quarta-feira, 29 de março de 2017

Papa poderá canonizar pastorinhos de Fátima em maio


A informação do Estadão:

Pastorinhos de Fátima podem ser declarados santos no dia 13 de maio

Vaticano anunciou que o papa Francisco autorizou a canonização de Francisco Marto e Jacinta Marto

José Maria Mayrink

A postuladora da causa da canonização de Francisco Marto e Jacinta Marto, irmã Ângela Coelho, que é médica, admitiu nesta quinta-feira, 23, por telefone ao Estado que os dois pastorinhos poderão ser declarados santos no dia 13 de maio, em Fátima, se o papa Francisco quiser.

"Está tudo preparado, depende só da decisão do papa", disse a postuladora, horas depois de o Vaticano ter anunciado que Francisco autorizou a Congregação para as Causas dos Santos publicar o decreto de reconhecimento do milagre necessário para a canonização.

O miraculado, ou beneficiário do milagre, é uma criança brasileira, cuja identidade Ângela Coelho não revelou, alegando que, por enquanto, nada mais pode adiantar a respeito. Recentemente, ela comentou que (o milagre) "é bonito por isto mesmo: duas crianças cuidam de uma criança".

Francisco morreu em 1919 com 11 anos, e Jacinta em 1920, com 10 anos, pouco depois das aparições de Fátima, de 1917, quando diziam ter visto a Virgem Maria. A terceira vidente, sua prima Lúcia Santos, foi freira carmelita e morreu em 2005, aos 98 anos de idade. Irmã Lúcia já foi beatificada e também deverá se declarada santa.

A data da cerimônia de canonização de Francisco e Jacinta será anunciada em abril, duas ou três semanas antes de Francisco viajar a Fátima para a comemoração do centenário das aparições. O papa passará menos de 24 horas em Portugal e irá somente a Fátima. Acompanhará a procissão das velas e rezará o terço com os peregrinos na noite do dia 12 de maio e celebrará missa no pátio do Santuário dia 14. Depois, almoçará com os bispos português e voará de volta a Roma.



terça-feira, 28 de março de 2017

STF suspende lei alagoana da "escola sem partido"


A informação é do portal Justificando, valendo muito a pena observar a fundamentação do voto do ministro Luís Roberto Barroso:

Barroso decide pela suspensão de lei alagoana baseada no Escola sem Partido

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (21) pela inconstitucionalidade da Lei 7.800/2016, do estado de Alagoas, baseada no projeto Escola sem Partido – que se propõe a combater uma suposta doutrinação ideológica marxista nas escolas. Para o ministro, a norma não tem condições de promover uma educação sem doutrinação.

É tão vaga e genérica que pode se prestar à finalidade inversa: a imposição ideológica e a perseguição dos que dela divergem. Portanto, a lei impugnada limita direitos e valores protegidos constitucionalmente sem necessariamente promover outros direitos de igual hierarquia”, argumentou Barroso.

A lei, copiada do texto base do projeto Escola sem Partido, foi questionada por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.537, proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee). A norma propõe que sejam afixados cartazes em salas de aula com deveres do professor. Entre outros pontos, a lei estabelece “educação moral livre de doutrinação política, religiosa e ideológica”, proíbe “condutas que imponham ou induzam nos alunos opiniões político-partidárias, religiosas ou filosóficas”, e que o professor incite “seus alunos a participar de manifestações, atos públicos ou passeatas”.

Mas o que é doutrinação? O que configura a imposição de uma opinião? Qual é a conduta que caracteriza propaganda religiosa ou filosófica? Qual é o comportamento que configura incitação à participação em manifestações? Quais são os critérios éticos aplicáveis a cada disciplina, quais são os conteúdos mínimos de cada qual, e em que circunstâncias o professor os terá ultrapassado?”, questionou Barroso na decisão.

A lei determina ainda que os docentes sejam “monitorados” quanto às opiniões que defendem. Para os defensores do projeto, os estudantes são vulneráveis aos professores e podem ser “doutrinados” por eles. Barroso discordou dessa ideia e argumentou que só se tem liberdade em um ambiente livre. “Para que a educação seja um instrumento de emancipação, é preciso ampliar o universo informacional e cultural do aluno, e não reduzi-lo, com a supressão de conteúdos políticos ou filosóficos, a pretexto de ser o estudante um ser ‘vulnerável’. O excesso de proteção não emancipa, o excesso de proteção infantiliza”, escreveu.

Para o ministro, é evidente que o professor não pode atuar de forma autoritária ou discriminatória em sala de aula. E, para isso, deve ser preparado para respeitar os parâmetros mínimos da sua disciplina, preservando o pluralismo, não impondo sua visão de mundo e trabalhando com os questionamentos e as divergências dos estudantes. “Preparar o professor envolve a formulação de políticas públicas adequadas – e não seu cerceamento e punição”, afirmou Barroso.

O magistrado ressaltou ainda que a norma implica desconfiança em relação aos professores, o que não faz sentido em relação ao papel desempenhado por eles na sociedade. “(Os professores) têm um papel fundamental para o avanço da educação e são essenciais para a promoção dos valores tutelados pela Constituição. Não se pode esperar que uma educação adequada floresça em um ambiente acadêmico hostil, em que o docente se sente ameaçado e em risco por toda e qualquer opinião emitida em sala de aula”, afirmou.

A decisão de Barroso suspendeu integralmente a aplicação da lei em Alagoas e, consequentemente, deve suspender a tramitação de projetos semelhantes em Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas de todo o país. O ministro remeteu o projeto para a pauta do plenário do STF, responsável pela decisão de mérito.

Informações da Rede Brasil Atual.



segunda-feira, 27 de março de 2017

Nem um pio de Malafaia contra ajuda do Brasil ao Irã na ONU


No que diz respeito a certos "líderes" "evangélicos" brasileiros, bem como aos papagaios cóspel que cacarejam suas "façanhas", parece que tudo é uma questão de conveniência.

Foi assim em outubro de 2010, quando Silas Malafaia chegou a publicar anúncios pagos nos principais jornais do país, protestando contra o acordo que, à época, o Brasil havia intermediado com a Turquia a respeito do arsenal nuclear do Irã, à época rejeitado pelos Estados Unidos.

Como se sabe, passados alguns anos, os EUA chegaram a um acordo com o Irã em termos inferiores àqueles que o Brasil havia conseguido em 2010, mas ninguém falou nada sobre isso.

Enfim, quando se trata de Irã, o negócio é jogar para a plateia, mandando-se às favas o bom senso e a credibilidade da informação.

Espere (sentado), portanto, para ver se Malafaia vai dar um pio a respeito da atual ajuda do Brasil ao Irã na ONU, conforme matéria abaixo do Estadão, lembrando que o governo que está lá em Brasília foi apoiado por ele, caso você tenha - convenientemente - se esquecido.

Afinal, hipócritas são sempre os outros, não é mesmo?

Eis o artigo:

Brasil se abstém em votação sobre 
direitos humanos no Irã

Em 2015, Comissão do Senado liderada por Aloysio Nunes - hoje chanceler do País - protestou contra a mesma postura adotada pelo governo de Dilma Rousseff no caso iraniano; ONGs e minorias religiosas criticam decisão

GENEBRA - O governo brasileiro decidiu se abster em uma resolução votada nesta sexta-feira, 24, na ONU criticando as violações aos direitos humanos no Irã e renovando o mandato de uma relatora com o objetivo de fiscalizar a situação em Teerã. A resolução foi aprovada por 22 votos a favor e 12 contra, com 13 abstenções, entre elas a do Brasil.

A resolução contou com votos favoráveis dos EUA, Alemanha e Reino Unido, países que tiveram papel central no acordo nuclear com o Irã, assinado em 2015. No que se refere aos direitos humanos, porém, esses governos mantiveram uma posição crítica.

A posição adotada pelo Brasil é a mesma que o governo já havia tomado em 2010 quando a então presidente Dilma Rousseff optou por se abster em votação similar. Na época, a decisão do Itamaraty levou a Comissão de Relações Exteriores do Senado, presidida por Aloysio Nunes, a convocar uma audiência pública para exigir uma explicação da parte da chancelaria. Agora, como chanceler, Nunes segue a mesma política.

Em 2010, quem também criticou a posição do então governo foi José Serra, que até o mês passado foi o ministro de Relações Exteriores de Temer. Na época, ele alertou para o fato de que Dilma "nunca disse uma palavrinha áspera contra aquela ditadura fascista e feroz". O Irã era governado por Mahmoud Ahmadinejad e, desde então, passou a adotar um tom mais conciliador. Mas, em termos de direitos humanos, ativistas e mesmo a ONU alertam que a situação pouco mudou.

Em sua explicação de voto, nesta sexta, o Itamaraty indicou que "reconhece os esforços" do governo do Irã em relação aos direitos humanos e aprovação de leis internacionais. Para o governo Temer, isso representou passos positivos, tais como a publicação de leis sobre os direitos dos cidadãos.

De acordo com o Brasil, o país optou pela abstenção, apesar das preocupações legítimas em relação aos direitos humanos. Ao explicar seu voto, o governo indicou que "sabe das dificuldades" em implementar novas leis de proteção aos direitos humanos e "espera que o Irã supere os obstáculos".

A embaixadora brasileira em Genebra, Maria Nazareth Farani Azevedo, disse que reconhecia os "passos em boa direção" no que se refere às reformas sobre a punição capital e indicou que o Brasil espera que isso signifique o fim da pena de morte em determinados casos.

Ao se abster, o governo também indica que "levou em consideração a vontade política do Irã em se engajar" com os instrumentos internacionais de direitos humanos. Segundo a embaixadora, o voto brasileiro deve ser visto como um "estímulo para que o Irã permaneça no bom caminho" e "espera avanços mais significativos em direitos humanos".

Ainda assim, o governo afirmou que continua preocupado com as alegações de violações no país. O Brasil ainda se disse preocupado com a situação das mulheres, da liberdade de expressão e de minorias religiosas. De acordo com a embaixadora, a abstenção do País não deve ser interpretada como um questionamento em relação à relatora para as violações no Irã.

Momentos depois de o Brasil falar, o governo do Reino Unido tomou a palavra para alertar que o Conselho da ONU "não é o lugar para reconhecer esforços", e sim para lidar com violações de direitos humanos.

O governo do Irã criticou a aprovação da resolução, enquanto que a Venezuela alertou que a resolução era um "instrumento de potências para atingir seus objetivos geopolíticos".

Reações. Para entidades de direitos humanos, a posição brasileira não se justifica. "Há um descompasso entre a abstenção do Brasil e a justificativa dada em Genebra. O Brasil pede para que governo persa mantenha diálogo com a relatora da ONU para o Irã mas não vota a favor da manutenção deste mesmo posto", afirmou Juana Kweitel, diretora executiva da Conectas Direitos Humanos. "O governo Temer deixou na mão dos demais membros do Conselho a responsabilidade por preservar um dos poucos fluxos de informações críveis sobre violações que acontecem no Irã."

Junto com outras três ONGs, a Conectas Direitos Humanos enviou uma carta ao Itamaraty pedindo que o Brasil votasse a favor da renovação do mandato na ONU para investigar violações no Irã.

Para Iradj Roberto Eghrari, representante da Comunidade Bahá'i do Brasil, o voto "coloca o País em uma absoluta incoerência". "O governo diz que está acompanhando e diz que existem problemas, mas como pretende solucionar sem um instrumento reconhecido que é a relatoria da ONU? O Brasil fica na contra-mão", disse Eghrari.

De acordo com o representante, o voto brasileiro vai "contra os valores defendidos pela diplomacia" do País por décadas. Na avaliação de Eghrari, o Brasil não trata de direitos humanos com o Irã nem no campo multilateral e nem em suas relações bilaterais.

Ele também critica a justificativa dada pelo governo de que o Irã está no "caminho certo" ao adotar uma carta de direitos dos cidadãos. "Essa carta é uma camuflagem das violações, já que nem se reconhecem as minorias religiosas", disse Eghrari. "Falta mais pesquisa por parte da diplomacia brasileira sobre o que significa essa carta."



domingo, 26 de março de 2017

Semeie vida: faça você mesmo o seu próprio rio!


Duvida? Então leia a matéria abaixo, publicada no Estadão em 22/03/17:

Às margens da Rodovia dos Bandeirantes, 
o fazedor de rios

Mesmo sem conhecimento teórico, ativista Adriano Sampaio, de 45 anos, criou no Jaraguá um sistema de biovaletas

Edison Veiga

SÃO PAULO - De tanto observar os rios, foi lá e fez um. É mais ou menos este o resumo da história do ex-corretor de seguros Adriano Sampaio, de 45 anos, ativista ambiental criador do projeto Existe Água em SP. Na verdade, meio sem querer, ele desenvolveu o que oficialmente pode ser chamado de biovaleta - um sistema ecológico e sustentável de reaproveitamento de água da chuva.

Sampaio mora no bairro de Vila Clarice, noroeste da cidade, a poucos metros da Rodovia dos Bandeirantes, perto do Pico do Jaraguá. Começou a notar que a valeta de concreto que margeia a pista - e serve para escoar a água da chuva - andava sempre com suas poças. Pouco declive, região com sombra de árvores, zero permeabilidade... “Aí, em minha cabeça, ficava a lembrança de rios que, quando enchem, ocupam uma área de várzea. Depois, na estiagem, voltam ao leito mas deixam alguns lagos perenes”, comenta.

Em janeiro, pegou facão, enxada e principiou o trabalho. Deu uma limpada no mato, tirou o lodo que estava acumulado no fundo da valeta, fez duas barragens com argila e algumas pedras - tiradas do próprio entorno -, criou um corregozinho de dez metros.

Choveu.

Encheu.

Trinta centímetros de profundidade.

Então ele se embrenhou por rios da região, peneira na mão, caçou uns guaruzinhos - o lebiste selvagem. Conseguiu também cascudos e carás. “E um dia fui ao Mercado da Lapa e comprei seis pequenas carpas. Gastei R$ 20. Foi o único investimento financeiro do projeto”, conta.

A valeta ganhou vida. Os guarus se reproduzem rapidamente. Aos poucos, girinos têm surgido. Plantas aquáticas, também. “Outro dia um passarinho desses pescadores estava aqui de olho. Daqui a pouco vai ter bicho sondando por perto, atrás dos peixes”, diz Sampaio. Borboletas já rodeiam o local, antes quase inóspito.

Então o ativista descobriu - ah, a internet! - que o que estava fazendo tem nome e conceito: biovaletas. Na realidade, é um jeito de lidar com as águas da chuva de modo sustentável. “Trata-se de uma técnica bem contemporânea no exterior”, afirma o arquiteto, urbanista e paisagista Henrique de Carvalho, do Ateliê Tanta - um entusiasta da ideia. “Desde os anos 1960 e 1970, é um formato bastante estudado. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cidade de Portland, em Oregon, incentiva o modelo largamente.”

Ano sim, ano não, a prefeitura do município americano publica um guia intitulado Manual de Manejo da Água da Chuva. A última edição, de 2016, saiu com 502 páginas.

Nelas, as biovaletas são apresentadas como uma alternativa recomendada para lidar com a pluviosidade. Um “canal vegetado” não apenas para coletar a água da chuva, mas também com a função de “diminuir o escoamento superficial, sedimentar, melhorar a infiltração e reduzir a poluição”. Sim, as tais barreiras de argila “inventadas” por Sampaio têm essas funções: acabam livrando a água de impurezas.

Na versão paulistana, o ativista acredita que está resolvendo o problema dos mosquitos - afinal, as larvas dos insetos são um banquete para os peixinhos. “Já notei que não aparecem mais tantos Aedes quanto antes”, ressalta.

Reconhecimento. Biovaletas são instrumento reconhecido pela literatura especializada. A técnica aparece no livro Manual de Orientação Para a Proteção da Qualidade das Águas Pluviais, da Associação das Agências de Manejo de Água da Chuva da Área da Baía de São Francisco (BASMAA, na sigla em inglês).

Em Desenvolvimento de Baixo Impacto, obra publicada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Arkansas, no Estado americano homônimo, as biovaletas são destacadas como componentes úteis às áreas urbanas.

Sampaio diz que pretende procurar a CCR AutoBan, concessionária que administra a Rodovia dos Bandeirantes, com o projeto debaixo dos braços. Agora já com três trechos de dez metros cada em pleno funcionamento, sonha com um córrego que avance por quilômetros. “Estarei à disposição se quiserem que eu ensine a fazer”, adianta ele, enquanto admira a própria criação.



sábado, 25 de março de 2017

Papa argentino fará 30 brasileiros se tornarem santos católicos


Sim, é isso mesmo o que você leu, numa só penada papal 30 brasileiros serão canonizados, ou seja, elevados aos altares para veneração católica, segundo informa o Estadão.

Depois dessa, pelo menos os católicos brasileiros (sobretudo os pernambucanos e potiguares) nunca mais permitirão que alguém fale mal de argentinos perto deles.

Para não perder a paródia futebolística, que envolve o bispo de Roma, os vilões da história são um punhado de holandeses e um alemão, protestantes e calvinistas, como (não) pedia a ocasião.

No fundo, a gente faz essas pequenas brincadeiras apenas para tentar atenuar um pouco (o que é impossível) o horror dos fatos ocorridos no século XVII, em nome da religião, durante as invasões holandesas do território (então português) hoje conhecido como Brasil.

Eis a matéria:

Brasil terá mais 30 santos católicos

Papa Francisco aprova canonização de beatos assassinados em 1645 em duas igrejas do Rio Grande do Norte, durante a ocupação holandesa

José Maria Mayrink

O papa Francisco aprovou nesta quinta-feira, 23, a canonização de 30 beatos brasileiros que foram massacrados em 1645 nas localidades de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, durante a ocupação holandesa do Nordeste, por se negarem a abjurar da fé católica e aderir ao calvinismo, religião dos invasores. Os futuros santos serão André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, sacerdotes diocesanos, Mateus Moreira e outros 27 companheiros leigos.

“Ficamos muito felizes, pois esta canonização é uma grande bênção para a Igreja e com certeza vai reavivar a fé e a devoção dos fiéis”, disse o arcebispo de Natal, d. Jaime Vieira Rocha, após receber a notícia da aprovação do papa. Os 30 brasileiros foram beatificados em março de 2000 por João Paulo II. O cardeal d. Cláudio Hummes, que foi arcebispo de Fortaleza, ajudou a levar adiante a causa dos mártires e, no ano passado, confidenciou a d. Jaime que Francisco estava interessado na canonização.

Foram dois massacres coletivos: o primeiro em 15 de julho, em Cunhaú, atualmente município de Canguretama, e o segundo em 3 de outubro, em Uruaçu, hoje município de São Gonçalo do Amarante. Segundo relatos da época, mais de 70 pessoas foram assassinadas, mas a Congregação para as Causas dos Santos reconhece apenas o martírio daqueles cujos nomes são conhecidos. Na cerimônia de beatificação, João Paulo II chamou os novos beatos de protomártires e disse que eles eram exemplos e defensores da fé cristã.

Os massacres foram executados por índios tapuias e soldados holandeses, sob comando de Jacob Rabbi, um alemão a serviço da Companhia das Índias Ocidentais Holandesas. As vítimas foram mortas em um domingo, durante a missa celebrada pelo padre Ambrósio Ferro. Após a consagração da hóstia e do vinho, a tropa holandesa trancou as portas da igreja e, após um sinal de Rabbi, os índios chacinaram os fiéis.

Com a notícia das atrocidades em Cunhaú, o medo se espalhou pelo Rio Grande do Norte e capitanias vizinhas. Com razão. Outra vez sob as ordens de Jacob Rabbi, um grupo de dezenas de pessoas, entre as quais o padre André de Soveral, foi massacrado. Além dos padres André de Sandoval e Ambrósio Ferro, foram mortos os leigos Mateus Moreira e seus 27 companheiros que serão transformados em santos. O camponês Mateus Moreira teve o coração arrancado pelas costas, enquanto repetia a frase “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

Emissários do governo holandês enviados para investigar os massacres constataram a prática de violência, atrocidade e crueldade. Cronistas da época relatam que em Uruçu a crueldade foi maior. Os índios e a tropa holandesa fecharam as portas da igreja e mataram os católicos ferozmente. Arrancaram línguas, deceparam braços e pernas, cortaram crianças ao meio e degolaram corpos. A história dos massacres foi pesquisada na Torre do Tombo, em Portugal, e no Museu de Ajax, na Holanda. Segundo documentos levantados, os holandeses ofereceram aos católicos a opção de salvar a vida, se eles se convertessem ao calvinismo.

Data. D. Jaime pensou na hipótese de a canonização ser em outubro deste ano, se Francisco viesse ao Brasil por ocasião da comemoração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Como não virá, a cerimônia deverá ser celebrada no Vaticano, em data a ser marcada. Milhares de devotos celebram a memória dos mártires nos meses de julho e de outubro. Há celebrações frequentes também nas quatro paróquias dedicadas aos beatos no Rio Grande do Norte.



sexta-feira, 24 de março de 2017

Papel-moeda entra em extinção no mundo

A matéria é da BBC Brasil:

Os países onde o dinheiro vivo está prestes a ser extinto

Lauren Comiteau

Em tempos de turbulência econômica, não é de se espantar que algumas pessoas prefiram guardar seu dinheiro à moda antiga: em espécie, em algum cofre ou em algum esconderijo. Pelo menos até a tempestade passar.

Mas em alguns países do mundo, como a Holanda, o dinheiro em espécie está praticamente em vias de extinção - a ponto de alguns estabelecimentos simplesmente recusarem cédulas ou moedas.

Da badalada rede de lojas de comida natural Marqt à padaria do bairro, todos preferem receber pagamentos em cartão de débito ou crédito. Alguns dos varejistas chegam a definir essa prática como "mais limpa" e "mais segura".

Eu fiz uma experiência: deixei o cartão em casa e tentei ver até onde poderia chegar com um punhado de dinheiro vivo em Amsterdã.

Espanto e resistência

Como era de se esperar, fui recebida com expressões de espanto e com resistência quando quis pagar meu aluguel em dinheiro.

"Não me lembro da última vez que recebemos pagamento em dinheiro", conta Marielle Groentjes, contadora da imobiliária que administra meu apartamento, há dez anos no cargo.

"Não gostamos de ter dinheiro aqui na agência. Não temos cofre e os bancos nos cobram para fazer um depósito."

Mas são itens menores e mais baratos que dão mais dor de cabeça. Se não sou impedida de fazer compras em lojas que só aceitam cartões, sou obrigada a ficar em uma fila enorme de pessoas pagando em dinheiro, enquanto vejo outras resolvendo suas vidas rapidamente nos caixas automáticos.

Os euros no meu bolso não servem para eu comprar um sanduíche nem para que eu estacione o carro em Amsterdã.

"Dinheiro em espécie é um dinossauro, mas ele ainda não vai ser extinto", afirma Michiel van Doeveren, conselheiro sênior no Banco Central holandês, o DNB.

Segundo ele, é a logística que está encarecendo as transações em dinheiro, uma vez que ele precisa ser transportado, vigiado, contado e registrado. "É importante que a economia eletrônica ganhe mais espaço porque queremos adotar pagamentos mais eficientes."

Como ganhar mais

Os pagamentos eletrônicos nas lojas e supermercados da Holanda ultrapassaram as transações em dinheiro pela primeira vez em 2015, por uma margem estreita: 50% delas em cartões de débito, 49,5% em dinheiro e 0,5% em cartões de crédito.

Um movimento conduzido por um grupo de bancos e varejistas holandeses quer que essa proporção suba para 60%-40% até 2018. Eles argumentam que pagamentos eletrônicos são mais baratos, mais seguros e mais convenientes.

Assim como a Holanda e seus vizinhos na Escandinávia, a Suécia está entre os primeiros na corrida pela erradicação do dinheiro vivo. Mas nem todo o mundo simpatiza com a ideia.

"Trata-se de um problema enorme. Para pequenas empresas, é muito caro depositar dinheiro no banco", afirma Guido Carinci, diretor da associação de pequenos empresários TOMER. Ele diz que tem que pagar uma taxa de 300 coroas suecas por mês (cerca de R$ 120) para uma empresa que está autorizada a fazer depósitos em sua conta.

Segundo ele, os bancos lucram bastante com a cobrança de taxas sobre transações eletrônicas, enquanto não faturam com o dinheiro vivo. Isso tira o incentivo para que eles aceitem cédulas ou moedas.

Muitas lojas suecas já despacharam suas caixas registradoras, incluindo a gigante das telecomunicações Telia, cujas 86 filiais pararam de aceitar dinheiro vivo em 2013. Os ônibus suecos já não aceitam pagamento em dinheiro há vários anos. E até os sem-tetos que vendem revistas na rua aceitam receber em cartão ou através de aplicativos de celular.

O problema se tornou tão grave que a maioria dos suecos enfrentam o dilema de o que fazer com a pilha de notas que os bancos não querem. Alguns estão até recorrendo a guardar tudo "embaixo do colchão", segundo Bjorn Eriksson, diretor da empresa de segurança Säkerhetsbranschen.

Laços culturais

Apesar disso, as atitudes variam bastante dentro da Europa e em outras regiões do mundo. Algumas culturas relutam firmemente em desistir do dinheiro em espécie. É o caso, por exemplo, da Alemanha, cujos consumidores acreditam que o dinheiro vivo os ajuda a controlar melhor seus gastos, segundo um estudo realizado recentemente pelo Banco Central alemão.

Na superpotência da Europa, mais de 75% dos pagamentos ainda são feitos em dinheiro. A Itália é ainda menos adepta das transações eletrônicas, com 83% dos pagamentos em dinheiro.

E por mais que os americanos adorem suas notas verdinhas, o país está começando a viver um movimento no sentido de se tornar mais eletrônico. No ano passado, eles adotaram cartões de crédito com chip - uma década depois de muitos países europeus.

Em janeiro passado, várias filiais da rede de lanchonetes Sweetgreen pararam de aceitar dinheiro vivo, inclusive em sua loja em Wall Street, onde a maioria dos jovens executivos usam aplicativos de "carteira" em seus celulares, como o Apple Pay, por exemplo.

Os avanços na tecnologia móvel também está mudando costumes em alguns países da África. No Quênia e na Tanzânia, o serviço digital M-Pesa permite que milhões de pessoas hoje paguem suas contas, cobrem seus salários e realizem pequenas transações em mercados locais através de suas contas em seus celulares.



quinta-feira, 23 de março de 2017

Papa diz que "mulher não tem que lavar roupa"


A matéria é da ACIdigital:

Papa Francisco: A mulher é quem dá harmonia ao mundo, não está aqui para lavar louça


VATICANO, 09 Fev. 17 / 09:10 am (ACI).- A mulher é quem dá harmonia e sentido ao mundo. Foi o que assinalou o Papa Francisco em sua homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta.


O Pontífice indicou que é necessário evitar se referir à mulher falando somente sobre a função que realiza na sociedade ou em uma instituição, sem levar em consideração que a mulher, na humanidade, realiza uma missão que vai além e que nenhum homem pode oferecer: “O homem não traz harmonia: é ela. É ela que traz a harmonia, que nos ensina a acariciar, a amar com ternura e que faz do mundo uma coisa bela”.


Em sua reflexão sobre a Criação, a partir da leitura do Livro do Gênesis, o Papa Francisco se referiu ao papel da mulher na humanidade.


O Santo Padre relatou como o Gênesis explica que no princípio o homem estava só, então o Senhor lhe tirou uma costela e fez a mulher, que o homem reconheceu como carne de sua carne. “Mas antes de vê-la, sonhou com ela”. “Quando não há mulher, falta a harmonia”, insistiu.


Papa Francisco destacou que o destino do homem e da mulher é ser “uma só carne”. Por exemplo, contou quando em uma audiência, enquanto saudava as pessoas, perguntou a um casal que celebrava 60 anos de matrimônio: “Qual de vocês teve mais paciência?”. “Eles que me olhavam, se olharam nos olhos, não me esqueço nunca daqueles olhos, hein? Depois voltaram e me disseram os dois juntos: ‘Somos apaixonados!’ Depois de 60 anos, isto significa uma só carne. Isso é o que traz a mulher: a capacidade de se apaixonar. A harmonia ao mundo”.


O Pontífice explicou que a mulher não existe para “lavar a louça. Não: a mulher é para trazer harmonia. Sem a mulher não há harmonia”. Neste sentido, ele condenou o crime da exploração de mulheres.


“Muitas vezes, ouvimos: ‘Não, é necessário que nesta sociedade, nesta instituição, que aqui tenha uma mulher para que faça isso ou aquilo... ’ Não, não! A funcionalidade não é o objetivo da mulher. É verdade que a mulher deve fazer coisas e faz coisas, como todos nós fazemos. O objetivo da mulher é criar harmonia e sem a mulher não há harmonia no mundo”.


“Explorar as pessoas é um crime que lesa a humanidade: é verdade. Mas explorar uma mulher é algo ainda pior: é destruir a harmonia que Deus quis dar ao mundo”.


O Papa concluiu a homilia mencionando que “no Evangelho, ouvimos do que é capaz uma mulher, hein? Aquela é corajosa! Foi adiante com coragem. Mas é algo mais: a mulher é a harmonia, é a poesia, é a beleza. Sem ela o mundo não seria bonito, não seria harmônico. Gosto de pensar, mas isso é algo pessoal, que Deus criou a mulher para que todos nós tivéssemos uma mãe”.



quarta-feira, 22 de março de 2017

Padre Fábio de Melo estreia como ator em novela do SBT


Alegrem-se, fãs do Padre Fábio de Melo!

É que o padre, galã e arroz-de-festa vai mostrar mais um de seus talentos, a atuação dramática.

O sacerdote gravou nos dois últimos dias sua participação na novela "Carinha de Anjo" do SBT.

Foi o que informou Gabriel Perline em seu blog Sem Intervalo do Estadão.

Será que o padre seguirá em sua carreira de ator?



segunda-feira, 20 de março de 2017

Igreja belga vira bar após o culto

Bélgica e cerveja, tudo a ver, não é mesmo? E não só aquelas famosas cervejarias dos monges trapistas do país...

Segundo a notícia abaixo, do UOL Tabloide, uma igreja protestante de um vilarejo belga teve uma ideia no mínimo esquisita.

E se a moda pega?

Dá uma conferida pra ver o que você acha:

Único bar de cidade belga fecha e igreja passa a servir cerveja a fiéis

Sabe aquela cervejinha de domingo na hora do almoço? Em Brielen, uma pequena aldeia belga de apenas 700 habitantes, ela era uma tradição e costumava ocorrer sempre depois da missa. Mas, quando o último bar local fechou as portas, o padre (sim, o padre!) teve que tomar uma atitude, no mínimo inusitada: transformar a igreja em um botequim.

Para o padre, que também passou a quebrar um galho como garçom aos domingos, a transformação da igreja em bar após as missas foi uma oportunidade de unir a comunidade e atrair mais gente para a igreja protestante do lugar.

Para tal propósito, ele pediu permissão para as autoridades locais e, com o sinal verde, foi em frente com sua ideia. No domingo seguinte, após a missa, mesas com panos brancos e cadeiras foram instaladas na "casa de Deus" para que os frequentadores/fiéis se sentissem como se estivessem no antigo pub fechado.

Mas será que eles ficaram à vontade? Sim, ficaram. Segundo o padre, eles continuaram a beber o mesmo tanto que bebiam no bar, ainda que piadas, deboches, música e dança ficassem, obviamente, proibidos.

Outra restrição se deu no "horário de funcionamento": às 13h, sem atraso, era necessário fechar as torneiras do "chopp de Jesus". Além disso, para frequentar o "bar" era obrigatório assistir a missa antes.

Será que novos fiéis foram arrebanhados com a instalação do "bar celestial" na cidade?



domingo, 19 de março de 2017

Adeus a Chuck Berry, o "pai" do rock!


É provável que Chuck Berry não seja exatamente, como muitos o chamam, o "pai do rock", mas foi o primeiro cara que, digamos, o fez funcionar.

Até o começo dos anos 1950, os ritmos que se fundiriam no que hoje chamamos de "rock", eram como, se nos permitem recorrermos à obra-prima de Luigi Pirandello, "seis personagens em busca de um autor".

A analogia teatral se justifica por que estavam ali pulsando pelo Sul dos Estados Unidos o jazz, o jump blues, o boogie-woogie, o rhythm and blues, o country, o folk, tudo ainda na esteira das big bands dos anos 1940, como que prenunciando o nascimento de um estilo musical que dominaria o mundo a partir de então.

Foi então que surgiu essa figura autoral, na pessoa de Chuck Berry, que fez a síntese de toda essa gestação de sons, ritmos e etnias, para apresentar ao mundo canções como Roll Over Beethoven:


Ainda outro dia lembramos aqui de sua parceria com Etta James cantando "Rock and Roll Music" no nosso circuito off carnaval.

Infelizmente, Chuck Berry nos deixou ontem, aos 90 anos de idade, sabendo que o mundo já o considerava e sempre o considerará alguém que marcou a nossa história com um antes e um depois.

Melhor então terminarmos essa pequena homenagem ouvindo Chuck Berry e John Lennon cantando "Johnny B. Goode", outro de seus clássicos que reverberarão pela posteridade:



sábado, 18 de março de 2017

Juiz que não ouviu parte que usava chinelos deve ressarcir União


O que mais me incomoda em relação a certos membros da Magistratura e do Ministério Público em geral é o fato deles se esquecerem tão facilmente que é o conjunto da população quem lhes paga os salários, e que alguns deles próprios já tiveram - na vida - dificuldade em comprar um par de sapatos.

A matéria é do Migalhas:

Juiz que suspendeu audiência porque parte usava chinelo ressarcirá União

Pela conduta do magistrado, a União foi condenada a indenizar um trabalhador rural.

O juiz do Trabalho Bento Luiz de Azambuja Moreira, que suspendeu audiência porque uma das partes, um trabalhador rural, usava chinelos, deverá ressarcir à União os R$ 12,4 mil pagos ao lavrador a título de danos morais. A decisão é do juiz Federal Alexandre Moreira Gauté, da 1ª vara Federal de Paranaguá/PR.

O caso aconteceu em 2007, no município de Cascavel/PR. O magistrado, ao perceber que o trabalhador Joanir Pereira calçava chinelos, pediu que ele saísse da sala e disse aos advogados presentes que a audiência não seria realizada por conta desse motivo. À época, o juiz considerou que a falta de sapatos fechados "atentaria contra a dignidade do Judiciário".

Pela conduta do magistrado, o lavrador ajuizou ação de danos morais e a União foi condenada a indenizá-lo. A Procuradoria da União no Paraná propôs, então, uma ação contra o magistrado, para que ele fosse obrigado a ressarcir os cofres públicos pela despesa. "Como tal valor tem origem nos tributos pagos pelos contribuintes brasileiros, circunstância que lhe atribui caráter indisponível, deve o referido montante ser ressarcido à União pelo réu da ação, com os devidos acréscimos legais", argumentou.

Dolo ou culpa?

Em análise do caso, o juiz Gauté considerou que a decisão do juiz Bento tem natureza administrativa, portanto, ele deve ser responsabilizado civilmente pelo dano causado, mesmo que tenha agido culposamente.

Segundo o magistrado, "quando o juiz decide que uma pessoa somente pode ser ouvida em audiência se estiver vestindo determinado tipo de roupa", não há nada de jurisdicional.
"Tanto isso é verdade que, como realçado pelo próprio réu, vários juízos editam portarias tratando do tema, o que confirma a natureza administrativa desse tipo de pronunciamento."
Gauté observou que não há dolo na conduta do réu, visto que "ele chegou a pedir ao autor da reclamatória trabalhista que saísse da sala de audiências para, só então, dizer aos advogados das partes que o ato não seria realizado porque o autor estava calçando chinelos em vez de sapatos fechados".
"Se o réu houvesse eleito o resultado danoso como sendo o objeto de sua ação, certamente não teria pedido ao sr. Joanir para sair da sala antes de proferir sua decisão de não realizar a audiência."
Por outro lado, considerou que o magistrado agiu com culpa grave, pois "era absolutamente previsível o abalo moral causado ao autor da reclamatória trabalhista pelo adiamento da audiência, cujo motivo foi apenas o fato dele não estar usando sapatos fechados".
"Todos os que militam no meio forense sabem que o uso de trajes sóbrios é habitual e até mesmo exigível de juízes, membros do Ministério Público e advogados, porém essa exigência não deve ser imposta às partes e testemunhas humildes, ainda mais por órgãos da Justiça do Trabalho, cujos jurisdicionados são, em grande parte, trabalhadores que ostentam menores condições econômicas. Outrossim, os costumes e os padrões sociais locais também devem ser tomados em consideração pelo magistrado."

sexta-feira, 17 de março de 2017

Nike lança véu para atletas muçulmanas


Nike, a gigantesca multinacional do material esportivo, anunciou que lançará - em breve - um véu especialmente fabricado para as atletas muçulmanas que preferem (ou são obrigadas) a seguir os preceitos mais estritos do islamismo em relação às mulheres.

O véu em questão será fabricado com um tecido bastante leve que permitirá e facilitará a circulação do ar e a respiração do corpo.

Espera-se que o novo material étnico-religioso incentive uma nova geração de jovens muçulmanas a se interessar pela prática das mais diversas modalidades desportivas.

Para a confecção do véu, a Nike contou com a colaboração de atletas muçulmanas que recebem seu patrocínio, a levantadora de pesos Amna al Haddad e a patinadora Zahra Lari, ambas representantes dos Emirados Árabes Unidos (EAU).

Desta forma, a Nike entra num nicho já explorado por outras marcas destinadas ao vestuário feminino segmentado para o mundo muçulmano, também conhecido como "moda islâmica" ou "modest fashion", como a DKNY e a Dolce e Gabbana.

As informações aqui reproduzidas têm sua fonte no jornal chileno El Mercurio.





quinta-feira, 16 de março de 2017

Filantropos religiosos se mobilizam contra a reforma da Previdência

A matéria é do IHU:

Religiosas e religiosos do Brasil se mobilizam contra a Reforma da Previdência

A Conferência dos Religiosos do Brasil - CRB publicou carta, em 08-03-2017, convocando todos e todas lideranças, religiosos/as, colaboradores, e pessoas atendidas das nossas unidades sociais, escolas e universidades, hospitais, centros de atendimentos para mobilizarem-se contra a Reforma da Previdência (PEC 287/2016), que também visa acabar com a filantropia no país.

Eis a carta.

“Felizes sois vós quando vos insultam e perseguem e mentindo dizem contra vós toda espécie de mal por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos”. (Mt 5,11)

Queridas Religiosas e Queridos religiosos!

É em nome pessoal e em nome da CRB Nacional, que representa mais de 35 mil religiosos e religiosas, que lhes escrevo. Faço-o com o coração entristecido por, mais uma vez, ver os interesses de poucos solaparem os direitos de muitos, especialmente das crianças e jovens mais pobres e vulneráveis. Literalmente querem nos tirar as migalhas.

Pessoas com passado não muito transparente se sentem no direito de legislar e de impor suas ideias, valendo-se do cargo que ocupam como representantes do povo. Como cristãos e como religiosos devemos aguçar o nosso senso crítico para não legitimar posições assumidas que vão contra o Evangelho e os direitos dos mais pobres.

Nos próximos dias estará sendo discutida, e talvez votada, por nosso parlamento, a Reforma da Previdência, na qual o Governo Federal busca alterar a Constituição Federal por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 287/2016. Além de outros absurdos, no bojo dessa reforma, nossos representantes querem extinguir o direito à Filantropia a que muitas instituições beneficentes e de caridade tem direito. Trata-se de um dos efeitos colaterais de contornos imprevisíveis que tal emenda produzirá contra os pobres dessa nação no presente e no futuro.

O deputado federal Arthur Maia (PPS-BA), relator da proposta, tem se pronunciado categoricamente contra as desonerações fiscais em favor de alguns setores da sociedade, em especial das instituições filantrópicas. Chegou ao ponto de apelar à difamação pública dessas instituições centenárias, imputando-lhe adjetivos como: “pilantropia”, “pouca vergonha” e “aberração” no infeliz intuito de desqualificar a imunidade tributária das entidades beneficentes e de assistência social. É triste ver nas redes sociais anúncios do PMDB afirmando: “Se a reforma da previdência não sair – Adeus Bolsa Família – Adeus FIES ...”. Uma campanha bem ao estilo autoritário e segundo a ética de quem a patrocina e, quem sabe, a financia.

O cronograma de tramitação dessa matéria no Congresso Nacional é extremamente curto. Já nos próximos dias, por volta do dia 22/03/2017, deverá ser votada na Plenária da Câmara. O atual domínio da bancada do Governo certamente garantirá a aprovação sem o menor esforço, pouco se lixando com as consequências de tal decisão. O que importa é arrecadar mais impostos.

A única forma de mudarmos esse triste panorama é o engajamento de todos: lideranças, religiosos/as, colaboradores, atendidos das nossas unidades sociais, escolas e universidades, hospitais, centros de atendimentos. Ou nós nos mobilizamos e defendemos o direito das nossas instituições e dos pobres, ou mais uma vez pagaremos a conta dos desmandos palacianos.

Permitam-me oferecer-vos alguns dados e ilustrações para melhor compreensão da gravidade do assunto:

Pesquisa do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas - FONIF, realizada a partir de dados oficiais fornecidos pela própria Administração Pública, revela que as entidades imunes proporcionam um retorno social da ordem de 5,92 x 1. Isto é, para cada R$ 1,00 não cobrado em tributos, R$ 5,92 são convertidos em benefício da população, na forma de serviços, empregos, infraestrutura, qualidade de vida e conhecimento. Ou seja: se o governo tirar a filantropia das instituições que prestam esses serviços, ele terá que arcar com a assistência a essas pessoas, gastando 5,92 vezes mais do que arrecada para dar o atendimento necessário. Como percebemos, essa decisão é pouco inteligente e incidirá diretamente na queda ou desqualificação do atendimento dos mais necessitados.
As isenções das entidades filantrópicas correspondem a apenas 3% da arrecadação total da Previdência Social, de modo que a suspensão de tal isenção não vai solucionar o problema. A devolução do dinheiro desviado no “propinoduto” daria muito mais resultado financeiro do que terminar com as filantrópicas;
Caso as entidades filantrópicas percam esse incentivo, centenas ou milhares de escolas, hospitais, universidades, centros sociais, centros de atendimentos a vulneráveis pertencentes a estas instituições deverão fechar as portas. Milhões de pessoas serão privadas de atendimento digno e humanitário nas unidades atendidas pelas filantrópicas e passarão para a rede pública, já incapaz de oferecer ao nosso povo o mínimo em saúde e educação.
A consequência de curto prazo, será o aumento de crianças e adolescentes vivendo na rua, com muita possibilidade de futuramente assaltarem os que hoje lhe negam um tratamento digno. E então, a economia feita hoje, será insuficiente para construir prisões para abrigar os infratores produzidos pelo abandono produzido por tal decisão. Uma pena que a maioria dos nossos políticos não consigam ver além da próxima eleição.

Irmãos e Irmãs, precisamos mobilizar as nossas instituições! Precisamos defender os nossos direitos e os direitos dos pobres e vulneráveis! Não se trata de luta ideológica, mas de posicionamento evangélico.

Como ação prática, sugiro que enviem centenas, milhares, milhões de e-mails, aos deputados e senadores. Usemos as redes sociais para denunciar mais esse abuso de poder econômico e político de poucos que marginaliza quem trabalhou com seriedade durante séculos em favor dos necessitados. Participemos de manifestações públicas com esse objetivo. Alertemos os nossos atendidos, alunos, enfermos, sobre esse perigo e peçamos a eles que se manifestem nas redes sociais contra esse “assalto” a dignidade das instituições e das pessoas. Não poupemos nenhum esforço no sentido de esclarecer e de influir na decisão dos nossos representantes em Brasília.

Termino pedindo a todos os religiosos e religiosas, especialmente aos anciãos, aos enfermos e aos de clausura, que rezem fervorosamente a Deus, para que o Espírito Santo ilumine as mentes e os corações dos que devem decidir nosso futuro. Se Deus ouviu o clamor de Israel quando o Faraó escravizou o seu povo, certamente nos ouvirá também. Ele é Pai e Mãe e cuidará de nós e dos pobres do mundo. Recordo o Evangelho: “Existem certos demônios que só são expulsos mediante muita oração” (Mt 17,21). Quem sabe, estejamos diante de um deles.

Que o Deus bondoso tenha para nosso país olhos de misericórdia e nos conduza pelos caminhos da justiça e da fraternidade. Que a Virgem de Aparecida nos proteja e nos abençoe.

Em união de preces,

Maria Inês Vieira Ribeiro

Presidente da CRB Nacional
Brasília, DF, 08 de março de 2017



quarta-feira, 15 de março de 2017

Padre Neimar garante 1ª vitória do Brasil na Copa do Mundo (dos Padres)


Delicie-se com a notícia real, divertida e esquisitona que vem do EsporteFera:

Jesus amado, que partida foi essa?
Brasil vence na Copa do Mundo dos Padres

Time brasileiro tem o capitão padre Neimar como destaque

O Brasil fez sua estreia na Clericus Cup, a Copa do Mundo dos Sacerdotes Católicos, neste domingo, contra a Bélgica. Abençoados, os representantes do Colégio Pio Brasileiro conquistaram a vitória por 2 a 1.

A equipe brasileira é formada por padres e seminaristas que estudam em Roma. Um dos destaques do time é o capitão padre Neimar, com (i) mesmo, o meia de 34 anos é comparado ao craque Neymar. Mas não foi ele que brilhou na partida deste domingo, foi o padre Leandro Nunes que salvou o jogo quando conseguiu evitar um gol do time adversário em cima da linha.

Reconhecendo falhas do time, Neimar diz que "temos que corrigi-las para a próxima partida e rezar mais", brinca durante entrevista ao O Dia, do portal IG. A próxima partida dos padres brasileiros será contra o Vaticano Anselmiano, no próximo domingo.

A COMPETIÇÃO

Diferente do futebol tradicional, o Campeonato Mundial Pontifício apresenta novas regras ao esporte. São 404 padres de 66 nacionalidades em 18 times, que disputam a competição. O tempo de partida muda para 30 minutos em cada tempo. Os cartões amarelo e vermelho, como conhecemos, não existem. Apenas um cartão impõe disciplina aos atletas, o verde. Quem receber essa "punição" terá que parar por oito minutos para pensar no que fez e se arrepender da falha que cometeu. Sendo assim, xingar a mãe do juiz está fora de cogitação. Não é mesmo, feras?

Padre Neimar, surfando na fama do xará, apresenta o troféu da Clericus Cup




LinkWithin

Related Posts with Thumbnails