terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Tim Tones e o racismo


Que os poucos cristãos evangélicos que sobraram nos perdoem, mas todos aqueles que se indignaram com Chico Anysio nos anos 80 por sua caricatura de "pastor" chamado Tim Tones, deveriam reconhecer que ele previu, anos à frente (um sinônimo para "profetizou"), a ridicularização do Evangelho levada a cabo por muitos que se dizem "evangélicos":






segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

75 anos atrás, os japoneses iam para os campos de concentração nos EUA

Crianças americanas de ascendência japonesa não ficaram livres do horror da guerra, mesmo distante dela.

A matéria é do jornal português Público, com grafia lusitana:

Japoneses-americanos recordam campos de concentração, 75 anos depois

A 19 de Fevereiro de 1942, o Presidente Roosevelt assinava um decreto para autorizar a detenção de norte-americanos de ascendência japonesa. Cerca de 120 mil passaram parte da II Guerra Mundial em campos de concentração nos EUA.

Joyce Nakamura Okazaki tinha sete anos em 1942 quando a família deixou a sua casa em Los Angeles e apresentou-se num campo de internamento para americanos de ascendência japonesa no deserto californiano, durante a II Guerra Mundial. Recorda-se de quartos cheios de berços e do embaraço que sentia pelo facto de as casas-de-banho do campo de Manzanar não terem privacidade. “Tal como aconteceu na Alemanha Nazi, nós, japoneses-americanos, fomos postos em campos de concentração”, disse Okazaki, hoje com 82 anos, apesar de reconhecer que os detidos não foram mortos ou torturados.

“Mas estávamos constantemente sob ameaça se nos aproximássemos das redes de arame farpado”, recorda.

Há 75 anos, assinala-se neste domingo, o Presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt assinava a ordem executiva 9066, que autorizava a detenção dos japoneses-americanos.

Cerca de 120 mil pessoas foram detidas em dez campos devido ao receio de que os japoneses-americanos colaborassem com o inimigo. Três meses antes, os Estados Unidos tinham entrado na II Guerra Mundial após o ataque surpresa do Japão contra Pearl Harbour, no Havai.

As fotos da altura ilustram o sentimento de perda de liberdade destes cidadãos americanos: homens elegantemente vestidos, de fato e gravata, a formarem filas nas ruas das cidades, ao lado de sacos e mala, a caminho dos campos. Uma mãe de bebé ao golo debruçando-se sobre as bagagens. O pó e as camaratas. Um detido a conduzir um tractor dentro do campo. Para recordar este período da história, uma exposição fotográfica com trabalhos de nomes cimeiros como Ansel Adams e Dorothea Lange abriu na sexta-feira no Museu Nacional de História Americana em Washington DC. Entre as muitas fotografias está a que imortaliza Okazaki, abraçada à mãe e à irmã, no campo de Manzanar.

Okazaki recorda uma vida de medo no campo. “Com redes de arame farpado e torres de vigia e guardas armados, ganha-se medo”, conta à Reuters.

Paralelos com o decreto de Trump Alguns japoneses-americanos traçam agora um paralelo entre o internamento forçado nos anos 40 do século passado e a ordem executiva do actual Presidente dos EUA, Donald Trump, que no mês passado proibiu temporariamente a entrada de pessoas oriundas de sete países de maioria muçulmana.

“Como se reage hoje à proibição dos muçulmanos é como se reagiria à prisão dos meus avós e pais há 75 anos”, afirmou em Janeiro no Congresso o representante Mark Takano, cuja família foi detida durante a II Guerra Mundial.

O antigo detido Kanji Sahara recorda a chegada a um campo no hipódromo de Santa Anita, a meia hora da sua casa em Los Angeles, quando tinha oito anos. “Disseram-nos para nos apresentarmos à nossa igreja local. Estava uns dez ou 15 autocarros lá à nossa espera”, recorda Sahara, hoje com 82 anos. “Quando saí do autocarro, conseguia ver filas e filas de estábulos e barracas no parque estacionamento. Era aí que vivíamos”, conta.

O hipódromo foi um “centro de reunião” temporário para mais de 18 mil pessoas. Entre estas estava George Takei, que se tornaria um conhecido actor da saga Star Trek.

Seis meses depois, Sahara e a sua família foram transportados para um campo permanente em Jerome, estado norte-americano do Arcansas. Desta vez, foram de comboio.

“Havia guardas nas pontas de cada carruagem e as persianas estavam baixadas”, recorda Sahara.

No entanto, o período em Jerome correspondeu a uma melhoria das condições de vida. “A primeira coisa que notei foi o número de pessoas que vivia em cada camarata, comparado com Santa Anita, onde quase não nos conseguíamos mexer”, conta Sahara.

O rapaz de ascendência japonesa e a família só foram autorizados a sair do campo em 1945, tinha Sahara 11 anos. Okazaki e a família foram libertados em Julho de 1944. Foram obrigados a jurar lealdade aos Estados Unidos para recuperar a liberdade.

Hoje, Okazaki rejeita o termo “internamento” e prefere falar de “detenção” ou de “prisão”.

“Eu não fui internada, porque sou uma cidadã americana. A definição legal de internamento refere-se a inimigos estrangeiros em tempos de guerra”, explica.

Em 1988, o Presidente Ronald Reagan assinou uma lei a conceder indemnizações aos sobreviventes. Cada um recebeu cerca de 20 mil dólares e um pedido de desculpa.



Aliás, recomendamos um grande filme sobre essa época, "Neve sobre os Cedros"





domingo, 19 de fevereiro de 2017

A Bíblia na língua dos esquimós


A informação é da Gaudium Press:

Bíblia é traduzida para o idioma dos esquimós

Toronto - Canadá (Sexta-feira, 17-02-2017, Gaudium Press) A Bíblia foi o primeiro livro impresso no mundo e já foi traduzida para inúmeros idiomas. Agora foi divulgada uma nova tradução das Sagradas Escrituras para o idioma 'inuíte', a língua dos esquimós, um dos poucos idiomas que não possuía uma versão do livro sagrado.

Recentemente estudiosos e biblistas do Alasca, Nunavut e da Groenlândia se reuniram em Toronto, Canadá, para o primeiro congresso sobre a tradução da Bíblia para este idioma, que é usado pelos habitantes do Ártico além de aproximadamente 30 mil esquimós que vivem no Canadá, no Alasca e na Groenlândia.

A tradução demandou um trabalho de 30 anos. Em 2012 a Bíblia havia sido traduzida para um dialeto do 'inuíte', o 'inuktitut'. "Traduzir os textos sagrados em vários dialetos locais ajuda a conservá-los e transmiti-los às futuras gerações", afirmou Rejean Lussier, um dos estudiosos que participaram do projeto.

De acordo com os responsáveis pelo projeto, nenhum livro contribuiu tanto para a alfabetização e a conservação da língua tradicional da população do Ártico como a Bíblia. (EPC)



sábado, 18 de fevereiro de 2017

O bacharel mulato e filho de padre que peitou D. Pedro I e as agruras do séc. XIX

Pelo jeito, o mundo não mudou nada desde então.

Talvez tenha até perdido muito em senso de humor, segundo se depreende do artigo de Mary del Priore em História Hoje:

O bacharel mulato que desafiou D. Pedro I

No Brasil imperial, época de mudanças, um personagem importante invadiu a cena: o mulato. Em seu clássico Sobrados e Mocambos, Gilberto Freyre foi dos primeiros a observar fenômeno: ele era uma força nova e triunfante. Segundo Freyre, o mulato vinha se constituindo em elemento de diferenciação da sociedade rural e patriarcal no universo urbano e individualista. Ele estaria se integrando, ou melhor, se acomodando, entre os extremos: o senhor e o escravo. A urbanização do Império, a fragmentação das senzalas em quilombos, o crescimento de alforrias e a inserção nos cargos públicos e na aristocracia de toga, deu visibilidade aos mulatos, “aos morenos”.

Nos jornais, notícias e avisos sobre “Bacharéis formados”, “Doutores” e até “Senhores Estudantes”, principiaram, desde os primeiros anos do século XIX a anunciar o novo poder daqueles que agiam e se expunham em becas escuras. “Trajes de casta capazes de aristocratizar” seus portadores, diz Freyre. Muitos não dispunham de protetores políticos para chegar à Câmara nem subir à diplomacia. Muitos estudaram ou se formaram graças “ao trabalho de uma mãe quitandeira ou um pai funileiro”. Outros faziam casamento com moças ricas ou de famílias poderosas. Mas eram visíveis em toda a parte.

É o mesmo Gilberto Freyre quem conta o exemplo de José da Natividade Saldanha, bacharel mulato e protagonista de uma história surpreendente. Filho de padre, Saldanha estudou para padre no Seminário de Olinda, mas rebelou-se contra o Seminário. Durante a Revolução Pernambucana, em 1817, ele deixou a cidade com os familiares e rumou para Coimbra, a fim de continuar os estudos. Na volta ao Recife, se insurgiu contra Dom Pedro I e sua constituição. Foi eleito secretário do governo de Manoel de Carvalho Paes de Andrade e encontrava tempo para escrever relatórios sobre a revolução, pensando em deixar para a posteridade as informações do acontecido. Com a derrota dos insurretos, Natividade Saldanha fugiu.

Na primeira tentativa frustrada de refugiar-se na França, perdeu o navio e escondeu-se novamente em Olinda. O cônsul americano James Hamilton Bennet o ajudou na fuga para Filadélfia, Estados Unidos, onde sofreu discriminação, por ser mulato. Viajou, então, para a França, onde conseguiu um passaporte português. Sob perseguição do governo brasileiro, ele foi expulso do país pela polícia local. Foi à Inglaterra e, de lá, à Venezuela, onde sofreu privações. Na Venezuela, Natividade Saldanha conheceu o General Abreu e Lima, que o encaminhou a Simon Bolívar. Conseguiu, então, exercer a advocacia naquele país. Ali, comentou a sentença de um juiz branco, Mayer, na qual ele, Saldanha era chamado de mulato. E retrucou:
”[…] Esse tal mulato Saldanha era o mesmo que adquirira prêmios quando ele, Mayer tinha aprovação por empenho e quando o tal mulato recusava o lugar de auditor de guerra em Pernambuco, ele, Mayer, o alcançava por bajulação”.
Saldanha abandonou Caracas e foi à Colômbia pela selva, passando a residir em Bogotá, onde passou a ensinar Humanidades. Soube, então, que tinha sido condenado à morte por enforcamento no Brasil. Tomando conhecimento que um antigo amigo exercia atividade no tribunal que o condenou, enviou-lhe uma procuração com os seguintes termos:
“Pela presente procuração, por mim feita e assinada, constituo por meu bastante procurador na Província de Pernambuco ao meu colega Dr. Tomaz Xavier Garcia de Almeida, para em tudo cumprir a pena que me foi imposta pela Comissão Militar, podendo este morrer enforcado, para o que lhe outorgo todos os poderes que por lei me são conferidos.
Caracas, 3 de agosto de 1825.
Texto de Mary del Priore. “Histórias da Gente Brasileira: Império (vol.2)”, Editora LeYa, 2016.



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Testemunhas de Jeová no meio da confusão entre Índia e Paquistão


De maneira inadvertida, por causa de um hino e do furor nacionalista, as Testemunhas de Jeová terminaram se envolvendo no imbroglio da ópera bufa e tragicômica que Índia e Paquistão insistem em encenar.

Detalhe sinistro: além da população gigantesca nos dois lados, os países em questão têm um arsenal militar imenso que dispõe de bombas atômicas.

A notícia foi publicada no Estadão em 16/02/17:

Cantar o hino pode passar a ser obrigatório 
a estudantes indianos

Buscar formas para reforçar o nacionalismo indiano passou a ser uma preocupação do governo de Narendra Modi

Primeiro, foi o cinema. Agora, as escolas. A execução do hino nacional passou a ser um dever na Índia antes de cada sessão de cinema desde o fim do ano passado, com prisão de quem teimar em ficar sentado. Agora, o governo quer expandir a medida para as escolas.

O problema é que a obrigação de cantar o hino é incompatível com uma norma de mais de 30 anos que isenta crianças pertencentes a alguns credos, como as Testemunhas de Jeová, de entoar o hino. O argumento é que isso equivaleria a uma forma de adoração.

A Suprema Corte quer revisar o julgamento de 1986 que favoreceu as crianças dessa corrente religiosa. A decisão de então considerou que forçá-las a cantar o hino seria ilegal. Segundo o jornal Indian Express, o tribunal afirma que a discussão, neste momento, é necessária porque “é extremamente importante estimular um senso de nacionalismo desde a infância”.

Buscar formas para reforçar o nacionalismo indiano passou a ser uma preocupação do governo de Narendra Modi desde a escalada na violência na Caxemira, em julho. As tensões entre a Índia e o Paquistão foram elevadas após a operação de repressão de forças indianas contra a dissidência na parte da Caxemira controlada por Nova Délhi. Os dois países, donos de armas nucleares, disputam o território.

Em setembro, os cinemas paquistaneses pararam de exibir filmes da Índia em “solidariedade” às Forças Armadas do país. As relações pioraram mais quando militantes mataram 18 soldados em um ataque a uma base do Exército indiano que a Índia atribui aos paquistaneses. Em resposta, a Índia realizou “ataques cirúrgicos” na Caxemira administrada por Islamabad, uma manobra que o Paquistão repudiou.

A disputa na indústria do entretenimento cresceu. A Associação Indiana de Produtores Cinematográficos, uma entidade pequena de cineastas, proibiu seus membros de contratarem atores paquistaneses. A mídia indiana, ainda em setembro, noticiou que o líder de um partido regional de direita, Maharashtra Navnirman Sena, deu um prazo de dois dias para atores paquistaneses deixarem a Índia ou serem “empurrados para fora”.



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Papa irá a Fátima para celebrar centenário das aparições de Maria


Comunicação visual da visita papal já está pronta.

Contrariando o movimento de alguns portugueses contrários à visita, o papa Francisco confirmou presença nas festividades do centenário das aparições da Virgem Maria em Fátima, Portugal, segundo noticia a Rádio Vaticano:

Fátima: O Papa vem para rezar com os portugueses

É o foco da visita que o Papa Francisco vai fazer a Fátima nos próximos dias 12 e 13 de Maio no contexto do centenário das aparições.

Este foi o sentido da conferência de imprensa do passado dia 10 em Fátima do reitor do santuário e coordenador geral da visita, padre Carlos Cabecinhas.

Aos jornalistas, o sacerdote apresentou a identidade visual para a visita do Papa, elaborada pelo designer Francisco Providência.

O cartaz para a visita tem uma imagem do Papa em fundo, onde se desenha um coração com a inscrição 'Papa Francisco' e 'Fátima 2017', a "assinatura motivacional" 'Com Maria peregrino na esperança e na paz' e o logótipo do centenário das Aparições de Fátima.

O reitor não adiantou pormenores sobre o programa da visita de Francisco, mas espera a afluência de uma multidão de peregrinos nesta visita papal centrada exclusivamente na Cova da Iria, e considera pouco «expectável» que surjam novidades sobre a canonização dos videntes.

De Lisboa, o nosso correspondente Domingos Pinto.



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Papa é oficialmente convidado para celebrar os 500 anos da Reforma Protestante

É o que informa o IHU:

Igreja Evangélica alemã faz convite histórico ao Papa Francisco


Pela primeira vez desde a Reforma, a Igreja Evangélica na Alemanha, que representa a grande maioria dos protestantes alemães, convidou o papa a visitar o país, local onde a se iniciou a Reforma. Uma delegação ecumênica da Alemanha visitou o Papa Francisco no Vaticano em 6 de fevereiro como parte da comemoração do 500º aniversário do evento religioso que dividiu o cristianismo ocidental. 

A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada por America, 06-02-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.


“Papa Francisco, o senhor desencadeou um sentimento de bondade e misericórdia a todas as pessoas” e “como irmãs e irmãos em Cristo estamos felizes pela clara orientação que nos tem dado”, disse o Bispo Heinrich Bedford-Strohm antes de fazer o convite a Francisco. Bedford-Strohm preside o Conselho da Igreja Evangélica (Evangelische Kirche in Deutschland – EKD) na Alemanha.

O Cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência dos Bispos Católicos Alemães, acompanhava a delegação. Marx sublinhou a significação histórica do convite e expressou a esperança fervorosa de que o papa possa respondê-lo.

O Papa Francisco já participou de uma comemoração católico-luterana conjunta em torno da Reforma em Lund, na Suécia, em outubro do ano passado, mas este convite é mais significativo ainda.

Embora não tenha dado uma resposta ao convite durante a audiência, é possível que o Papa Francisco o aceite. Ele conhece a Alemanha, fala alemão e está ciente da importância do convite.

Saudando a delegação alemã em sua biblioteca particular, Francisco procurou impulsionar os esforços em direção à unidade dos cristãos. Ao considerar uma iniciativa ecumênica, convidou os evangélicos e católicos a se perguntarem: “Podemos partilhar junto com os nossos irmãos e irmãs em Cristo? Será que conseguiremos percorrer mais um outro trecho do caminho juntos?”

“Temos o mesmo batismo: devemos andar juntos, sem nos cansar”, disse Francisco. Não tem caminho de volta no trajeto para a unidade, garantiu o papa à delegação; os católicos e os evangélicos devem “continuar a testemunhar juntos o Evangelho e continuar no caminho da unidade plena”.

O papa descreveu as “diferenças” que ainda existem entre as igrejas em questões como a fé e a moral como sendo “desafios” no percurso à unidade visível almejada pelos fiéis. “Os casais que pertencem a confissões diferentes” sentem particularmente “a dor” da divisão, disse, aludindo ao problema de as famílias não poderem participar juntos da Eucaristia.

O pontífice convidou os católicos a evangélicos a trabalharem para “superar os obstáculos ainda existentes”, perseverando com “oração incessante (...) com todas as nossas forças” e “intensificando o diálogo teológico e reforçando a colaboração entre nós”.

Bedford-Strohm disse ao papa: “Às vezes é uma realidade dolorosa nas famílias: casais que compartilham filhos, netos e amigos ficam divididos na mesa do Senhor”. Ele reconheceu que foi feito um progresso “no espírito da reconciliação”, acrescentando que as igrejas estão trabalhando juntas “para encontrar o caminho para uma parceria eucarística ainda maior”.

Falou que esse tema surgiu em vários diálogos com o Vaticano. O Cardeal Marx confirmou essa iniciativa em uma coletiva de imprensa em Roma com os líderes evangélicos alemães ocorrida na sequência do encontro com o papa. Ele falou que ambos os lados estão trabalhando juntos para “descobrir se podemos alcançar uma linha comum”.

O Papa Francisco saudou o fato de que os católicos e os evangélicos estão comemorando os eventos históricos da Reforma juntos “a fim de pôr, mais uma vez, Cristo no centro das nossas relações”. Ele lembrou que, no fundo, os reformadores estavam “animados e inquietos” sobre como “indicar a estrada para Cristo”. Disse que isso deveria estar no centro dos esforços católicos e evangélicos, hoje, quando caminham na direção da unidade.

O Papa Francisco deu as boas-vindas a uma iniciativa evangélico-católica conjunta na Alemanha para realizar uma cerimônia de Penitência e Reconciliação porque “curar a memória, testemunhar a Cristo” é uma tarefa ecumênica.

Na coletiva de imprensa, Annette Kurschus, da delegação alemã, salientou a importância da “diversidade reconciliada” e enfatizou que a visita ecumênica a Roma – “a cidade global do catolicismo” –, no 500º aniversário da Reforma, também tem uma “significação” para o mundo protestante no percurso à unidade.

A Igreja Evangélica na Alemanha é uma federação de igrejas e denominações luteranas, reformadas (calvinistas) e protestantes unidas regionais na Alemanha, com aproximadamente 24 milhões de membros. Ao saudar o papa, Bedford-Strohm disse: “As nossas igrejas sentem uma responsabilidade especial em desenvolver o ecumenismo, uma vez que as divisões começaram conosco na Alemanha”.

A EKA busca “um diálogo mais profundo” com a Igreja Católica “sobre o batismo e sua significação para os próximos passos ecumênicos” e deseja “seguir uma nova abordagem para garantir que o diálogo não fique estagnado”, acrescentou.

Tanto o papa quanto o bispo destacaram a importância de os católicos e evangélicos darem um testemunho comum a Cristo num mundo marcado pela violência e polarização. Francisco disse que “o chamado urgente de Jesus à unidade” convida os membros de ambas as igrejas a agirem juntos “quando vivenciamos graves dilacerações e novas formas de exclusão e marginalização”. Aqui “a nossa responsabilidade é grande”, disse.

O Bispo Heinrich Bedford-Strohm concordou, acrescentando: “Onde são negadas a misericórdia e a compaixão, o ‘pecado social’ ameaça a vida humana consecutivamente”. Ele observou que “alguns agora aspiram conter a nossa humanidade dentro de muros. Um novo populismo em diferentes países glorifica o país dos seus apoiadores e exclui grandes grupos de pessoas”.

Ele destacou também a situação dos refugiados e migrantes – uma questão cara ao Papa Francisco. Disse que “em 2017, as igrejas cristãs deveriam erguer suas vozes juntas no mundo inteiro no intuito de encorajar os nossos países a demonstrar solidariedade com os refugiados do terror e da guerra, e a distribuir os fardos da maneira mais ampla possível”.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Americano rouba US$ 7 bi porque "Jesus queria que ele ficasse rico"

Já publicamos vários artigos comentando sobre esta estranha predominância do "pensamento mágico" no meio evangélico brasileiro, importado em larga escala dos EUA, discurso que é filho bastardo da "teologia da prosperidade" importada de lá e ao qual damos o nome de "triunfalismo" e abordamos por vários ângulos, como em:

As jumentinhas de Balaão (agosto de 2009)

O conto do bilhete premiado (agosto de 2009)


Pirlimpimpim gospel (julho de 2010)

Sentimentalismo gospel (fevereiro de 2011)


Crendices quânticas (setembro de 2013)


Agora chega dos Estados Unidos uma notícia publicada no UOL Tabloide que dá uma ideia de até onde esse delírio pode chegar:

Homem diz que roubou US$ 7 bilhões porque Jesus quer que ele fique rico

Um norte-americano acusado de ter acumulado US$ 7 bilhões (cerca de R$ 21,8 bilhões) em transferências fraudulentas afirmou, em audiência na Justiça, que só roubou o dinheiro porque Jesus queria que ele ficasse rico.

John Michael Haskew, morador de Lakeland, na Flórida (EUA), foi preso em dezembro do ano passado depois de ter feito transferências bancárias fraudulentas de uma "renomada instituição financeira" para sua própria conta.

Haskew precisava de dinheiro para pagar uma dívida com o governo federal. O americano usou um esquema para fazer mais de 70 transferências que acumularam um total de US$ 7 bilhões.

Segundo os investigadores da polícia, Haskew afirmou que acreditava que merecia o dinheiro porque "Jesus quer que todos sejam ricos". O fraudador disse que com o esquema criminoso iria conseguir "obter a riqueza que Jesus criou para ele e que pertencia a ele".

Apesar de toda sua "fé", Haskew pode ser condenado a até cinco anos de prisão e terá de pagar uma multa de até US$ 250 mil (cerca de R$ 780 mil).



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Adeus, Al Jarreau!


Faleceu ontem, 12/02/17, em Los Angeles, California, o grande cantor Al Jarreau, faltando exatamente um mês para que ele completasse 77 anos de idade.

Um dos maiores intérpretes de jazz, rhythm and blues e soul music que esse mundo já teve a oportunidade de ver e ouvir, o americano nascido em Milwaukee, Wisconsin, deixa uma obra imensa de rara qualidade para as novas e futuras gerações apreciarem um estilo todo dele de cantar.

Descanse em paz, Al Jarreau!

Em sua homenagem, abrindo esta porta imorredoura da saudade, ouçamos então "Mornin'" (1983):


"We're in This Love Together" (1981):


"After All" (1984):


E de brinde, encerramos com "Summer Breeze", executada por Al Jarreau na companhia do não menos talentoso George Benson, gravada ao vivo no festival de Montreux em 2007:


Ou cantando "Flor de Liz" com Djavan:


Sim, meus amigos, Al Jarreau, Djavan e George Benson são retratos saudosos de um tempo em que o bom gosto musical quebrava quaisquer barreiras e imperava no planeta Terra.



domingo, 12 de fevereiro de 2017

TJDF condena rapaz a pagar empréstimos tomados da ex-namorada

Imagem mera e divertidamente ilustrativa. 


NAMORADO É CONDENADO A DEVOLVER VALORES RECEBIDOS DURANTE O RELACIONAMENTO

Decisão do 1º Juizado Cível do Gama condenou ex-namorado a devolver à autora do processo quantia entregue a ele, a título de empréstimo, no decorrer do relacionamento tido entre ambos. As partes recorreram e a 1ª Turma Recursal do TJDFT deu parcial provimento ao recurso da autora para majorar a quantia a ser-lhe devolvida, e não conheceu o recurso do réu, uma vez constatada a deserção (quando a parte deixa de comprovar o recolhimento integral das taxa e custas devidas, no prazo legal).

A autora sustenta que manteve relacionamento amoroso com o réu, de outubro de 2014 a junho de 2015, durante o qual passou a fazer-lhe empréstimos, seja por meio de transferência bancária, seja por entrega em espécime, perfazendo, ao final, um total de R$ 28.800,00. Após o término do relacionamento e não obtendo sucesso em ter de volta os valores vertidos, ingressou com ação judicial pleiteando a condenação do réu ao pagamento dos empréstimos, bem como a indenizá-la por danos morais.

Em sua defesa, o réu afirma que os valores transferidos para sua conta foram utilizados em benefício do casal, sem a obrigação de restituí-los. Contudo, não juntou aos autos qualquer prova que pudesse demonstrar sua alegação. Some-se a isso o fato de confirmar ter feito proposta de pagamento de valores, de forma parcelada, "apenas para se ver livre das cobranças". Ao que o juiz concluiu que "de fato, [o réu] reconheceu que os valores não lhe foram doados e, portanto, tinha a obrigação de devolvê-los".

Quanto à alegada entrega de valores em espécime, o julgador entendeu temerária a condenação do réu, primeiro porque tal fato foi veementemente negado por ele, e segundo, porque, ao não comprovar a transação, a autora assumiu o risco do insucesso em sua restituição. Tal entendimento alcançou também os valores creditados na conta do réu, sem comprovação de que foram oriundos de dinheiro ou saques da autora. Na hipótese, comprovadas tão somente as transferências para a conta do réu, no valor total de R$ 11.300,00, o juiz condenou-o a restituir tal quantia, acrescida de juros legais.

No que tange ao pedido de indenização, o julgador anota que "o simples término do relacionamento, independentemente dos motivos, por si só, no meu entendimento, não são suficientes para gerar indenização por danos morais, porque, senão um simples namoro transformaria na obrigação de relacionamento pela vida toda. Evidentemente que não pode ser assim, sobretudo na modernidade de hoje". E prossegue: "Penso que devemos valorizar a separação das questões sentimentais com as financeiras, senão estaríamos mercantilizando algo tão puro e íntimo que não conseguiríamos prever o resultado". Diante disso, concluiu: "Por isso, não tenho a menor dúvida de que os pedidos de indenizações por danos morais, na hipótese aventada, não merecem acolhimentos".

Ainda sobre a alegação originária do réu, de que o dinheiro que lhe foi repassado seria fruto de uma doação e que a demanda judicial teria sido movida apenas como forma de vingança, o Colegiado explica que cabia a ele comprovar a doação, uma vez que o Código Civil, em seu artigo 541, impõe a formalização de tal ato por meio escrito, não sendo possível prová-la por nenhum outro meio.

Já a autora conseguiu provar, além dos depósitos bancários realizados diretamente na conta do réu, conversas em aplicativo eletrônico, nas quais o réu confessa dívida no valor de R$ 20 mil. Sobre a prova, o Colegiado destacou que a jurisprudência tem admitido a produção de prova decorrente de conversas pelo aplicativo "whatsapp", conforme precedente deste Tribunal. Diante disso, a Turma reformou parcialmente a sentença para condenar o réu ao pagamento do valor por ele reconhecido, corrigido monetariamente.

Processo: 2016.04.1.003409-3



sábado, 11 de fevereiro de 2017

Estaria o papa Francisco na mira de Donald Trump?

"Rade vetro, Trumpana..."

É o que se suspeita a partir das movimentações do principal assessor do presidente norte-americano, segundo publica o IHU:

Steve Bannon também procura desestabilizar o Papa Francisco? É o que sugere reportagem do New York Times

O estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, busca alianças com o setor conservador do Vaticano e opositor ao Papa Francisco, revelou, neste dia, o jornal The New York Times.

A reportagem é publicada por Sin Embargo, 07-02-2017. A tradução é do Cepat.

A matéria publicada no dia de hoje menciona que o estrategista-chefe dos Estados Unidos estabeleceu contato com o cardeal estadunidense Raymond Burke. Os dois acreditam que “o Islã ameaça ruir um Ocidente prostrado e fragilizado pela erosão dos valores cristãos tradicionais e se consideram injustamente marginalizados pelas elites políticas”, destacou o influente jornal.

“Quando Stephen K. Bannon ainda dirigia o Breitbart News, foi ao Vaticano para cobrir a canonização de João Paulo II e fazer alguns amigos. No alto de sua lista de pessoas a contatar estava um cardeal estadunidense ultraconservador, Raymond Burke, que havia se confrontado abertamente com Francisco”, destacou a nota do Times.

O jornal ressaltou que Francisco deixou de lado os tradicionalistas, especialmente o cardeal Burke, e apostou em uma agenda em favor da migração, mudança climática e pobreza.

“No entanto, em um mundo novo e turbulento, Francisco é de repente uma figura mais solitária”, considerou a nota escrita por Jason Horowitz, que também ressaltou que o ex-presidente Barack Obama era visto como um aliado do Papa.

O jornal também destacou que Bannon tem a ideia de que o Papa está “perigosamente equivocado” e que “provavelmente é socialista” por deixar de lado a Igreja mais tradicional, como a que Burke representa. Os conservadores viram em Trump “um líder alternativo que defenderá os valores cristãos tradicionais contra os intrusos muçulmanos” e que poderá trazer mudanças à estrutura de poder católica nos Estados Unidos.

Em uma conferência do Vaticano, organizada por Benjamin Harnwell, homem de confiança do cardeal Burke, Bannon expressou publicamente sua visão de mundo e deixou claro que compartilha os objetivos do Papa em assegurar a paz e acabar com a pobreza, mas não suas ideias sobre como conseguir isto. Essa fala obteve a aprovação dos conservadores.

“Ao reconhecer alguém que se sacrificou com a finalidade de permanecer fiel a seus princípios e que está lutando contra o mesmo tipo de batalha no âmbito cultural, não me surpreende que haja um encontro”, disse quem organizou a reunião de 2014, durante um almoço entre religiosos, segundo o Times.

E acrescentou: “Não quero passar minha vida lutando contra o Papa em questões que não mudarei de opinião [...]. Muito mais valioso para mim seria passar o tempo trabalhando construtivamente com Steve Bannon”.

O texto recordou que o poderoso estrategista do magnata em certa ocasião destacou que Burke é “a pessoa mais inteligente em Roma”.

O extenso texto também ressaltou que “o cardeal Burke se tornou um defensor dos conservadores nos Estados Unidos e que sob a direção de Bannon, Breitbart News instou seu correspondente em Roma a escrever com simpatia sobre ele”.

Antonio Spadaro, sacerdote próximo a Francisco e editor da revista La Civiltà Cattolica, expressou que a força assumida pelos supostos opositores ao atual Papa existe mais “em nível de imagem” e de “propaganda”.

Nancy Pelosi, líder da minoria democrata na Câmara de Representantes, qualificou o líder estrategista do Presidente Trump, na semana passada, como “supremacia branca” e disse que não tem nada a fazer no Conselho de Segurança Nacional.

Pelosi não mencionou Steve Bannon por seu nome, mas estava se referindo ao ex-diretor do Breitbart News, um portal conservador.

“O que está tornando os Estados Unidos menos seguro é ter um supremacista branco como membro permanente do Conselho de Segurança Nacional, ao passo que ao chefe do Estado-Maior Conjunto e ao diretor de Inteligência Nacional dizem: ‘não chamem, nós lhes chamamos”, enfatizou Pelosi.

“É surpreendente”, acrescentou a legisladora.

Trump tornou Bannon um membro regular do poderoso Comitê de Diretores do conselho, o que também lhe permite participar das reuniões da plenária do conselho.

Além disso, o Presidente deixou o chefe do Estado-Maior Conjunto e o diretor de Inteligência Nacional fora de suas posições como membros regulares do Comitê de Diretores, e só poderão participar das reuniões quando “forem discutidos assuntos concernentes a suas responsabilidades e experiência”, segundo um memorando de Trump.

Sob a condução de Bannon, Breitbart cresceu até se tornar uma das vozes mais poderosas da direita do país. Os críticos acusaram Bannon de ter permitido que o portal de internet se convertesse em uma plataforma para nacionalistas brancos, uma acusação que Bannon refutou.

Como estrategista de Trump, Bannon tem muita influência sobre a agenda de governo, incluindo o decreto para suspender o programa de refugiados dos Estados Unidos.

O Conselho de Segurança Nacional assessora o presidente sobre política exterior, militar e interna no que diz respeito à segurança da nação. Por lei, o presidente, o vice-presidente, o secretário de Estado, o secretário de Defesa e o de Energia são membros. Também por lei, o presidente do Estado-Maior Conjunto e o diretor de Inteligência Nacional são assessores do conselho.



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

As freiras peruanas que montaram uma banda de rock


É, "Mudança de Hábito" existe na vida real, que o diga a BBC Brasil, com vídeo mais abaixo:

O grupo de rock formado por freiras que já fez show para o papa

Uma banda de rock peruana composta totalmente por freiras virou uma sensação na internet - elas já se apresentaram até para o papa Francisco.

Segundo a irmã Mônica Nobl, o grupo musical, chamado Siervas ("Servas" em espanhol), se formou em um convento em Lima.

Conversando sobre música, as freiras perceberam que várias delas sabiam tocar diferentes instrumentos.

“As pessoas se esquecem de que as freiras eram pessoas normais antes de se tornarem freiras. Nós somos como você, nós ouvimos música pop e rock a vida toda”, disse a religiosa.

A banda compôs músicas e gravou vídeos que viralizaram - para encontrá-la nas redes sociais, basta procurar por @SiervasMusica.

As freiras se apresentaram para o papa Francisco durante uma visita dele ao México.

Depois disso, passaram a receber convites para se apresentar em diversos países.

“Nós vamos para onde Deus aponta. Não temos planos preestabelecidos”, contou a irmã Mônica Bobl.





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Garoto africano abandonado por "bruxaria" ganha vida nova 1 ano depois

O menino chamado Hope ("Esperança" em português), um ano depois de ser resgatado, tudo a ver. 

A matéria é do G1 Mundo:

Um ano depois, menino abandonado por 'bruxaria' tem foto recriada na Nigéria

Hope, de três anos, começou a frequentar escola exatamente um ano após ser resgatado desnutrido e vagando pelas ruas por voluntária dinamarquesa.

Exatamente um ano após ser resgatado das ruas desnutrido e abandonado, acusado de bruxaria, o menino Hope começou esta semana a frequentar uma escola na Nigéria. A dinamarquesa Anja Ringgren Lovén, que o retirou das ruas, recriou a foto do dia em que o encontrou pela primeira vez, em 30 de janeiro de 2016, e deu a ele água.

Desta vez, porém, Hope aparece bastante saudável, usando tênis e roupas novas e com uma pequena mochila nas costas. As duas imagens têm exatamente um ano de diferença, segundo Anja, mas a de 2017 marca o primeiro dia em que o menino de três anos foi para a escola.

No ano passado, a imagem da dinamarquesa dando água e biscoitos ao menino, nu e extremamente magro, impressionou pessoas em todo o mundo e ajudou a arrecadar mais de US$ 1 milhão, segundo o jornal britânico “Independent”.

Oito semanas depois, Anja divulgou novas fotos que mostravam a primeira etapa da recuperação de Hope, já com uma aparência completamente diferente e brincando com outras crianças na instituição que ela mantém com seu marido, David.

Há quatro anos o casal criou a African Children’s Aid Education and Development Foundation, uma instituição que abriga mais de 30 crianças, todas abandonadas após serem acusadas de bruxaria.

Em uma entrevista ao Huffington Post, Lovén contou que em sua primeira visita à Nigéria conheceu uma criança que havia sido espancada quase até a morte por causa da superstição. Sem conseguir esquecer o caso, ela vendeu tudo o que tinha na Dinamarca e se mudou para o país africano, onde criou a fundação.

Ela contou ainda que, em janeiro de 2016, recebeu um telefonema com o aviso de que um menino com idade entre dois e três anos estava sozinho nas ruas e sobrevivendo com restos de comida que algumas pessoas davam a ele. Foi então que ela encontrou Hope, que passou oito meses abandonado.

O menino passou por uma transfusão de sangue e um tratamento para eliminar vermes e foi submetido a uma cirurgia para corrigir um defeito congênito na uretra.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O cantor que transforma música gospel em canto de umbanda


A matéria foi publicada no Extra em 27/01/17:

Ògúntúndéléwa, um talento afro gospel

O alagoano Mario Ferreira é desde criança encantado pela música e pela cultura afro. Aos 18 anos, foi iniciado no Candomblé pelo Babalorixá José Roberto de Òsun, mas completou suas obrigações religiosas com o Babalorixá Altair T’Ògún, que deu-lhe o título de Ògúntúndéléwa (Ògún retornou para casa).

Com Pai T’Ògún aprendeu yorùbá (língua de origem nigeriana, usada na comunicação do Candomblé Kétu). Com o aprendizado do idioma yorùbá, Ògúntúndéléwa passou a interpretar os cânticos para os Orixás, e por sugestão de um amigo, chamado Hunvá, decidiu fazer uma versão em yorùbá da canção gospel lançada em 2008 por Régis Danese, ‘Faz Um Milagre em Mim’. Em 2009, esta canção atingiu recorde de execuções, tornando-se um hit popular em todo o país. Ela foi regravada por vários grupos musicais, como Pique Novo, e cantores como Gusttavo Lima. A cantora evangélica Aline Barros e o Padre Marcelo Rossi também cantaram a canção.

Ainda no ano de 2009, Ògúntúndéléwa foi convidado a cantar sua versão na 3ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, em Copacabana. A apresentação foi um sucesso e lhe rendeu um convite feito pelo Babalorixá Jair de Ògún para cantar em um evento na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Ògúntúndéléwa diz que uma de suas propostas musicais é transformar louvores gospel na língua dos Orixás, demonstrando assim respeito por evangélicos e católicos. “A vida é curta demais para se ocupar com diferenças e preconceito. A música unifica os povos, por isso desejo promover a paz através da canção!”

Canção: Faz Um Milagre Em Mim

De: Regis Danese

Como Zaqueu eu quero subir
O mais alto que eu puder
Só pra Te ver, olhar para Ti
E chamar sua atenção para mim
Eu preciso de Ti Senhor
Eu preciso de Ti o pai
Sou pequeno demais
Me dá a Tua paz
Largo tudo pra Te seguir

Refrão: Entra na minha casa, entra na minha vida
Mexe com minha estrutura, sara todas as feridas
Me ensina a ter santidade
Quero amar somente a Ti
Porque o Senhor é meu bem maior
Faz um milagre em mim!

Versão na língua yorùbá da canção: Faz Um Milagre em Mim

Por: Mario Ferreira - Bàbá Ògúntúndéléwa

Título: Sé isé-amí tikalami

Bási òòsà èmi fé gókè
Sókèsókè nón ki èmi lé
Òkúrú sí ojú, ojú sí ènyin
Npè rè àfiyèsí fún mi
Èmi lè ti ènyin Olúwa
Èmi lè ti ènyin Bàbá
Kékéré rè kéré
Fún mi àlàáfíá
Sé gbogbo sí lówó-ehin
Kósínú ilé mí, kósínú ayé mi
Sodi pèlú mi ènìòn, wòsàn won gbogbo ogbé
Èkó fún mi ní Òrìsà, èmi fé ìfé ènyin
Olódùmare ní dára fírí mi
Sé isé-amí tikalami
Lààyè orin! (Viva a música!)
Axé!



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