e se juntou ao coro, que cantava "Judeus não vão nos substituir". Os três seguravam tochas.

Outro homem afirmou que estava ali porque "têm o direito de se expressar".

"Gays, negros, imigrantes imundos, todos eles se manifestam e recebem apoio por isso. Porque quando homens brancos decidem gritar por seus direitos e sua sobrevivência vocês fazem esse escândalo?", questionou o homem a um grupo de jornalistas.

Perto dali, sozinho, um rapaz jovem extendia a mão e fazia uma saudação nazista, enquanto era fotografado por fotojornalistas e gritava "Vocês não vão nos substituir".

As tochas são uma marca da Ku Klux Klan, grupo fundado pouco depois da guerra por ex-soldados confederados - derrotados no conflito. Originalmente concebida como um clube recreativo, a KKK rapidamente começou a promover a violência contra populações negras do sul dos EUA.

Por muitas décadas, grupos supremacistas brancos promoveram linchamentos, enforcamentos e assassinatos de negros.

Não houve referências ao presidente americano Donald Trump durante todo o ato. Mas as críticas à imprensa eram constantes e faziam coro com o slogan de Trump: "Não temos medo de 'fake news', seus mentirosos".

Chorando muito, uma estudante era amparada por amigos. "É pior do que a gente pensava. É muito pior. Isso vai virar um inferno."

"A negra está assustada!", gritou uma mulher, rindo junto a um grupo de homens portando tochas.

Alt-right

O prefeito de Charlottesville divulgou uma nota após a marcha, classificando o ato como "uma parada covarde de ódio, fanatismo, racismo e intolerância".

"A Constituição permite que todo mundo tenha o direito de expressar sua opinião de forma pacífica, então aqui está a minha: não só como prefeito de Charlottesville, mas como membro e ex-aluno da universidade de Virginia, fico mais do que incomodado com essa demonstração não-autorizada e desprezível de intimidação visual em um campus universitário".

Para o protesto deste sábado, são esperadas figuras como Richard Spencer, criador do termo alt-right, uma abreviação de "alternative right", ou "direita alternativa", em português. O grupo é acusado de racismo e antissemitismo e têm representantes no governo de Donald Trump.

Esta é a segunda vez que a cidade se torna sede de protestos de grupos supremacistas. Em 8 de julho, aproximadamente 40 membros da sede local da Ku Klux Klan também acenderam tochas em Charlottesville.

Presidente de um organização que define como "dedicada à herança, identidade e ao futuro de pessoas de ascendência europeia nos EUA", Spencer ganhou visibilidade internacional por fazer a saudação "Hail Trump, hail nosso povo, hail vitória", logo após a eleição do republicano.

Formado em filosofia política na Universidade de Chicago, Spencer já declarou que o ativista negro Martin Luther King Jr. era uma "fraude" e um símbolo da "desconstrução da Civilização Ocidental".

Também disse que imigrantes latinos nos EUA estavam "se assimilando ao longo das gerações rumo à cultura e ao comportamento dos afro-americanos" e lamentou que o país estivesse se tornando diferente da "América Branca que veio antes".



domingo, 13 de agosto de 2017

sábado, 12 de agosto de 2017

A religiosidade brasileira e sua "fé de conveniência"

Interessante análise do jornalista britânico Tim Vickery, correspondente da BBC no Brasil (e talvez o mais brasileiro dos ingleses), sobre a religiosidade nacional (de lá e - principalmente - de cá), não por acaso publicada na BBC Brasil, como era de se imaginar:

Tim Vickery: A religiosidade brasileira muitas vezes é fé de conveniência

Estou sozinho agora na casa da minha mãe, nos arredores de Londres, porque ela foi à igreja - ela faz parte de uma minoria da sociedade britânica, de talvez 5%, que ainda tem o hábito de ir ao culto.

E essa fatia minúscula não é de fanáticos. Uma vez, numa visita anterior, eu (que não tenho nenhum sentimento religioso) comentei que não consigo ver a ligação entre a morte de Jesus Cristo e nossos pecados.

"Estranho", respondeu a minha mãe. "O meu pastor falou exatamente a mesma coisa na semana passada."

Trata-se de uma doutrina fundamental de qualquer religião cristã, mas até um empregado da Igreja Anglicana não acredita nele. A igreja dele tem pouco a ver com religião, mais a ver com uma missão vaga de ser "um bom sujeito".

Tudo isso, claro, nada mais é do que uma consequência do recuo da fé cega a partir do Iluminismo, no século 16, e a descoberta de que a Terra gira ao redor do Sol. Por que acreditar naqueles que afirmavam o contrário?

Uma pesquisa recente aponta que somente 28% da população britânica acredita em Deus ou em qualquer poder espiritual, ante 38% totalmente sem tal fé. Me lembra bem a minha época na escola, quando uma sessão de zombaria da professora sempre começava com a pergunta "Senhora, você acredita em Deus?"

Como a situação é diferente nas Américas! Nos Estados Unidos, por volta de 60% da população vai para a igreja. E, no Brasil, não acreditar em Deus é inconcebível para muitos.

As minhas enteadas ficavam tão fascinadas com o assunto que cada vez que alguém me visitava da Inglaterra isso sempre era a primeira pergunta que tinha que traduzir.

Uma vez a resposta a respeito de religiosidade foi "Não, não tenho nenhuma tolerância para superstições medievais", frase que foi um desafio e tanto para suas mentes então pré-adolescentes.

Mas - e estou ciente de estar entrando em uma generalização vasta e vulgar - se a crença na existência de Deus é quase total no Brasil, a fé, em muitos casos, parece bastante rasa.

Quando vejo políticos corruptos dando benção para dinheiro ilegal, ou jogadores de futebol louvando depois de cavar um pênalti, fico com a sensação de que a religiosidade brasileira, com frequência, trata-se de uma fé de conveniência.

É menos um código que determina como viver a vida e mais um recurso que se pega ou se larga conforme as circunstâncias.

Pode ser que seja uma extensão da tara brasileira por parentesco fictício. A figura do pai ausente é muito importante numa terra de padrinhos, onde o personagem político de mais destaque na formação do país, Getúlio Vargas, cultivava um tipo de fascismo benigno do tio universal.

É bastante factível que vários brasileiros imaginem Deus como uma espécie de Vargas celestial, bonzinho e indulgente.

Vargas também desempenhou um papel importante no desenvolvimento da religião no Brasil, e não me refiro à aproximação com a Igreja Católica que leva à estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Muito mais importante é a urbanização do país que ele promoveu.

O interessante aqui é que, no exemplo inglês, o crescimento das cidades foi um fator significativo no declínio da religião.

No caso da minha mãe, por exemplo, ela é uma mulher do interior que cresceu com o hábito de ir à igreja e nunca o perdeu. Mas não é de hoje que as igrejas nas cidades vivem vazias - na verdade, nunca encheram. A mudança para uma vida urbana acabou cortando a prática de ir à igreja.

No Brasil, entretanto, o que mais se vê na periferia das cidades são igrejas - só que nesse caso a Igreja Católica tradicional perdeu, mas as evangélicas novas ganharam espaço.

E seu público, em grande parte, são os migrantes internos, que trocaram a vida do campo pelas oportunidades da cidade grande - e também as suas complexidades, problemas a ameaças.

Nesse ambiente novo, complexo e confuso, as igrejas evangélicas não somente oferecem o conforto espiritual da fé, mas também uma rede de apoio social.

Nesse cenário, não é somente a ausência da figura paternal que impulsionou o crescimento da religião, mas também a ausência do Estado.

*Tim Vickery é colunista da BBC Brasil e formado em História e Política pela Universidade de Warwick.



sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Cristo Redentor se iluminará de vermelho esta noite para homenagear advogados


Contagem regressiva para quem vai chamar o Cristo Redentor de "petralha" ou "comunista"...
A informação é da Agência Brasil:

Cristo Redentor ganha luzes vermelhas em homenagem ao Dia do Advogado

Flávia Villela

Pela primeira vez, o Cristo Redentor receberá iluminação especial numa homenagem à advocacia brasileira, que comemora 190 anos hoje (11). O tom vermelho rubi, escolhido para colorir o monumento das 18h30 às 19h30, é a cor oficial da profissão, que simboliza a defesa da vida e da liberdade.

A iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção do Estado do Rio de Janeiro, com o apoio da Arquidiocese do Rio, é uma homenagem à profissão e ao seu papel democrático “indispensável à administração da Justiça”, definido no artigo 133º da Constituição Federal.

Atualmente, o Brasil conta com mais de 1 milhão de advogados, sendo 150 mil no Estado do Rio. Para o presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz, esse é um justo reconhecimento à categoria, que, em seu dia a dia, cumpre a função de ser o principal elo entre as garantias cidadãs e a justiça.

“Desde seu início, a advocacia é vanguarda na luta pelos avanços dos direitos sociais e das garantias fundamentais. A história de nossa profissão se confunde com os avanços humanistas do país, já que a nossa função é a de construir, aprimorar e entregar a efetiva justiça à população”, disse ele hoje (11).

Primeiro Império

A comemoração do Dia do Advogado vem desde o Primeiro Império no Brasil (1822-1831). Dom Pedro I, que havia proclamado a Independência alguns anos antes, desejava que a nova nação possuísse leis próprias. Assim, em 1824 foi redigida a primeira Constituição brasileira.

Entretanto, entendeu-se que não bastavam leis se não houvesse alguém que as executasse. Pensando nisso, ele criou, no dia 11 de agosto de 1827, os dois primeiros cursos de Direito no país - um em Olinda, no Mosteiro de São Bento, e outro em São Paulo.

Em 1843, foi criado o Instituto dos Advogados do Brasil, para regulamentar o ofício de Bacharel em Direito e organizar a Ordem dos Advogados do Brasil, instituída em 18 de novembro de 1930.

Graças ao empenho da advocacia ao longo da história, a OAB se tornou uma das principais entidades defensoras do Estado Democrático de Direito, atuando em fatos marcantes do país, como na luta contra a ditadura militar, na reconstrução da democracia e, mais recentemente, no apoio da liberdade de expressão dos movimentos populares de 2013.

Edição: Kleber Sampaio



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ex-testemunhas de Jeová são rejeitadas pela família após saírem da denominação?


O ponto de interrogação no título acima se justifica porque a própria direção das Testemunhas de Jeová no Brasil tratou de se posicionar após a repercussão da matéria abaixo, da BBC Brasil, embora a experiência mostre que a pontuação em questão - na prática - se revela desnecessária.

As ex-testemunhas de Jeová rejeitadas pelas próprias famílias

Monica Soriano

Para algumas ex-testemunhas de Jeová do Reino Unido, abandonar a crença não significa apenas abrir mão de uma religião, mas também se afastar de entes queridos. Em muitos casos, amigos e familiares são orientados a cortar todos os laços com essas pessoas, as levando ao isolamento e, em casos extremos, até a pensamentos suicidas.

"Não falo com ninguém da minha família. Não temos nenhum contato, porque eu me 'desassociei'", conta Sarah (nome fictício) ao programa Victoria Derbyshire, da BBC.

No ano passado, a jovem, que está na casa dos 20 anos, foi expulsa de um grupo de Testemunhas de Jeová em um processo conhecido como "desassociação".

Ela diz que o motivo teria sido sua recusa em continuar em um relacionamento abusivo. Sarah afirma que seu parceiro na época era violento e chegou a quebrar suas costelas.

Fazer denúncias à polícia - e envolver pessoas de fora da religião em questões como essa - é algo desencorajado entre testemunhas de Jeová, explica a jovem.

Código moral

Sarah afirma que os anciãos da religião se recusaram a punir seu ex-companheiro pelo comportamento violento. Foi apenas quando seus colegas de trabalho notaram seus machucados e a convenceram a não se submeter mais aos abusos que ela deu fim ao relacionamento.

A jovem conta ter sido desassociada por esse motivo - e diz que seus amigos e familiares se afastaram em seguida. Isso porque testemunhas de Jeová acreditam que aqueles de fora da religião podem prejudicar sua fé.

Em um comunicado, o grupo religioso disse à BBC que "se uma testemunha batizada viola o código moral da Bíblia e não apresenta evidências de que não continua a fazer isso, ela ou ele serão afastados e desassociados".

"Quando se trata desse afastamento, as testemunhas seguem as instruções da Bíblia, e, neste ponto, a Bíblia diz claramente: 'Removam os homens perversos entre vocês'", afirma o texto.

Ailton Pereira, membro da Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados e porta-voz da Testemunhas de Jeová no Brasil, diz que, quanto à orientação de que familiares e amigos se afastem de pessoas desassociadas, a Bíblia determina na passagem 1 Coríntios 5:11/13 ser necessário cortar o relacionamento com alguém eu mantenha uma conduta inadequada. "Seguimos os ensinamentos sagrados", afirma Pereira.

"Se a pessoa toma um caminho errado de acordo com o que é dito pelas escrituras, ela é afastada, mas as pessoas têm liberdade para tomar sua própria decisão de como proceder. É um assunto de ordem familiar."

Pereira diz que, mesmo quando uma pessoa se afasta voluntariamente da religião, "os laços permanecem". "É uma decisão pessoal. Deus não obriga ninguém a servir. Oferecemos ajuda para que a pessoa reflita sobre sua decisão, mas isso não rompe o vínculo família nem faz um menor de idade ser expulso de casa."

Mas, diante de um comportamento considerado inapropriado, muitas vezes o afastamento ocorre para que "outros membros da família não sejam influenciados e a família seja preservada".

"O afastamento ocorre porque uma pessoa tomou o caminho. Se alguém está em um relacionamento imoral, é justo que o chefe de família proíba a pessoa de trazer seu companheiro para dentro de casa", explica Pereira.

Ele ressalta que a organização religiosa Testemunhas de Jeová se baseia nas escrituras sagradas em seu trabalho para manter as famílias unidas.

"Muitas vezes, quando chegamos a uma casa em que a família está se separando por um vício ou comportamento, mas aí a pessoa entende os princípios da Bíblia, e a família volta a ter paz."

'Ninguém responde'

Sarah diz que sua mãe se recusou a falar com ela na noite em que foi desassociada. E que seu pai a acordou bem cedo no dia seguinte para expulsá-la de casa.

Em resposta aos relatos, a organização Testemunhas de Jeová diz não comentar sobre casos individuais e afirma que "violência, seja física ou emocional, é fortemente condenada na Bíblia e não tem lugar em uma família cristã".

John (nome fictício) tornou-se testemunha de Jeová ainda criança, quando seus pais decidiram se unir ao grupo. Há dois anos, ele foi desassociado depois de perder um velório, cerimônia vista na religião como uma ocasião importante.

Ele já tinha começado a se questionar sobre os ensinamentos - incluindo as ideias de que o fim do mundo é iminente e de que apenas 144 mil pessoas vão para o céu. Sua visão sobre a fé também ficou abalada após um amigo morrer depois de não ser submetido a uma transfusão de sangue, uma prática proibida pela religião. "Foi uma vida desperdiçada", diz.

John afirma ter descoberto depois que sua mulher testemunhou contra ele em seu processo de desassociação, algo que acredita ter prejudicado bastante o relacionamento do casal.

Ele saiu da casa e passou a viver temporariamente em barracas de camping. Além disso, perdeu contato com seus dois filhos, hoje adultos, e irmãos. "Eu me senti muito isolado, não tinha ninguém, pensava bastante em suicídio."

"Às vezes, eu mando uma mensagem dizendo 'amo vocês, ainda penso em vocês', mas, normalmente, ninguém responde."

'Últimos dias'

A religião Testemunhas de Jeová foi fundada nos Estados Unidos no fim do século 19, sob o comando de Charles Taze Russell, e é sediada em Nova York.

Apesar de ser baseada em princípios cristãos, o grupo acredita que as igrejas cristãs tradicionais se afastaram dos ensinamentos bíblicos e não estão em harmonia com Deus.

Por sua vez, as igrejas cristãs tradicionais não reconhecem o grupo Testemunhas de Jeová como uma denominação tradicional de sua fé por rejeitar a doutrina baseada na Santa Trindade.

As testemunhas de Jeová acreditam que a humanidade está vivendo seus "últimos dias" e que a batalha final entre o bem e o mal ocorrerá em breve. A organização diz ter mais de 8 milhões de fiéis em todo o mundo.

Terri O'Sullivan a abandonou há 17 anos, quando tinha 21, e foi expulsa de casa por sua mãe. Ela coordena hoje uma rede de apoio a pessoas que são excluídas ou deixam de fazer parte da igreja.

Afirma que ainda não se deparou com uma ex-testemunha de Jeová que não tenha sofrido de depressão ou alcoolismo ou tenha pensado em suicídio ou machucar a si mesma.

Órfã de pais vivos

Segundo Terry, apesar de nem todos passarem formalmente pelo processo de desassociação quando abandonam a religião, seus relacionamentos raramente não são afetados por isso.

"No caso de algumas ex-testemunhas, alguns familiares ainda falam com elas, mas a relação dificilmente é a mesma", diz.

No caso de Sarah, ela diz ter sido "muito, muito difícil" lidar com a perda dos laços familiares. Ela está noiva e sabe que terá de planejar uma cerimônia de casamento sem a participação de seus pais. "Eu me considero órfã, o que é bem triste", afirma.

Ela obtém apoio de amigos no trabalho. Quando abandonou a religião, eles "a confortaram" - o que a surpreendeu.

"São pessoas que minha religião dizia serem terríveis e más companhias, que seriam castigadas por Deus no Apocalipse. Mas essas pessoas abriram as portas de suas casas para mim."

A jovem ainda vê com bons olhos a maioria dos fiéis da igreja. "Há boas pessoas nessa religião, que acreditam estar salvando outras. Guardo boas memórias, porque são as últimas que tenho com minha família", diz.

"Mas também olho para trás e é dolorido, porque nunca mais poderei sentar com eles para um almoço de domingo. Quando morrerem, eu não serei convidada para seus enterros."

*Esta reportagem foi atualizada às 11h do dia 01 de agosto de 2017, para incluir as declarações do porta-voz das Testemunhas de Jeová no Brasil.



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Bispo da universal teria censurado matéria sobre "novos pais" na Record


A ser verdade o que diz o blog Famosidades do MSN, está enganado(a) quem alega que é só a Globo que molda o controverso e reverso "pensamento único" brasileiro.

Já pensou uma sociedade em que certos "evangélicos" controlem a informação que você pode ou não consumir?

Parece que o buraco da manipulação midiática é mais largo e retrógrado do que se pensa:

Bispo censura reportagem especial do "Jornal da Record"

Programada para estrear no "Jornal da Record" na última segunda-feira (7), a série "Novo Pai" causou transtornos para a produção do noticiário. O motivo? Um dos bispos da emissora decidiu vetar alguns dos temas que seriam exibidos.

De acordo com o colunista Flávio Ricco, o religioso, ao assistir à chamada da série, não aprovou boa parte dos assuntos que estavam em pauta - principalmente os que falavam de filhos de homossexuais.

Temas relacionados a pais solteiros e separados também tiveram que passar por mudanças.

Como as alterações foram feitas em cima da hora, a equipe do jornalístico precisou correr e unir forças para conseguir ter algo pronto para exibir ao público no "JR". As reportagens fazem parte do especial de Dia dos Pais - celebrado no próximo domingo (13).



terça-feira, 8 de agosto de 2017

STF decide se União custeará tratamento alternativo à transfusão de sangue para TJ


O que está em jogo é o confronto entre as garantias fundamentais da liberdade religiosa e da isonomia no também constitucionalmente garantido direito de acesso à saúde, tudo isso mediado pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, captou?

Resumo: tremenda confusão que caiu no colo da Suprema Corte.

A matéria é do próprio Supremo Tribunal Federal:

STF vai decidir se liberdade religiosa justifica custeio de tratamento de saúde pelo Estado

O Supremo Tribunal Federal (STF) irá decidir se o exercício da liberdade religiosa pode justificar o custeio de tratamento de saúde pelo Estado. A questão será analisada no Recurso Extraordinário (RE) 979742, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual. O recurso foi interposto pela União contra acórdão da Turma Recursal do Juizado Especial Federal do Amazonas e Roraima, que a condenou, juntamente com o Estado do Amazonas e o Município de Manaus, a custear um procedimento cirúrgico indisponível na rede pública, pois a religião do paciente (Testemunha de Jeová) proíbe transfusão de sangue.

De acordo com a Turma Recursal, os três entes federativos devem se responsabilizar pelo custeio de uma cirurgia de artroplastia total primária cerâmica sem transfusão, em hospital público ou particular, na modalidade Tratamento Fora do Domicílio, pois o procedimento não está disponível na rede do estado. Ainda segundo a decisão, a administração pública deve disponibilizar cobertura assistencial integral (inclusive consultas, rotinas médicas e medicamentos) para a completa recuperação de sua saúde, além de custear, ao paciente e a um acompanhante, passagens aéreas, traslados, hospedagem, alimentação e ajuda de custo até a completa realização do seu tratamento.

Com fundamento no artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal, o acórdão recorrido estabelece que o Poder Público deve garantir o direito à saúde de maneira compatível com as convicções religiosas do cidadão, “uma vez que não basta garantir a sua sobrevivência, mas uma existência digna, com respeito às crenças de cada um”.

No recurso apresentado ao STF, a União afirma que o acolhimento do pedido de custeio de tratamento médico criará uma preferência em relação aos demais pacientes, afrontando o princípio da isonomia. Aponta, ainda, violação ao princípio da razoabilidade, já que qualquer procedimento cirúrgico pode ter complicações e, eventualmente, exigir a transfusão de sangue. A Procuradoria Geral da União opinou pelo desprovimento do recurso, pois entende que não foi demonstrada a impossibilidade da realização da cirurgia sem transfusão de sangue.

Manifestação

Em manifestação ao Plenário Virtual, o relator do processo, ministro Luís Roberto Barroso, destacou que a questão constitucional reside na identificação de solução para o conflito potencial entre a liberdade religiosa e o dever do Estado de assegurar prestações de saúde universais e igualitárias. Em seu entendimento, é necessário determinar se a extensão das liberdades individuais, prevista no artigo 5º, inciso VI, da Constituição, pode justificar o custeio de tratamento médico indisponível na rede pública. Para o ministro, a matéria "é de evidente repercussão geral, sob todos os pontos de vista (econômico, político, social e jurídico), em razão da relevância e transcendência dos direitos envolvidos”.

O ministro observa que as liberdades individuais, entre elas a religiosa, pode ser restringida caso a conformação das políticas públicas de saúde desconsidere concepções religiosas e filosóficas compartilhadas por comunidades minoritárias. Ressalta que admitir que o exercício de convicção autorize a alocação de recursos públicos escassos coloca em tensão a realização de outros princípios constitucionais.

Segundo ele, a demanda judicial por prestação de saúde não incorporada ao sistema público exige a ponderação do direito à vida e à saúde de uns contra o direito à vida e à saúde de outros. “Nessa linha, exigir que o sistema de saúde absorva toda e qualquer pretensão individual, como se houvesse na Constituição o direito a um trunfo ilimitado, leva à ruína qualquer tentativa de estruturação de serviços públicos universais e igualitários. Dessa forma, deve-se ponderar não apenas qual bem constitucional deve preponderar no caso concreto, mas também em que medida ou intensidade ele deve preponderar”, apontou o relator.

Por unanimidade, o Plenário Virtual reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada no RE 979742.

PR/CR

Processos relacionados
RE 979742



segunda-feira, 7 de agosto de 2017

TST nega vínculo empregatício a padre ortodoxo de SP

Igreja Ortodoxa de São Pedro no Brás, em SP
A informação é do próprio Tribunal Superior do Trabalho:

Padre da Igreja Ortodoxa tem recurso negado em ação para reconhecer relação de emprego

Um padre da Igreja Ortodoxa Grega de São Pedro, em São Paulo, não conseguiu que seu pedido de reconhecimento de vínculo de emprego fosse reexaminado pelo Tribunal Superior do Trabalho. O presidente do TST, ministro Ives Gandra Martins Filho, negou seguimento a agravo no qual o religioso questionava decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) no sentido de que o vínculo entre as partes se destinava apenas à assistência espiritual e à propagação da fé.

Segundo o TRT, nos dez anos de atividade sacerdotal não se verificou a configuração dos requisitos inerentes ao contrato de trabalho, como subordinação ou prestação remunerada de serviços (onerosidade). “Trata-se de um ofício, onde não havia contraprestação pecuniária, e sim ajuda de custo necessária para prover suas necessidades básicas”, diz a decisão.

Em sua argumentação, o padre afirmou que havia submissão às diretrizes traçadas pelo arcebispo da igreja, e que serviços como batizados, casamentos e ofícios fúnebres tinham valor fixado pela Comissão Eclesiástica, entidade que, na condição de administradora da igreja, incumbia-se da arrecadação de valores e de pagamentos, inclusive dos salários a ele devidos.

No agravo, o padre pediu que a decisão do TRT que negou seguimento a seu recurso fosse anulada e que o TST reexaminasse a questão do vínculo. Mas, segundo o ministro Ives Gandra Martins Filho, a decisão não merece reparos, porque, diante do quadro descrito pelo Regional, sobretudo sobre a natureza das atribuições e da remuneração do religioso, não seria possível concluir em outro sentido sem o reexame de fatos e provas, medida incabível segundo a Súmula 126 do TST.

(Ricardo Reis/CF)

Processo: AIRR - 2184-87.2014.5.02.0023



domingo, 6 de agosto de 2017

Hiroshima, 72 anos depois...

O horror, ah... o horror...

Todo dia 6 de agosto é momento de se relembrar a tragédia de 1945 em Hiroshima, Japão, onde caiu a primeira bomba atômica matando centenas de milhares de pessoas, formando aquele cogumelo de fumaça, aquela "rosa radioativa, estúpida e inválida" na voz inconfundível de Ney Matogrosso cantando o clássico "Rosa de Hiroshima" (poema de Vinícius de Moraes musicado com rara qualidade por Gerson Conrad), ainda do tempo dos "Secos e Molhados" (1973):




sábado, 5 de agosto de 2017

TJPE solta por liminar líder batista acusado por "estupro corretivo" de lésbica


A informação é da Agência Brasil:

Líder religioso de Olinda acusado de "estupro corretivo" é solto; MP contesta

Sumaia Villela

A 22 dias do julgamento final, um líder religioso de Olinda (PE) acusado de estupro “corretivo” foi solto por meio de uma liminar. A decisão é questionada pela promotora da 3ª Vara Criminal do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Henriqueta de Belli, autora da denúncia. O acusado respondia à ação em liberdade até que a vítima, uma jovem de 20 anos, relatou que ela e seus familiares estavam recebendo ameaças, fato que levou à prisão preventiva do réu no dia 17 de julho. No entanto, ele foi solto na quarta-feira (2).

A liminar que concedeu a liberdade ao líder religioso foi concedida pelo desembargador Fábio Eugênio Oliveira Lima. A promotora questiona o motivo de Oliveira não ter levado em conta as ameaças sofridas pela vítima, o que prejudicaria o bom andamento do processo e a colocaria em risco.

“O desembargador, mesmo sem pedir informações à juíza que decretou a preventiva dele, o liberou. E agora ele respondeu ao feito em liberdade”, diz Henriqueta. “Enquanto ele estiver solto, o Ministério Público acredita que ele não vai deixar de direcionar ameaças [à vítima], e não é possível nem justo que a vítima de um crime sexual dessa ordem continue sendo submetida ao sofrimento porque o acusado não se conforma com o fato de estar sendo processado”, aponta a promotora.

O desembargador Fábio Eugênio Oliveira Lima informou, por meio da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), que não vai se pronunciar a respeito da decisão porque o processo está em segredo de Justiça.

Entenda o caso

O acusado tem 31 anos e era membro da Igreja Batista da Primeira Etapa do bairro de Rio Doce. Ele era responsável por ações relacionadas ao público jovem. A vítima e sua família – que não falaram com a imprensa - frequentavam a igreja e também cresceram na mesma vizinhança, em Jardim Atlântico, cidade de Olinda.

A garota deixou de frequentar o templo religioso e, motivado por rumores de que ela estaria em um relacionamento homoafetivo, o homem foi até o apartamento da família. Aproveitando que ela estava sozinha, cometeu o abuso. A promotora relatou que, durante o ato, ele afirmava que cometia o crime para que “ela passasse a gostar de homem e deixasse de ficar com meninas”.

O crime ocorreu no dia 28 de dezembro de 2015, e foi denunciado pela vítima em março do ano seguinte. Inicialmente, segundo a promotora, a jovem teve vergonha de falar sobre o ocorrido, mas ao saber que uma outra garota havia sido abusada pela mesma pessoa, resolveu formalizar a denúncia. “É importante ressaltar que a versão dela é bastante coerente e consistente”, diz Henriqueta.

A promotora relata que, neste ano, foi procurada pela família da vítima e pela própria para relatar que o acusado, ao saber que a denúncia havia resultado em ação penal, começou a constrangê-la, tanto diretamente como mandando recado por outras pessoas, “Ela já estava com dificuldade de ir à padaria, à escola. Ele começou a criar situações em prejuízo da vítima, inclusive houve uma situação específica em que ele estava conduzindo um veículo, avistou ela e colocou o carro para cima dela, que conseguiu desviar”, relata a promotora.

Henriqueta de Belli espera que a soltura seja revertida no julgamento do mérito do habeas corpus pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), ainda sem data definida. “Esse tipo de demanda, que envolve a violação de vários direitos, uma possível homofobia, machismo, misoginia, são crimes que precisam de fato ser coibidos pela Justiça de forma muito objetiva, para justamente incentivar que outras vítimas também denunciem”.

O acusado foi expulso da Igreja Batista. Oa pastor responsável pela igreja foi procurado para comentar as acusações, mas disse que não falaria a respeito. Entidades de defesa da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) também acompanham o caso e ofereceram assistência à vítima.

Edição: Amanda Cieglinski



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Adeus, Luiz Melodia!


O cantor e compositor Luiz Melodia, pérola rara da música popular brasileira, faleceu esta madrugada no Rio de Janeiro (RJ), em decorrência de um câncer na medula óssea que, lamentavelmente, se revelou devastador.

O nosso ex-país perde, portanto, uma de suas grandes referências musicais.

Luiz Melodia tinha 66 anos de idade, nos deixa muito cedo mas como uma vastíssima obra da melhor qualidade.

Em sua homenagem, ouçamos então, os superclássicos "Estácio, Holly Estácio" e "Pérola Negra":






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