quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Presos oram e citam Salmo 17 durante rebelião e matança no RN


A matéria foi publicada no Congresso em Foco, onde pode ser ouvido o áudio a que eles se referem:

Em áudio atribuído ao PCC, criminosos comemoram massacre no RN, fazem oração e dizem que guerra em presídios não acabou

Áudio atribuído a lideranças da facção criminosa no Ceará mostra que confronto dentro das cadeias está longe de acabar. “Não pensem nossos inimigos que estaremos de brincadeira. Quem tocar em um PCC será morto.” Um dos presos lê passagem bíblica

POR EDSON SARDINHA E JOELMA PEREIRA

A Secretaria de Justiça e da Cidadania do Ceará informou ao Congresso em Foco que o serviço de inteligência da pasta analisa a veracidade de uma gravação atribuída a presidiários que se identificam como lideranças da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado. No áudio, que circula pelo Whatsapp, eles comemoram o massacre que resultou na decapitação de 26 detentos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, no último fim de semana, afirmam que a “guerra não acabou” e fazem uma oração pelos colegas de facção assassinados em confrontos em outros presídios no início deste ano.

No início da gravação, um dos interlocutores declara que fala diretamente da Privação Provisória de Liberdade (CPPL) III, em Itaitinga, “QG (Quartel General) do 15 (PCC)” para “dar um grito de guerra em vitória aos nossos irmãos do Rio Grande do Norte”. Em seguida, um preso que se apresenta como “Irmão Trovão” anuncia como uma vitória o massacre no Rio Grande do Norte. “Vencemos hoje o nosso maior inimigo do Nordeste, o Sindicato do RN não existe mais. Tá ligado (sic), meus parceiros?” A fala é sucedida por gritos de comemoração.

Em seguida, o interlocutor diz que a facção pode dar a “volta por cima, com inteligência, sabedoria e disciplina” no Ceará e ainda sugere uma estratégia para que isso ocorra: “Nessa hora temos de ser muito cautelosos, batizar em sigilo nas cadeias desse estado do Ceará. Nós não perdemos a guerra, só a batalha”. “Vamos ter cautela. Os que nós perdeu (sic) nós vamos recuperar, dia e noite, nós vamos recuperar”, acrescenta.

Salmo 17

O criminoso, então, passa a fazer uma oração – uma versão resumida do Salmo 17 – pelos companheiros de facção mortos e em homenagem aos seus familiares. “Vamos fazer oração aos nossos irmãos que se foi (sic) nessa luta, nessa guerra, que é o nosso sangue. Vamos incansavelmente lutando dia e noite pela nossa família do PCC. Suas famílias ficaram aí, seus parentes, nós estamos aqui”.

“Ouve, Senhor, a justiça; atende ao meu clamor; dá ouvidos à minha oração, que não é feita com lábios enganosos. Saia a minha sentença perante o teu rosto e a razão. Provaste o meu coração; visitaste-me de noite e nada acha. Propus que meu coração não transgredirá tanto pelo trato quanto pela tua palavra. Me guarde das veredas do destruidor. Dirige os meus passos nos teus caminhos, para que as minhas pegadas não vacilem. Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir. Guarda-me como a menina que dá sobeja às suas crianças. Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça quando eu acordar”, lê o presidiário.

Segundo a Secretaria estadual de Justiça e Cidadania, o material será analisado e, caso seja confirmada a sua veracidade, “as medidas necessárias serão adotadas”. No Ceará, os presos foram separados por facções para evitar confronto logo após o massacre que resultou em 56 mortes no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, na virada do ano. Os crimes no Amazonas foram atribuídos à Família do Norte (FDN), ligada ao Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, rival do Primeiro Comando da Capital. Uma semana depois, em Roraima, novo massacre resultou em 31 mortos, vinculados ao Comando Vermelho e à FDN. A autoria foi atribuída ao PCC. Até o momento não houve registro de incidentes nas cadeias do Ceará. Após a divulgação do áudio, porém, policiais reforçaram a vigilância de algumas unidades prisionais no estado.

No último sábado, 26 presos foram assassinados e decapitados no Rio Grande do Norte pela organização criminosa paulista. Os mortos eram do Comando Vermelho, da FDN e do Sindicato do Rio Grande do Norte.

Em seguida, outro preso, que se apresenta como “Irmão Cigano” faz ameaças. “Não pensem nossos inimigos que estaremos de brincadeira. Quem tocar em um PCC será morto. Se tocar em nossas famílias, receberão a resposta à altura, porque unidos…”, afirma. “Venceremos”, completam os demais presidiários. O áudio é encerrado aos gritos de 1533 – em alusão ao P (15ª letra do alfabeto) e ao C (terceira letra).



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Quem nos protegerá de Trump?

Marcelo Rubens Paiva tenta responder essa angustiante questão em coluna interessante publicada no Estadão de 14 de janeiro de 2017:

Aprender com o erro

Foi a ameaça de extinção em massa que freou a corrida armamentista da Guerra Fria

Os genes humanos cederam sua primazia na evolução dos homens a um agente completamente novo, inédito, não biológico, a cultura. Mas não devemos nos esquecer que tal agente novo e original é completamente dependente dos anciões genes humanos para existir. Aliás, foi feito pelos genes humanos, ser social que começou entre grupos de caçadores e colhedores coletivos, e que passou a pintar cavernas, compor músicas e contar histórias. Este é um dos pilares da sociobiologia de Theodosius Dobzhansky e Edward Wilson. Mas o que é cultura? Música, poesia, pintura, dança, esporte, folclore, festas familiares, jogos, religião, filosofia, narrativas e muito mais.

É culinária, confecção, decoração, previsão do futuro, contrato social, casamento, compreensão dos astros, calendário, divisão do ano em estações, meses, dias, horas, controle do tempo, ter noção do antes e depois, da vida e da morte.

É altruísmo (por incrível que pareça, poucas espécies o tem), tabu do incesto (aqui, há divergências, já que alguns acreditam que haja uma aversão natural de se afastar de alguém com quem conviveu na infância por mais de seis anos, o que aumenta a chance de diversificação genética do grupo), divisão entre infância e puberdade, rituais que celebram o princípio da fertilidade, cura pela fé, mitologia, divisão em castas, análise de sonhos, medicina, drogas psicoativas, educação.

Cultura é penteado, tatuagem, colares, cocares, fabricação de armas, utensílios para caça, cozinha, higiene pessoal. E ética, governos, Estado, nomes, nomes familiares, classificação das coisas, das cores, números, regras de convívio, rituais, leis, sanções penais, exílio ou banimento, superstições, correspondências, sinais e documentos.

Antropólogos e os pioneiros da sociobiologia costumam delimitar os avanços da humanidade como parte do alcance genético. Todas as particularidades da cultura humana têm explicações genéticas, fazem parte da evolução. Como entender Trump pela Teoria da Evolução, já que pode levar ao colapso das relações sociais.

É famosa a hipótese de Robin Fox. Que foi reproduzida em termos no clássico O Senhor das Moscas, de William Golding (Nobel de 1983), e recentemente no filme alemão A Onda, em que um professor de história prova que é possível, sim, que o nazismo possa voltar à Alemanha do novo milênio, numa experiência radical pedagógica que serve àqueles que não acreditam que tamanha insanidade coletiva um dia ocorreu.

Como seria se mandássemos bebês a um cenário isolado, uma ilha, um planeta, em que sobrevivessem sem contato conosco? Como seria a civilização criada por eles? Aprenderiam a se comunicar uns com outros? Teriam fala, escrita? Seus descendentes teriam inventado uma língua completamente diferente das existentes entre nós? Esta língua teria vários troncos? Seria possível nós entendermos esta ou estas línguas? Seria possível traduzi-las? Elas seguem os mesmos princípios de uma linguagem humana?

Fox vai longe. Esses exilados autônomos, se sobrevivessem ao isolamento, construiriam uma sociedade que teria governo, leis de propriedade, regras sobre o casamento, costumes sobre tabus, métodos para resolver conflitos sem derramamento abusivo de sangue, crenças no transcendente e sobrenatural (religião), práticas religiosas, mitos e lendas, narrativas orais, educação, sistema de status social, cerimônia para iniciação dos jovens, práticas de corte como enfeites para homens e mulheres, pinturas corporais, jogos, regras, disputas, prêmios, indústria de fabricação de ferramentas, armas, adultério, suicídio, psicoses, neuroses, curandeiros, família, guerras e pacificação.

Se a roda não tivesse sido inventada, seja lá onde ela foi inventada, outro povo a inventaria. Se Gutenberg não tivesse inventado a prensa mecânica, alguém a inventaria. Se o tear mecânico não tivesse sido inventado, alguém o inventaria. O avião foi inventado ao mesmo tempo por Santos Dumont e pelos irmãos Wright. Assim como a Teoria da Evolução.

O mundo está assustado. Procura nos manuais de ciência política explicações para a eleição de Trump. Ele é uma releitura de Silvio Berlusconi, o empresário não político, que admira Nixon e Reagan, do ideário republicano radical, somado ao ódio histérico fomentado pelo macarthismo, que o desencanto com a política e com a elite liberal levou ao poder.

Trump é perigoso. Escolheu os imigrantes como o senador Joseph McCarthy escolheu os comunistas, para numa caça às bruxas governar sem projeto. É uma aberração política? É explicado pelo darwinismo social?

As crianças isoladas inventariam a República e a paz entre cidades, o reino e a promessa de estabilidade, a guerra total de Hitler e depois a paz, Trump, o conflito extremo, e a democracia e o Estado de bem social.

Trump é a razão para a existência de Trump: é preciso identificar e entender o ódio, eventualmente, para explicar como é fundamental para a sobrevivência da espécie a tolerância, a ética e o altruísmo.

Foi a ameaça de extinção em massa que freou a corrida armamentista da Guerra Fria. Foram as bombas de Hiroshima e Nagasaki que impediram a detonação rotineira de outras em cidades habitadas.



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Garoto americano morre após pais adotivos orarem em vez de buscar um médico

Seth Johnson, um sorriso que se apagou devido à negligência e ao fanatismo de quem devia cuidar dele... 

Tristemente, mais uma demonstração de que a religiosidade não serve para desmascarar a depravação humana. A matéria é d'O Globo:

Menino morre 'após seus pais rezarem em vez de chamar um médico'

Criança teve pancreatite aguda e infecção generalizada; Pais são acusados pela polícia

PLYMOUTH, EUA — Um menino 7 anos de idade morreu após seus pais rezarem por ele em vez de levá-lo ao hospital, alega a promotoria pública do estado americano de Minnesota. Os pais, Timothy e Sarah Johnson, foram indiciados por negligência e devem comparecer ao tribunal este mês.

Por semanas, o menino Seth Johnson sofreu de pancreatite aguda e sepse — infecção geral grave —, mas nunca foi levado pelos pais para se consultar com um médico. De acordo com a Justiça, o garoto chegou a ser deixado em casa sozinho sob os cuidados do irmão de 16 anos para os pais irem a um casamento num fim de semana. Na volta, com o filho em um estado de saúde mais crítico, os pais simplesmente oraram para ele e o colocaram para dormir. Apenas quando Seth foi encontrado incosciente e coberto de vômito, os pais ligaram para a polícia.

— Não podemos compreender como um pai deixaria um filho de 7 anos muito doente aos cuidados de um adolescente de 16 anos para que pudesse sair no fim de semana — disse ao "Independent" Mike Freeman, promotor do condado de Hennepin. — Nem podemos compreender como os pais se recusaram a voltar para casa no domingo de manhã para cuidar de seu filho doente quando eles foram avisados de sua condição grave. Também é difícil compreender por que os pais não chamaram uma ambulância no domingo à noite para obter imediatamente ajuda médica quando finalmente chegaram em casa.

PAIS DISSERAM TER 'PROBLEMAS COM MÉDICOS'

Segundo Freeman, apesar de Timothy e Sarah Johnson terem presunção de inocência, a equipe da promotoria usará todos os recursos para que eles sejam considerados culpados.

Um documento de cinco páginas elaborado pelos promotores explica como o casal conheceu Seth aos 3 anos de idade, adotou-o aos 4 anos e o educou em casa. Segundo este mesmo documento, o casal afirmou que o comportamento do menino mudou nas semanas que antecederam sua morte, em 29 de março de 2016. Ele parou de dormir, desenvolveu bolhas nas pernas, lesões nos calcanhares, passou a levar cerca de duas horas para fazer as refeições e, às vezes, jogava-se pelas escadas.

Mas, aparentemente, eles nunca procuraram ajuda profissional porque tinham "problemas com médicos", de acordo com o documento. Em vez disso, eles mesmos diagnosticaram o garoto com transtorno de estresse pós-traumático e lesão cerebral traumática.

Segundo a polícia, o casal afirmou que o menino tinha sido previamente diagnosticado com problemas identificados como síndrome alcoólica fetal e transtorno de apego reativo — quando se sofre de negligência infantil. No entanto, a clínica que os pais deram como referência para a polícia checar essas informações afirmou que não tinha nenhum registro de já ter tratado o menino alguma vez.

Suas feridas foram alegadamente tratadas com pomada antibiótica Neosporin e "mel medicinal". Quando os pais voltaram para casa, na noite em que o menino morreria, eles "oraram por sua saúde", e, depois de darem banho nele, colocaram Seth para dormir. Somente depois de o pai encontrá-lo inconsciente e coberto de vômito, a mãe ligou para a polícia.

O caso não é o primeiro assim a acontecer. No Canadá, um casal cristão teria rezado por duas horas para seu filho diabético que estava morrendo, sem levá-lo ao hospital. E, em outra ocasião, um pai foi preso por se recusar a procurar tratamento médico para seus filhos por causa de crenças religiosas.



Crânio de Mengele vira material didático na USP

A informação é do Estadão:

Ossos de médico do Holocausto são usados em classe de Medicina em SP

Restos mortais de Josef Mengele, que conduziu experimentos em Auschwitz, viraram objeto de pesquisa na USP

SÃO PAULO - Por mais de 30 anos, os ossos de Josef Mengele, médico alemão que conduziu experimentos em milhares de judeus em Auschwitz, ficaram esquecidos em um saco plástico azul no Instituto de Medicina Legal (IML) em São Paulo.

O doutor Daniel Romero Muñoz, que liderou a equipe responsável pela identificação dos restos de Mengele em 1985, viu uma oportunidade de dar a eles uma utilidade. Há vários meses, o diretor do Departamento de Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) obteve permissão para usá-los em estudos de Medicina Forense. Hoje, seus estudantes estão aprendendo a profissão estudando os ossos de Mengele e os conectando com a história de vida do homem conhecido como "Anjo da Morte".

"Os ossos serão úteis para ensinar como examinar os restos de um indivíduo e então confrontar a informação com dados de documentos relacionados àquela pessoa", disse Muñoz, recentemente, cercado de estudantes.

Mengele morreu há quase quatro décadas quando se afogou na costa do Estado de São Paulo. Ele esteve foragido por anos, escondido enquanto era procurado por conduzir experimentos em presos e por ter mandado milhares deles para a câmara de gás durante a 2ª Guerra Mundial.

"A vida de foragido de Mengele, e o mistério sobre o seu paradeiro, são parte do que faz seus ossos uma ferramenta útil de aprendizagem", disse Muñoz. "Por exemplo, examinando os restos dele, vimos que a pélvis esquerda estava fraturada", disse, acrescentando que a "informação encontrada em seu histórico militar dizia que ele tinha fraturado a pélvis em um acidente de moto em Auschwitz", o notório campo de concentração na Polônia.

Segurando o crânio de Mengele, Muñoz apontou para um pequeno buraco no lado esquerdo do osso da bochecha, que ele disse ter sido o resultado de um sinusite de longa duração. Muñoz disse que o casal alemão que recebeu Mengele no Brasil informou à polícia que ele frequentemente sofria de abscessos dentários que ele mesmo tratava com uma lâmina.

"Não me sinto bem (a respeito do uso dos ossos de Mengele para estudo)", disse Cyrla Gewertz, uma sobrevivente do holocausto de 92 anos. "Já tenho muitas memórias dolorosas dele, do que ele me fez e a outros em Auschwitz. Essas são memórias que não posso apagar da minha mente."

Depois da guerra, Cyrla, que disse ter sido internada também em outros campos de concentração como Ravensbruck e Malchow, foi para a Suécia, onde viveu por sete anos e onde conheceu e se casou com seu marido com quem veio ao Brasil em 1952.

Polonesa, Cyrla tem uma tatuagem no seu braço esquerdo a identificando como uma prisioneira de Auschwitz: A24840. Ela disse ter ficado cara a cara com Mengele em diversas ocasiões.

"(Mengele) me disse para tirar a roupa e entrar em uma caldeira com água extremamente quente", disse Cyrla em uma entrevista em seu apartamento em São Paulo. "Eu disse que a água estava muito quente e ele disse que se não fizesse o que ele mandava, me mataria. Depois, tive que entrar em uma caldeira com água congelante." Cyrla disse ter visto uma vez Mengele matando uma bebê recém-nascida jogando-a do topo da instalação do quartel. "Ele era uma pessoa má e perversa", ela disse. "Era um torturador."

Depois da guerra, diante do julgamento ao qual foram submetidos os membros de liderança do 3º Reich de Adolf Hitler, Mengele fugiu para a Argentina e morou em Buenos Aires por uma década.

Ele se mudou para o Paraguai depois que integrantes da agência israelense Mossad capturou o cabeça Adolf Eichmann, que também morava em Buenos Aires. Em 1960, ele chegou a São Paulo, onde recebeu abrigo do casal alemão Wolfram e Lisolette Bossert e de uma família de imigrantes húngaros.

Mengele, então com 67 anos, morreu enquanto nadava na praia da cidade de Bertioga em 1979. O casal Bossert o enterrou em Embu, nos arredores de São Paulo sob o falso nome de Wolfgang Gerhard. Anos depois, autoridades alemãs interceptaram uma carta enviada pelo casal à família de Mengele com a notícia da morte. Eles alertaram as autoridades brasileiras.

Em 1985, seu corpo foi exumado. Equipes da Alemanha, Israel, Estados Unidos e Brasil confirmaram que se tratava de Mengele, usando métodos incluindo a análise de testemunhos de pessoas que o conheceram no Brasil, comparando sua caligrafia em cartas apreendidas e estudando o crânio recuperado para checar se era compatível com fotos antigas.

A professora Maria Luiza Tucci Carneiro, historiadora que coordena o laboratório de estudos étnicos, racismo e discriminação da USP disse esperar que o aprendizado da classe chegue eventualmente além da ciência para a história e a ética. Estudantes devem também aprender "como médicos, psiquiatras e outros cientistas de relevância estavam a serviço do Reich, emprestando conhecimento para excluir grupos étnicos classificados como pertencentes a raças inferiores", disse Maria Luiza. "Uma exclusão que culminou em genocídio.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Italianos esperam fim do mundo após nevar em praia do Adriático

Viria da "bota" italiana o chute final? 

A praia de Salento fica na região da Puglia, mais conhecida como o salto da "bota" italiana.

A matéria é do Estadão:

Neve em praia italiana lembra profecia sobre fim do mundo

Neve cobre partes do sudeste do país e alguns supersticiosos acreditam que previsões do 'Nostradamus italiano' podem estar se tornando realidade

A Itália parece um pouco preocupada com o fim do mundo. Esta semana, a neve cobriu partes do sudeste do país, especialmente em Salento, e alguns supersticiosos agora acreditam que as previsões do astrólogo e filósofo Matteo Tafuri, o Nostradamus Italiano, podem estar se tornando realidade.

Séculos atrás, Tafuri previra que se nevasse por dois dias consecutivos na cidade litorânea de Salento seria o sinal do Armagedon. Como dezenas de usuários do Twitter e do Instagram têm relatado e postado, a neve já cai na cidade há alguns dias.

Matteo Tafuri, que nasceu em 1492 e morreu em 1582, advertira: “Salento de palmeiras e vento sul moderado. Dois dias de neve, dois raios no céu. Eu sei que o mundo terminará, mas eu não sentirei saudade”.

O evento ocorreu alguns dias após uma pintura da Virgem Maria na Macedônia derramar lágrimas reais, segundo especialistas, algo que também estaria relacionado com o fim do mundo, como lembrou o jornal Daily Mail.



domingo, 15 de janeiro de 2017

Mãe evangélica gera gêmeos para filho gay


A matéria é do CGNet:

Mãe ‘empresta’ barriga para gerar 
gêmeos do filho e do genro

Por amor incondicional ao filho, Ana Maria Aranha, de 58 anos, é hoje mãe e avó de Pedro Henrique e João Lucas...

Por amor incondicional ao filho, Ana Maria Aranha, de 58 anos, é hoje mãe e avó de Pedro Henrique e João Lucas, de apenas três meses. Ela enfrentou a resistência religiosa e aceitou ceder o útero para gerar os filhos de Luis Henrique Aranha, seu próprio filho de 32 anos, e seu marido, Gustavo Salles, de 26. A família vive em Capivari, cidade no interior de São Paulo.

Luis e Gustavo estão casados há mais cinco anos e estavam na fila para adoção. Como não conseguiram, optaram por procurar uma ‘barriga solidária’. Quando a procura começou, dona Ana logo se prontificou. “Queria ajudá-los de qualquer forma, mas tinha o problema da idade”, contou ao Estado de São Paulo.

A partir daí, Gustavo entrou em contato com uma clínica de fertilização em Campinas e foi informado de que o procedimento seria possível. A partir daí, Ana passou por um tratamento para devolver a elasticidade ao útero. Assim, ele poderia receber a inseminação e a família teria os bebês.

Os óvulos usados foram de uma doadora anônima. Dos dois fecundados com espermas de ambos os pais, um de cada foi escolhido para a inseminação, realizada em fevereiro de 2016. No mês seguinte, com um teste de farmácia, mãe, filho e genro descobriram que estavam ‘grávidos’.

Após uma diabete gestacional, controlada com a alimentação correta, João Lucas e Pedro Henrique nasceram no dia 5 de outubro, em uma cesariana, com 2.32 kg e 2.34 kg, respectivamente. Os bebês foram registrados em nome de Luis e Gustavo.

O único problema que a família precisou enfrentar foi o da igreja. Ana, que é evangélica, ouviu do líder que aquilo não era aceitável. “Eu segui meu coração e senti que estava cometendo nenhum pecado. Se nasceram e estão bem, é por graça de Deus”, comentou.



sábado, 14 de janeiro de 2017

Pastor Everaldo e PSC na mira da Polícia Federal


Nesses tempos bicudos em que supostos "crentes" seguem cegamente seus lobos falsos líderes, não leem a Bíblia, especialmente versículos como este: "portanto, livrando-vos de todo tipo de impureza moral e aparência de maldade, recebei humildemente a Palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa vida" (Tiago 1:21 - versão King James Atualizada), não é surpresa, lamentavelmente, encontrar gente que arrota piedade e, apesar do apoio "gospel" que faz questão de promovê-los e divulgá-los, termina se envolvendo em páginas policiais.

Depois das peripécias do ex-deputado "evangélico" Eduardo Cunha, hoje preso, o "suspeito" da vez é o indivíduo que concorreu a Presidente da República em 2014 com o nome de "Pastor Everaldo", pelo PSC - Partido Social Cristão, sobre o qual também pesam gravíssimas acusações.

A matéria é do UOL Notícias:

"Desespero total": Pastor Everaldo (PSC) pediu dinheiro a Cunha, aponta PF

Leandro Prazeres, Flávio Costa e Mirthyani Bezerra

Mensagens de celular indicam que o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, teria pedido dinheiro para seu partido ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), aponta a Polícia Federal.

Em uma dessas mensagens, realizadas no ano de 2012, quando houve eleições municipais, Pastor Everaldo chega a afirmar a Cunha que estava em "desespero total" para receber os recursos.

A informação consta nos documentos da investigação sobre o suposto esquema de liberação de recursos da Caixa Econômica Federal para as companhias --dos ramos de frigoríficos, de concessionárias de administração de rodovias e de empreendimentos imobiliários-- por meio de direcionamento político, com participação de Cunha e do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que ocorreriam em troca de pagamento de vantagens ilícitas.

Na noite de 17 de agosto de 2012, Geddel, então vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa, enviou a seguinte mensagem ao celular de Cunha: "Caso da Dinâmica de Everaldo resolvido".

De acordo com a Polícia Federal, "ao que tudo indica, essa empresa seria a Dinâmica Segurança Patrimonial, cujo sócio-administrador é Edson da Silva Torre que, conforme mensagens de Eduardo Cunha, é um sócio do Pastor Everaldo".

PSC "perturbava" Cunha e Geddel

Ainda de acordo com a PF, "embora não haja outras mensagens que confirmem se tratar diretamente desse caso da 'Dinâmica', chamou atenção outros diálogos envolvendo o Partido Social Cristão, já que em outra conversa, do dia 11/09/2012, Eduardo Cunha o questiona [sobre repasses ao PSC] pois, 'tão me perturbando', no que Geddel também informa que estariam perturbando ele também".

Em seu pedido de busca e apreensão da Operação "Cui Bono" à 10ª Vara Federal de Brasília, o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes afirma que "tendo em vista o modo de operar da dupla Geddel e Eduardo Cunha, espera-se aprofundar sobre esse assunto da Dinâmica e os repasses de valores ao Partido Social Cristão".

Em mensagens trocadas por celular, Eduardo Cunha diz a Geddel que é melhor "soltar algo eu solto sexta para aliviar tão apertados (sic)", referindo-se ao PSC, de acordo com a PF.

Em outro trecho, Cunha usa a expressão "programado originar". A PF afirma que "existe a hipótese de que o 'programado originar' sejam doações legais e que, portanto, existem recursos que não se enquadrariam nessa classificação".

Geddel cita em conversa Cunha a um número "150", que, a PF suspeita, seriam recursos destinados ao PSC na Bahia.

No mesmo dia -- 11 de setembro de 2012 -- em que Geddel fez esta referência, Cunha e Pastor Everaldo trocaram mensagens de celular, afirma a PF.

"Na conversa, Pastor Everaldo justifica a necessidade de repasse ao dizer que 'estava muito com mal seu pessoal' e acrescenta, ainda, que não é apenas o diretório do partido na Bahia que necessita de recursos, mas também o PSC do Estado de São Paulo", lê-se no documento da Polícia Federal.

Cerca de 15 minutos depois, ainda de acordo com a PF, Cunha confirma ao Pastor Everaldo "que também estaria certo para São Paulo na sexta-feira, no que o Pastor Everaldo pede alguma coisa para o dia seguinte em São Paulo".

Nesta conversa, Pastor Everaldo afirma estar em "desespero total", referindo-se à necessidade dos repasses.

PF FEZ BUSCAS NA CASA DE GEDDEL VIEIRA LIMA

No pedido de busca e apreensão, o Ministério Público aponta que Geddel agia "internamente, em prévio e harmônico ajuste com Eduardo Cunha e outros, para beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecia informações privilegiadas para outros membros do grupo criminoso".

Outro Lado

A assessoria do Pastor Everaldo afirmou que ele não se pronunciaria, pois não teve acesso aos documentos da investigação que o citam.

O PSC afirma, em nota, "não ter tido acesso a nenhuma informação referente à Operação Cui Bono". A nota acrescenta que "todas as doações feitas ao PSC obedecem à legislação eleitoral vigente e são devidamente informadas à Justiça Eleitoral por meio das prestações de contas."

Por meio de nota, um dos advogados de Cunha, Pedro Ivo Velloso, informou que a defesa do ex-deputado "não teve acesso até o momento à investigação, mas, desde já, rechaça veementemente as suspeitas divulgadas".

A reportagem tentou falar com Geddel Vieira Lima por telefone ao longo de toda a tarde desta sexta-feira, mas as ligações feitas para o seu telefone pessoal não foram atendidas.

A Caixa, por sua vez, disse, em nota, que o "banco está em contato permanente com as autoridades, prestando irrestrita colaboração com as investigações, procedimento que continuará sendo adotado".



sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Indonésia tem montanha onde sexo casual é ritual "abençoado"


A Indonésia é o país que tem a maior população muçulmana no mundo, mas pelo jeito não está livre da superstição.

A matéria é da BBC Brasil:

A montanha remota que atrai indonésios em busca de relações sexuais com desconhecidos para ritual

Rebecca Henschke

Gunung Kemukus é uma montanha em Java, a principal ilha da Indonésia, que a cada 35 dias recebe muçulmanos de todo o país para participar de um ritual insólito.

O evento acontece em uma data auspiciosa segundo o ciclo Wetonan, que sobrepõe os cinco dias do antigo calendário javanês aos sete dias do calendário moderno (7x5=35).

Quando a escuridão cai no misterioso local, os peregrinos acendem velas e se sentam em esteiras ao redor das sagradas árvores dewadaru e das raízes retorcidas de enormes figueiras.

Na montanha "mágica", há um túmulo no qual se acredita estarem guardados os restos mortais de um legendário príncipe e de sua amante.

Adultério em troca da boa sorte

"O jovem príncipe Pangeran Samodro fugiu com a rainha Nyai Ontrowulan, que era sua madastra", conta Keontjoro Soeparno, psicólogo social da Universidad Gadjah Mada em Yogyakartax, na Indonésia.

"Eles se esconderam em Gunung Kemukus."

Até o dia em que, flagrados durante uma relação sexual, foram assassinados e enterrados no cume da montanha.

Os peregrinos acreditam, assim, que se cometerem adultério nesse local serão "abençoados com boa sorte", explica Seoparno, que estudou o ritual durante 30 anos.

Por isso, Gunung Kemukus é também conhecida como a "montanha do sexo".

Regras do jogo

O ritual começa com orações e oferendas de flores ao túmulo de Pangeran Samodro e Nyai Ontrowulan.

Em determinado momento, os peregrinos devem banhar-se em um dos dois riachos sagrados da montanha. E, em seguida, fazer sexo com uma pessoa desconhecida.

"Para receber bênçãos e dinheiro, é preciso fazer sexo com alguém que não seja seu marido ou mulher. Tem de ser alguém que você não conheça", destaca Soeparno.

"Além disso, deve ser em Juman Pon (quando a sexta-feira coincide com Pon, um dos cinco dias do calendário javanês). A relação sexual tem de acontecer a cada 35 dias sete vezes consecutivas, de forma que dure em torno de um ano", explica.

"Se por algum acaso não seja possível completar as sete vezes, é preciso começar tudo de novo. Essa é a parte difícil, especialmente para quem não é tão jovem."

"O compromisso entre os dois é muito significativo: eles têm de trocar telefones e endereços, e combinar aonde vão se encontrar da próxima vez."

Comida e teto

As noites mais concorridas podem reunir até 8 mil peregrinos.

"A maioria é dona de pequenos negócios. Eles esperam que, se completarem o ritual, suas vendas vão melhorar, vão ganhar muito dinheiro e terão muito sucesso", afirma Soeparno.

Desde a década de 90, a montanha ganhou uma pequena infraestrutura para acomodar a multidão.

Além do santuário, há um restaurante onde é possível comprar chá, macarrão e amendoim. Na parte de trás dele, é possível alugar um dos dois pequenos quartos.

Vejo uma mulher de véu e um homem, ambos com cerca de 50 anos, sumindo atrás de uma cortina para completar o ritual em um dos quartos. Ao tentar entrevistá-los, eles fogem, e a dona se aproxima para pedir que deixemos o local.

"O que acontece é que eles só estão juntos aqui na montanha. Se aparecerem na TV e seus respectivos cônjuges souberem disso, terão problemas. Aconteceu isso antes com o ex-proprietário desse restaurante: um homem apareceu na TV falando com uma mulher em uma noite e seus familiares o viram. A família ficou arrasada e o casal se divorciou", afirmou.

Anteriormente, os casais faziam sexo ao ar livre, mas depois começaram a alugar quartos por valores irrisórios.

Em segredo

Dentro do santuário, Pak Slamat está lendo o Alcorão. Quando terminar, vai procurar uma amante.

"Aqui há muitas pessoas que te dizem que funciona, que antes de vir aqui seu negócio não estava dando certo e depois se recuperou. Deve ser controlado por Alá (Deus). Não há ninguém maior do que Alá", afirma.

"Se vejo uma mulher que esteja disponível, me aproximo dela. Não ligo só para a aparência. O que vem de dentro é o mais importante. Já que estamos fazendo sexo com um objetivo, nossa motivação interna deve ser a mesma", acrescenta.

Pak Slamat é casado e tem três filhos. Sua mulher não sabe onde ele está - ela acredita que ele esteja na mesquita, rezando.

"Ela não teria permitido que eu viesse para cá, mas o importante é que eu estou fazendo isso pelo bem dos negócios."

Milhares chegam sozinhos em busca de um acompanhante. Os que estão no meio do ritual devem encontrar o(a) mesmo(a) acompanhante das vezes anteriores.

Sem laços

No santuário também está Ibu Winda, uma mulher de 60 anos vestida com uma blusa florida dourada, uma minissaia curta, meias de prata e uma jaqueta de couro. Ela ostenta um batom vermelho brilhante e seu rosto está todo maquiado.

"Tenho quatro filhos, além dos netos. Se meu marido me pergunta, digo que estou trabalhando para meu negócio funcionar bem. Se eu lhe dissesse que viria a Kemukus, ele não me permitiria vir", diz ela.

Nos últimos dez anos, Winda, que tem uma barraca de frutas no povoado onde mora, vem à "montanha do sexo" para se encontrar com o mesmo homem.

"Ele me disse que se ficasse com ele por pelo menos três anos, me levaria a Meca (Arábia Saudita) para fazer a peregrinação do Hajj (a maior importante do Islã). Ele chegou, inclusive, a vir me buscar no meu povoado. Mas eu tenho uma família, por isso só falamos por telefone. Quando viemos aqui, nos comportamos como marido e mulher", diz.

"Desde que comecei a vir com ele, meus negócios vão de vento em popa. Bendito seja Alá", completa.

Mistura javanesa

Mulheres com véus e outras com pouca roupa se misturam a homens de meia idade. Eles vão formando pares, ora debaixo de árvores ou dos bares de karaokê. O ritual, porém, não é uma prática do Islã.

Na verdade, restringe-se à Indonésia, e trata-se de uma mescla de tradições religiosas com influências islâmicas, hindus, budistas e animistas conhecido popularmente como kejawen.

Nos últimos anos, com o país caminhando rumo ao Islamismo mais ortodoxo, o governo local vem tentando encorajar uma versão mais "familiar" do evento, mais afinada aos preceitos do Islã.

As autoridades preferiam que o aspecto sexual do ritual fosse negligenciado, mas não decidiram proibi-lo.

"Esse é um lugar de turismo religioso; a religião é formada por crenças e tradições, incluindo as de nossos ancestrais", diz M. Suparno, coordenador de turismo de Gunung Kemukus.

Passagem do tempo

Até os anos 80, não havia nem restaurantes nem bares na "montanha do sexo". Só árvores.

Mas na década seguinte, Gunung Kemukus desenvolveu, inclusive, uma "zona vermelha".

Na medida em que a noite avança, as pessoas se dirigem aos bares de karaokê que se localizam ao longo dos becos perto do santuário e do túmulo. Em um deles, seis homens estão em um sofá vendo uma mulher cantar e dançar de uma maneira muito sexual.

"Costumava ser diferente. As pessoas realmente tinham relações sexuais ao ar livre. Mas o governo local decidiu que isso não era uma boa ideia e instalou cabanas de bambu. Como resultado, a prostituição tomou conta", diz Soeparno.

O professor calcula que cerca da metade das mulheres que vão à montanha são trabalhadoras do sexo.

Ritual valioso

Em todo o caso, o santuário tornou-se muito valioso em outro sentido.

Os aldeãos locais começaram a cobrar por cada veículo que entrava na área. O governo local, por sua vez, cobrava taxas tanto dos peregrinos quanto dos proprietários dos restaurantes e quartos.

Com o aumento da popularidade do ritual, o departamento de turismo passou a ganhar cada vez mais dinheiro.

Em 2014, as autoridades abriram uma clínica especializada em tratar doenças venéreas, distribuir preservativos e fazer testes de HIV.

"Quando uma tradição é praticada por tanto tempo, não é possível livrar-se dela. A prostituição brotou dessa tradição e pensei que necessitávamos de uma clínica para lidar com as consequências. Assim, podemos tornar algo negativo em positivo", indica Mohammad Rahmat, que trabalha para o governo local.

Resultados

Na "montanha do sexo", existem várias maneiras para que alcançar a "meta".

Mulheres como Dian não têm muito problema.

Com um pano rosa na cabeça e jeans, está cercada por um grupo de homens em jaquetas de couro em meio a nuvem de fumaça.

Dian já completou seu ritual, mas voltou ao local para agradecer.

"Vim porque no passado minha vida era muito difícil", diz.

"Meu marido me deixou e tenho três filhos, dois adotados e um nosso", acrescenta.

"Meus amigos me disseram que minha vida ficaria mais fácil se viesse aqui. E depois de cumprir o ritual, muitas coisas mudaram. Sinto que agora tudo está realmente mais fácil; não é como antes. O resultado foi positivo", conclui.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Mãe religiosa mata filho gay no interior de SP


As notícias ainda estão na fase inicial de divulgação, e já estão espantando a sociedade brasileira pelos requintes de crueldade.

Itaberlly Lozano, de 19 anos de idade, foi morto com uma facada na garganta e depois teve o corpo incinerado e ocultado, teria sido assassinado pela própria mãe, Tatiana Lozano Pereira, e pelo padrasto, Alex Canteli Pereira, segundo a polícia de Cravinhos (SP), onde aconteceu o crime.

A mãe já teria confessado à Polícia Civil da cidade, que fica na região de Ribeirão Preto (SP).

Segundo ela alega, o rapaz seria viciado em drogas e homossexual que "levava homens para casa", segundo a matéria do jornal A Cidade, de Ribeirão Preto.

O crime ocorreu no dia 29 de dezembro de 2016 e o corpo só foi encontrado no dia 7 de janeiro, num canavial ao lado da rodovia José Fregonesi.

O perfil de Itaberlly Lozano no facebook já está repleto de mensagens lamentando a morte do rapaz, e ofendendo sua mãe.

Curiosamente, no mesmo facebook há uma foto que mostra a família aparentemente unida e feliz às vésperas do último Natal, conforme se pode ver na foto acima.

Por outro lado, no perfil de Tatiana Lozano no facebook, onde se apresenta como Taty Lozano, há uma série de mensagens religiosas de cunho evangélico, mas ainda não se sabe qual a religião que ela segue:



Enfim, mais um episódio trágico que terá desdobramentos importantes nos próximos dias.



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Templo Positivista do RJ busca salvação após 120 anos de fundação


A matéria é do Estadão:

Igreja Positivista do Brasil tenta proteger acervo relacionado à Proclamação da República

Prédio no bairro da Glória, no Rio, está em péssimas condições

RIO - Berço de parte do ideário republicano brasileiro, a Igreja Positivista do Brasil (IPB) viu sua sede, o Templo da Humanidade, no bairro da Glória, no Rio, completar 120 anos no primeiro dia de 2017. Mas não há motivos para comemorações. O prédio, em estilo que emula o do Pantheon de Paris, está em péssimas condições, com um telhado danificado, por onde passa água da chuva – o que levou à suspensão dos cultos em 2009.

O acervo histórico que abriga, formado por documentos que mostram a relação da doutrina com o fim da monarquia e a Abolição da Escravidão, e onde até seis anos atrás estava o protótipo da bandeira nacional (um óleo roubado e nunca encontrado), está se deteriorando. A busca por patrocinadores para preservar esse patrimônio tem se mostrado infrutífera, embora a instituição já tenha obtido a chancela da Lei Rouanet para a captação de recursos.

Para reverter essa situação, os resistentes gestores estão atacando em várias frentes. Fecharam acordo com o Museu da República, no vizinho Catete, para que parte do acervo seja transferida para lá. Estão montando uma força-tarefa com os órgãos de patrimônio estadual e federal para socorrer o material e o edifício. Prospectam editais de fomento para cuidar dos documentos em papel, como cartas dos fundadores. Planejam um crowdfunding no Brasil e em países onde as ideias positivistas, do filósofo francês Auguste Comte (1798-1857) encontraram eco – França, Inglaterra e Estados Unidos. Só a reforma da sede está orçada em R$ 20 milhões. A publicação, no New York Times, de uma reportagem no Natal sobre o ocaso da IPB pode ajudar.

O positivismo religioso foi introduzido no Brasil pelos filósofos Teixeira Mendes (autor da bandeira) e Miguel Lemos em 1881, e teve como seguidores figuras centrais para a República e sua consolidação, como Benjamin Constant e o Marechal Cândido Rondon. O grupo se colocou fortemente contra a escravidão e a manutenção da monarquia e a favor do Estado laico. São atribuídas à influência positivista conquistas sociais como o direito do trabalhador ao descanso semanal, a férias e à aposentadoria. Também teve o dedo da instituição a criação do calendário republicano, com feriados em 7 de setembro, 15 de novembro e 21 de abril. “As pessoas não sabem da importância dos positivistas, confundem a IPB com religião tradicional”, lamenta o presidente da Associação de Amigos do Templo, Luiz Edmundo Costa Leite. “Se ninguém fizer nada, isso aqui vira pó”, diz o diretor da IPB, Alexandre Martins, que sonha com a criação de um centro de pesquisa. O museólogo André Angulo, responsável pela reserva técnica do Museu da República, acredita que o acervo possa reescrever a história da República no País: “Tem muita coisa guardada nas gavetas dos móveis desde o início do século 20. Ninguém leu”.

O museu receberá dois estudos da bandeira, em fase de restauro; os bustos que ficavam na nave do templo, de figuras consideradas por Comte de grande expressão, como Shakespeare, Aristóteles e Homero (equivalentes às imagens sacras da Igreja Católica); telas de Décio Villares, pintor positivista que fez o desenho da bandeira, logo após a Proclamação da República; peças de vestuário usadas em cerimônias. Ainda falta dar destino ao mobiliário, do qual faz parte uma cama que teria sido de Tiradentes.

Primeiro templo positivista no mundo, a sede é poeira pura. Andaimes sustentam o teto da nave. No friso da fachada está a máxima “O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim” –, do qual saiu o “ordem e progresso” da bandeira.



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